sábado, 24 de setembro de 2016

Capítulo 34

— Anda, se transforme ou eu vou castrar você agora mesmo!
As palavras de Miranda acordaram Kylie pouco antes das três da tarde. E ela queria continuar dormindo. No momento, Della e Miranda poderiam brigar à vontade. Colocou um travesseiro sobre a cabeça, mas ainda assim ouviu Miranda repetir a ameaça.
Castrar?
Pelo que sabia, Della não tinha duas bolas que pudessem ser removidas. Então, quem Miranda estava ameaçando?
Oh, não! Socks Jr.?
— Está bem — recomeçou Miranda —, você pediu.
— Pare! — gritou Kylie. E saltou da cama a tempo de ver Miranda segurando o gato e apontando para ele o dedo mínimo.
— Você está enganada — disse Miranda. — Não é de mim que ele gosta, pois estava na cama com você.
— Não, não! — e Kylie puxou os cabelos para trás, tentando não rir. — Esse aí não é o Perry.
— Então quem é?
— Ninguém. É um gatinho de verdade.
— Ele fez você de boba outra vez.
— Nada disso. É mesmo um gatinho de verdade. Presente do Lucas.
— Lucas? — espantou-se Miranda. — Foi o que eu vim dizer. Ele despareceu. A UPF está atrás dele.
— Eu sei — disse Kylie.
— E como sabe? — perguntou Della, entrando no quarto.
O gato, assustado, soltou um miado digno de pena. Kylie o tomou dos braços de Miranda.
— Holiday e Burnett vieram aqui mais cedo, atrás do Lucas.
— E ele estava com você? — perguntou Miranda.
— Não, já tinha ido embora. — Kylie hesitou. — O que acham que ele fez?
— Sei lá — respondeu Miranda.
Kylie aconchegou mais o gatinho ao peito.
— O que quer que tenha feito, deve ter sido muito ruim — arriscou Della. — Trouxeram até policiais humanos para interrogar Holiday. Ele está numa enrascada daquelas.
Depois que Miranda e Della saíram, Kylie se sentou no chão da sala para brincar com Socks. Logo em seguida, Helen bateu na porta.
— Oi — cumprimentou Kylie, convidando-a para entrar.
— Soube que você não estava se sentindo bem.
— Não foi nada — disse Kylie. Será que Helen tinha vindo para colocar à disposição dela seus poderes de cura? Logo notou algo de estranho na postura da garota, como se ela não soubesse como abordar o assunto que a trouxera até ali. A princípio, Kylie teve medo de que Helen pudesse ter-se enganado no diagnóstico do tumor.
— Alguma coisa errada? — indagou.
— Uma bobagem, na verdade. Mas... Preciso de um conselho.
— Meu? — estranhou Kylie.
Helen assentiu.
— Sabe, eu gosto do Jonathon, mas acho que ele não percebeu isso ainda. Nunca me saí bem com garotos. Pensei que talvez você pudesse... Me ensinar o que fazer.
— Eu? — Kylie esteve a ponto de rir. — Sério, não sou a pessoa mais indicada pra ajudar você.
A decepção se estampou no rosto de Helen.
— É que eu nunca tive um namorado. E não sei a quem mais recorrer.
Kylie, olhando fixamente para Helen, não podia esquecer que ela fez tudo o que estava ao seu alcance para ajudá-la.
— Eu só tive um namorado. E, como não sou... Uma garota fácil, optei pela honestidade.
— Que tipo de honestidade? — indagou Helen. — Porque eu também não me considero fácil.
Kylie encolheu os ombros.
— Parece besteira, mas só pergunte se ele tem namorada. Se ele disser que não e quiser saber o motivo da pergunta... Responda então que está gostando dele. Há garotas que fazem de tudo para chamar a atenção e isso talvez funcione. Mas, para mim, a honestidade é que funciona. Pode funcionar também com Jonathon — Kylie pensou então que, se estivesse certa de seus sentimentos, talvez devesse dar uma outra chance à honestidade.
