sábado, 24 de setembro de 2016

Capítulo 28

— Não abriu ainda? — perguntou Della, por trás de Kylie.
Kylie olhou por cima do ombro, fitando ora Della à direita, ora Miranda à esquerda. Respirando profundamente, voltou ao e-mail e clicou.

Oi, querida, eu estava errada. Não nasci às onze horas, mas às dez.
Dez e vinte e três, para ser mais exata. Seu pai nasceu às nove e quarenta e seis. Você ligou para...

Kylie parou de ler. Nenhum de seus pais tinha nascido à meia-noite: A emoção dilatou seu peito. Uma avalanche de emoções. Seria alívio? Sim, tinha que ser.
Então não era sobrenatural!
— Eu sabia, meninas! Não sou uma de vocês! — a sensação que enchia seu peito não parecia de alívio. Não queria ser uma delas, queria? Ou talvez o que estava sentindo fosse decepção por não se enquadrar ao grupo. De novo. Não era essa a história de sua vida?
Bem no fundo, você sempre soube que era diferente.
As palavras de HoIiday pairavam sobre sua cabeça. E, pela primeira vez, admitiu para si mesma Holiday estava certa. Kylie sempre achou que era diferente. Uma estranha no ninho. No entanto, não era diferente. Bem, talvez fosse.
Apenas não era uma sobrenatural. Ali estava a prova.
— Não acredito — disse Della.
— Holiday explicou que às vezes uma geração da família não é sobrenatural — ponderou Miranda.
— Só em situações muito raras — disse Kylie.
— Talvez sua mãe esteja mentindo — acrescentou Della.
Kylie olhou bem para a vampira.
— E por que ela mentiria?
Della deu de ombros.
— Pode ser que ela não esteja bem por causa do divórcio. Sei lá.
— Seus pais estão se divorciando? — perguntou Miranda.
— Estão — disse Kylie, sem se incomodar nem um pouco por Della ter tocado no assunto. Conhecia as duas há poucos dias, mas confiava nelas.
— Que droga! — resmungou Miranda, pousando uma das mãos no ombro de Kylie e apertando-o suavemente.
— É isso aí — e Kylie voltou ao e-mail.
— Por que estão se divorciando? — indagou Miranda.
— Não sei. Mamãe é tão...
— Chata — disparou Miranda.
Kylie ia concordar, mas deteve-se.
— Não. Ela não é propriamente chata, apenas... Fria, distante. Tão quente quanto um picolé. Ouvi meu pai chamá-la assim uma vez.
— Então seu pai deve estar tendo um caso — insinuou Della, sem medir palavras.
Kylie voltou-se na cadeira e a encarou.
— Não.
Della fez uma careta.
— Sério, se ele chamou sua mãe de picolé é porque achou alguém mais quente com quem trepar.
— Meu pai não é assim — disse Kylie com convicção. Percebeu então que não tinha explicado bem a frieza da mãe.
— Eu quis dizer fria... Emocionalmente, não...
— Sei — disse Della. — Não precisa se preocupar em ferir meus sentimentos — mas seus olhos diziam outra coisa.
Kylie sabia quando alguém estava querendo bancar a durona. Tinha feito um curso intensivo dessa matéria nas últimas semanas.
Olhou de novo a tela.
— Mamãe é apenas... Difícil de suportar, às vezes. Não censuro meu pai por deixá-la.
— E você vai morar com ele? — perguntou Miranda.
Kylie sentiu-se transportada ao dia em que, na frente da garagem, implorou ao pai que a levasse com ele. A recordação era dolorosa, mas tinha que aceitar a verdade: na ocasião, seu pai tinha decidido abandonar não só a mãe, mas a filha também.
— Já é tarde e estou cansada — Kylie se levantou e foi para seu quarto. Mas, ao contrário de antes, agora podia chorar.