Nos dias seguintes, nada de importante aconteceu. Kylie e Holiday não estavam fazendo progressos com a meditação. Della e Miranda continuavam brigando. Trey ligava e deixava mensagens intermináveis no celular de Kylie. Lucas não saia da sua cabeça. Ah, e seu pai havia telefonado para sua mãe contando que não tinha ido ver Kylie na semana anterior e que ela não respondia nem aos seus e-mails nem às suas chamadas.
A mãe fez da vida dela um inferno por causa disso.
— Você mentiu para mim! — esbravejou.
— Não, só fiz você acreditar que ele tinha vindo — justificou Kylie.
— Dá na mesma. E... E... Você não pode tratar seu pai assim.
— Por quê? Você trata meu pai do mesmo jeito.
Ao saber que o pai de Kylie pretendia aparecer no próximo fim de semana, a mãe a princípio disse que ela própria não iria. Mas agora, novamente furiosa, disse que iria também, devendo os dois alternar suas visitas. E quem teria de marcar as datas? Kylie, é claro.
A única coisa positiva foi que o soldado Dude não apareceu mais. Kylie gostaria muito de acreditar que ele tinha partido para sempre. Holiday, porém, não estava convencida disso. Aliás, a líder do acampamento andava bem mal-humorada nos últimos dias. Quando Kylie lhe perguntou o motivo, Holiday se limitou a sacudir a cabeça e a dizer que tudo se resolveria seu devido tempo.
Kylie também perguntou a Holiday sobre Lucas. A líder do acampamento deu um grande suspiro de frustração, esclarecendo que não poderia falar sobre o assunto. Kylie teve de morder a língua para não dizer que confiança era uma via de mão dupla. Gostaria muito que Holiday não fosse tão cheia de segredos.
A tensão que Kylie detectou em Holiday era mais evidente ainda em Sky, o que a deixou intrigada. É que, até o momento, a líder loba tinha lhe parecido imune à frustração trazida pelas constantes visitas da UPF. Para Kylie, Holiday e Sky estavam com problemas sérios.
Como se isso não bastasse, a tensão das duas líderes parecia estar exercendo uma influência negativa sobre todo mundo. Houve outro desentendimento, dessa vez entre uma bruxa e uma fada.
— Eu disse que fadas e bruxas não se suportam — insistiu Miranda, no dia em que as três amigas chegaram bem na hora da briga, que Holiday tentava apartar.
— E o que você faria se eu fosse meio fada? — perguntou Kylie a Miranda.
— Ahá! — tinha interrompido Della. — Ouviu o que você acabou de dizer?
— O quê? — Kylie não fazia ideia.
— Está finalmente admitindo que não é totalmente humana.
Com tanta coisa acontecendo, Kylie não havia pensado muito nessa questão. E, estranhamente, o problema já não parecia tão importante assim para ela. Bem, só até certo ponto. Kylie ainda queria saber; mas, se descobrisse que era sobrenatural, isso não seria o fim do mundo. Na verdade, a ideia de que poderia não ser “especial” é que mais a inquietava.
— E então? — perguntou Miranda.
— Sou o que sou — respondeu Kylie.
Miranda ia dizer alguma coisa quando Della levantou a mão.
— Ohhh!
Kylie e Miranda se calaram e ficaram atentas. Tudo o que Kylie pôde ouvir foram os pássaros.
— O que está ouvindo? — perguntou Kylie, já inquieta com a possibilidade de Chan ter voltado.
— Os bichos — respondeu Della. — Estão agitados.
— Por quê? — indagou Miranda.
— Não sei — disse Della. — Mas nunca me pareceram tão... Raivosos.
Nesse momento Helen se aproximou de Kylie e, inclinando-se, sussurrou:
— Funcionou. Perguntei a ele se tinha namorada e aconteceu exatamente o que você disse. Ele quis saber o motivo da pergunta e eu disse que estava gostando dele. Vamos juntos a um piquenique amanhã, para nos conhecermos melhor. Obrigada.
Kylie apertou o braço de Helen.
— Isso é ótimo! Apareça antes do encontro e Miranda vai cuidar da sua maquiagem. Não vai, Miranda? — Kylie se voltou para a amiga.
— Claro! — respondeu Miranda.
— Obrigada — repetiu Helen e afastou-se correndo.
No domingo de manhã, Kylie estava sozinha, esperando para ver com quem ficaria durante a hora do encontro e para concluir sua conversa com seu pai, já que tinha finalmente cedido e telefonado para ele na sexta-feira. Fingiu que tudo estava bem e nem mencionou a ausência dele na semana anterior ou o de ela própria não ter respondido às suas ligações e e-mails. O pai disse que planejava vê-la no domingo, mas logo em seguida começou a falar de uma viagem que faria ao Canadá dentro de poucas semanas.
Kylie contou ao pai que a mãe também viria no dia seguinte e que visitas dos dois seriam em turnos. Esperava que ele não concordasse com aquele esquema idiota e dissesse que ambos poderiam muito bem visitá-la juntos. No fundo, Kylie tinha esperanças de que aparecessem na mesma ocasião e, milagrosamente, ao se encontrar, percebessem que sentiam saudades um do outro.
Esse é o problema dos milagres. Não acontecem com muita frequência. O pai não achou o esquema de turnos idiota. Na verdade, parecia tão satisfeito em não ver a mãe quanto a mãe em ficar longe do pai.
— Que tal se eu chegar depois do almoço? — perguntou o pai. — Mas primeiro vou telefonar para saber se ela não está ai.
Kylie mordeu o lábio para não perguntar o que tinha acontecido seu verdadeiro pai. Ele tinha mudado desde que passaram a falar em divórcio. Os pais não deviam fazer isso com os filhos. Na opinião dela, essa uma regra que todos os pais deviam respeitar.
— Ótimo! — disse Kylie. E se você não aparecer não se preocupe, não vai doer tanto quanto da primeira vez. — Então, vejo você no domingo — e desligou o telefone.
— Está pronta? — disse uma voz masculina às suas costas, bem perto do seu ouvido. — Tirei seu nome.
Kylie reconheceu a voz de Derek. Tinha conseguido se esquivar durante toda a semana. Não por vingança, mas por uma necessidade básica de equilíbrio. Sua vida já estava confusa demais e ela não precisava de mais problemas. Além disso, ele tinha arranjado uma namorada que sem dúvida estava muito feliz em passar a maior parte do tempo ao lado dele.
Kylie se virou.
— Você já tinha tirado meu nome — observou ela.
— A sorte me sorriu novamente — Derek parecia, pelo tom da voz, ter receio de que ela não acreditasse nele.
E Kylie não acreditou.
— Fez aquilo de novo, não fez?
— O quê? — perguntou Derek. Mas Kylie sabia que ele tinha entendido muito bem a pergunta.
— Você trocou meu nome por mais um pouco de sangue. Não negue.
Ele deu de ombros.
— Eu não teria que fazer isso se você parasse de me evitar.
— Não estou evitando você, só... — não queria mentir para ele e por isso se calou.
Algumas pessoas cruzaram com eles e Derek falou em voz baixa:
— Se você não quiser ir, não vou insistir.
Kylie ergueu os olhos e viu em seu rosto que ele estava sendo absolutamente sincero. Ele não tinha tocado nela, então não poderia pensar que tivesse influenciado suas emoções. No entanto... Tudo dentro dela tinha mudado. Como podia ter sentimentos tão fortes por Lucas e, ao mesmo tempo, ficar com raiva de Derek por ficar com outra garota? Aquilo não tinha lógica.