Na manhã seguinte, Kylie foi ao encontro de Holiday e colocou uma cópia do e-mail da mãe sobre a mesa da líder do acampamento.
— Foi como eu disse — começou. — Agora talvez você possa telefonar para minha analista e pedir que avise minha mãe para me buscar.
Ir embora dali talvez não fosse mudar tanto sua vida quanto tinha imaginado. Uma parte dela nem desejava partir. Mas, como não era uma sobrenatural, também não pertencia àquele lugar.
— O que é isto? — Holiday passou os olhos pelo papel e ficou espantada ao ver do que se tratava. Levantou a cabeça e encontrou o olhar de Kylie. — Pois muito bem, admito que estou surpresa, mas isso realmente não muda em nada os fatos.
— Como não? Você me disse que só em raríssimas circunstâncias uma geração não é sobrenatural.
— E quanto a você ver fantasmas? E ter nascido à meia-noite? Sabe que seu cérebro não pode ser lido como o de uma pessoa normal?
Kylie deixou-se cair na cadeira diante de Holiday.
— Posso ser maluca. Ou, como você mesma explicou um dia desses... Uma aberração de natureza humana atormentada por um fantasma supercarregado de energia.
Holiday discordou com a cabeça e inclinou-se para frente.
— Ou talvez... As pessoas que você chama de pais não sejam seus verdadeiros pais.
Kylie ficou de boca aberta.
— Pode acreditar, com tudo o que está acontecendo lá em casa, eu bem que gostaria de ser adotada. Infelizmente, vi fotos da minha mãe grávida.
Holiday ia contestar, mas desistiu.
— Como eu já disse, a busca é sua.
Era minha. Está encerrada. Encontrei a resposta. Sou apenas humana.
Holiday pousou o cotovelo direito na mesa e descansou o queixo na palma aberta. Aquele, Kylie já havia notado, era o gesto que a líder do acampamento sempre fazia quando tinha a intenção de iniciar um de seus discursos do tipo “é assim mesmo que você se sente?”. O gesto lembrava sua analista, com a única diferença de que a Dra. Day se recostava na cadeira e sacudia a cabeça. O pior de tudo era que essa tática sempre funcionava com Kylie.
— Está bem certa disso? — perguntou Holiday. — Quer mesmo deixar o Acampamento Shadow Falls?
— Sim. Não. Não sei — Kylie escondeu o rosto nas mãos por um instante. — Quer dizer... Todos aqui estão com membros da mesma espécie. Miranda, com as bruxas. Della, com os vampiros. E eu... Bem, eu estou aqui com você porque não pertenço a nenhum grupo — Kylie se sentia uma completa estranha – uma desajustada.
— Alguém aqui deu a entender que você não era bem-vinda? — perguntou Holiday.
— Não, não se trata disso — respondeu Kylie.
Holiday respirou fundo.
— Vi Fredericka a noite passada. Se houver algum problema...
— Problema nenhum — garantiu Kylie, não desejando que a loba a julgasse intimidada. — Isso não tem nada a ver com ela — o que, em grande parte, era verdade.
Holiday olhou novamente para o papel.
— Vamos fazer um acordo. Dê-me... Não, dê a você mesma duas semanas para pensar bem no assunto, Kylie. Se, então, quiser mesmo ir embora, falo pessoalmente com a sua mãe.
Talvez porque, no fundo, não estivesse gostando muito da ideia de voltar para junto da mãe – ou, mais provavelmente, porque iria sentir saudades de Miranda e Della – Kylie decidiu que duas semanas não eram o fim do mundo.
— Combinado — disse eia.
— Ótimo! — Holiday se levantou. — E, como só terei duas semanas, já é hora de levarmos as coisas a sério.
— Do que você está falando? — indagou Kylie, ao ver Holiday tirar dois tapetes de yoga do armário.
— Fantasmas — Holiday estendeu os tapetes no chão e pediu que Kylie se sentasse. — Você tem que aprender a lidar com seus fantasmas, Kylie.
— Eu só tenho um — corrigiu Kylie.
Holiday arqueou uma sobrancelha.
— Sempre começa com um. Mas, pode acreditar, outros virão. Na verdade, já vieram. Você apenas não se lembra.
Kylie começou a sentir um nó no estômago.
— Mas do que você está falando?
— Li em seu dossiê que você tem tido terrores noturnos.
As palavras de Holiday calaram fundo.
— Quer me dizer então que os terrores noturnos são... Fantasmas?
Holiday assentiu.
— No momento, eles surgem quando você está dormindo. Mas depois, se o seu caso for como o meu, começarão a aparecer quando você estiver na fila do cinema, sentada na sala de aula e até durante um encontro com o namorado.
Kylie se lembrou das noites em que tinha acordado absolutamente aterrorizada, mas sem saber o motivo. Calafrios subiram pela sua espinha.
— Eu queria saber como mandar esses fantasmas embora.
Holiday franziu a testa.
— A escolha é sua. Mas me deixe colocar as coisas de outra maneira. Para se livrar deles, precisará percorrer um espaço onde os espíritos gostam de ficar.
— Então a coisa é definitiva? Se eu mandar esses fantasmas embora, eles nunca mais me incomodarão?
Holiday deu de ombros.
— Isso depende.
— De quê?
— De quanto um espírito deseje conversar com você — Holiday sentou-se no tapete. — Já praticou algum tipo de meditação?
Kylie abanou a cabeça negativamente.
— Já ouviu falar de experiências fora do corpo?
— Não — Kylie preferia permanecer no seu corpo, muito obrigado. — Quer dizer então que os espíritos aparecem mesmo contra a minha vontade?
— Os muito poderosos, sim — Holiday acenou para que Kylie se sentasse no tapete. — Ou então você apenas ouve e vê aquilo que eles querem. É o que funciona melhor no meu caso. Agora, vamos praticar algumas técnicas de meditação.