Mas por que não deveria ter? Nada na vida dela fazia o mínimo sentido ultimamente.
— Estava preocupado com você — disse Derek. Sua voz revelava tanto interesse... e era tão afetuosa!
— Quando não estava com Mandy, certo? — perguntou Kylie. E logo se arrependeu por agir como se tivesse alguma razão para ter ciúmes.
Derek pareceu pouco à vontade.
— É sobre isso mesmo que eu queria conversar com você.
— Não sou consultora sentimental — disse Kylie.
— Acho que é, sim. Helen me disse que falou com você sobre Jonathon. Miranda conversou com você sobre o Perry. E como se chama mesmo aquela outra vampira?
Kylie soltou o ar com força.
— Só me faltava essa! Por alguma razão desconhecida, as pessoas pensam que eu sou o Cupido — mas ela não queria bancar o Cupido para ele e Mandy.
— Talvez você seja parente do Cupido — sugeriu Derek, em tom sério.
Kylie estremeceu.
— Será?
— Alguns sobrenaturais descendem dos deuses.
— Meus pais precisariam ter nascido à meia-noite? Ou este é um dos casos em que uma geração pode não ser sobrenatural?
Derek deu de ombros.
— Não sei. Mas acho que Holiday sabe. Vamos falar com ela — propôs aparentemente disposto a renunciar a uma parte de sua hora para ajudá-la a obter uma resposta.
— Não se preocupe. Vou me encontrar com ela depois do almoço.
— Então, minha provável deusa — disse Derek, fazendo uma reverência à moda antiga —, posso ter o prazer da sua companhia por uma hora?
Kylie riu da palhaçada.
— Só se prometer se comportar — queria mesmo que ele se comportasse?
— Isso tira toda a graça da aventura, mas prometo — lançou um olhar malicioso, que cintilava.
Começaram a andar e Derek hesitou por um momento.
— Mesmo lugar? Ou a lembrança da cobra ainda assusta você?
— O mesmo lugar seria ótimo — sentiu um estremecimento leve na espinha, mas não por causa da cobra e sim da lembrança de que estivera a ponto de beijar Derek naquela ocasião.
Desceram a trilha em silêncio. O sol produzia de novo a mágica de lançar dardos de luz por entre as árvores. Kylie se perguntava por que a companhia de Derek fazia tudo parecer... Encantado.
— É você? — perguntou ela, quando chegaram ao lugar.
— Eu o quê?
Kylie fitou-o com ceticismo.
— É você que faz tudo parecer... Tão mágico e tão cheio de vida? As cores, os aromas, a maneira como o sol flutua no céu...
— Ah, é só o meu charme — brincou Derek.
— Estou falando sério — continuou Kylie. — É você que está fazendo isso?
Ele riu.
— Pare de rir — ralhou Kylie.
Derek parou de rir, mas não de sorrir.
— Tudo bem, falando sério: não sei o que você quer dizer. Não estou fazendo nada. O lugar é que é bonito mesmo.
Saltou para a rocha e estendeu a mão para Kylie. Kylie hesitou, olhando aquela mão.
— Prometi me comportar — lembrou ele.
Kylie lhe deu a mão, subiu na pedra e se sentou ao seu lado, mas não muito perto. Derek puxou um dos joelhos para o peito. Sua calça jeans parecia gasta, mas confortável, e sua camiseta era verde-clara. Não muito apertada, mas o suficiente para realçar a largura dos ombros. Devia ser a mesma que tinha usado no primeiro encontro deles. Na ocasião, Derek lhe pareceu bem bonito, como agora. E Kylie o havia comparado a Trey! Derek era muito mais atraente que seu antigo namorado.
— Então você e sua garota estão tendo problemas? — disparou Kylie, tentando mudar o curso dos próprios pensamentos.
— Digamos que sim — respondeu ele de modo sarcástico, passando um dedo pelo queixo. O olhar de Kylie se fixou, cheio de desejo, nos lábios de Derek.
— O que há de errado? — prosseguiu ela, ignorando a malícia em sua voz e esperando que ao ouvi-lo falar de Mandy perdesse a vontade de beijá-lo.
— Bem, ela acha que eu estou gostando de outra pessoa.
Kylie sentiu um frio no estômago.
— E está?
— Não.
Ai, aquilo doeu, mas Kylie procurou ignorar. Estranhamente, o conselho que costumava dar – ser honesta – parecia não funcionar com ela. Talvez, em parte, porque não estivesse certa de seus sentimentos.
— Mas — continuou Derek — acho que eu a induzi a pensar assim.
— Por quê? — indagou Kylie.
— Quis que ela ficasse com ciúmes. Talvez assim ela visse que gosta de mim.
— E o que aconteceu? — perguntou Kylie, certa de que aqueles joguinhos nunca acabavam bem.
— Não sei. Você ficou com ciúmes?
Kylie ergueu a cabeça e olhou-o, espantada.
— Eu? Você estava se referindo a mim? — sacudiu a cabeça. — Mas você e a Mandy são...
— Amigos.
Aquilo também não estava fazendo sentido.
— Mas você... Ela te beijou.
— Você obviamente não reparou bem naquela garota. Ela é uma beijoqueira. Acho que seus pais são franceses.
Kylie tentou digerir o que ouvia. Mais difícil, ainda, era digerir o sentia. Gostava de Derek. Realmente. Ele a atraía. Talvez não com a mesma intensidade que Lucas no riacho, mas a coisa era real. E, de certo modo mais real que a atração explosiva que sentia por Lucas.
E Derek não foi embora, sussurrou a pequena voz interior.
— Você está bem? — perguntou ele.
— Sim. Não — Kylie sacudiu a cabeça. — Só estou um pouco confusa — agora, tinha falado a verdade.
— Eu sei — disse Derek.
Kylie se lembrou de que ele era capaz de ler suas emoções; gostaria que não fosse. O fato de Derek perceber as coisas antes dela não parecia certo. A brisa agitou seus cabelos e uma mecha ficou presa entre os lábios.
Derek a recolocou delicadamente no lugar.
— Que alívio, você não está com raiva de mim!
— Me dê alguns minutos — pediu Kylie. — Posso mudar. Minhas emoções estão fora de controle ultimamente.
Ele sorriu. Kylie se sentiu mais uma vez seduzida pelo seu sorriso. Sacudiu a cabeça.
— Derek, eu só...
— Kylie, não disse isso para pressionar você. Só estou contando essas coisas porque percebi como fui idiota tentando te deixar com ciúmes. O tiro podia sair pela culatra. Mas o que eu estou dizendo? Saiu mesmo pela culatra porque você nem se aproximava de mim.
Kylie mordeu o lábio.
— Sinto muito. Foi uma semana maluca.
— Você tem passado por muita coisa. Era também por isso que eu queria ver você. Senti que anda estressada.
Que mais ele sentiu?, perguntou-se Kylie. Que seu stress envolvia Lucas? Que ela estava com ciúmes? Lembrou-se do dia em que tinha visto Mandy beijá-lo.
— Você tem razão. Senti ciúmes de você e Mandy. Mas ainda não sei. Não acho...
Derek levantou a mão.
— Ser seu amigo já é muito bom. Mas desta vez não vou mentir pra você. Gostaria de ser algo mais. Até lá vou respeitar a sua vontade.
Kylie olhou para ele e sentiu-se ainda mais atraída.
— Você faria isso por mim?
— Pode apostar — ele se deitou na rocha e pôs uma das mãos sob a cabeça. Essa posição valorizava ainda mais seus braços e o peito. — Experimente agora, que Lucas se foi — completou. Seu tom de voz não dava margem a equívocos: Derek suspeitava de mais coisas do que ela gostaria.

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