Os quatro dias seguintes passaram rápido. Kylie tentou convencer Della e Miranda a acompanhá-la até as cachoeiras, mas seu convite foi recusado. Ao que tudo indicava, se Kylie quisesse ir até lá, teria que ir sozinha. Só havia um pequeno problema: a ideia de ver, sem ninguém ao seu lado, anjos da morte dançando a deixava completamente apavorada. Desistiu, portanto, do plano de visitar as cachoeiras. Tinha mais coisas a fazer. Della e Miranda, por exemplo, continuavam se desentendendo. Brigavam pelo menos uma vez por dia. E Kylie tinha que intervir antes que se matassem.
Além disso, falava com a mãe de manhã e à noite. Quando Kylie não ligava para a mãe, ela própria ligava para Kylie. E o fato de a mãe ligar para ela a deixava ainda mais consciente de que o pai não ligava. Talvez aquilo fosse coisa de homem: homens só telefonam quando têm algo importante a dizer.
O que contava é que veria o pai no dia seguinte, domingo – fato que deixava sua mãe um pouco aborrecida. Mas não foi ela mesma que pediu para saber se seu pai viria?
Kylie ficou muito feliz com o pedido da mãe. Queria – precisava – ver o pai. E, por algum motivo, provavelmente por sentir muita falta dele, quanto mais o domingo se aproximava, mais Kylie se dispunha a perdoá-lo. Talvez, chegado esse dia, o pai já estivesse com saudade suficiente para permitir que Kylie fosse morar com ele assim que as duas semanas no acampamento terminassem.
Kylie ficou cerca de uma hora conversando e trocando torpedos com Sara, que surpreendentemente havia se recuperado por completo do susto da gravidez e estava de volta a pleno vapor com um novo namorado: um primo de 19 anos de uma de suas vizinhas.
Se Kylie tinha entendido corretamente as mensagens de Sara, os dois logo estariam transando. Pensou em lembrar a amiga do perigo pelo qual tinha acabado de passar, mas desistiu no último instante. Tocar no assunto poderia ter como único resultado incentivar Sara a ir em frente.
Ela nunca seguia conselhos.
Trey havia ligado duas vezes, sempre com a mesma conversa. Ele a amava, lamentava muito o que tinha acontecido. Se Kylie lhe desse uma chance, provaria o quanto gostava dela. A prova, Kylie suspeitou, incluiria sem dúvida ficarem ambos nus. E quanto mais pensava nisso, mais disposta se sentia a continuar vestida.
Chegou até a perguntar a Trey se não poderiam ser apenas amigos pelo resto do verão. Mas ele tinha ficado furioso quando ela pronunciou o nome de outro garoto. Que faria então caso Kylie decidisse sair com alguém? Perderia a razão, sem dúvida. Por que Trey não poderia agir como Derek? Kylie pediu ao meio fae para ser seu amigo e ele, embora confessasse que queria muito beijá-la, tinha concordado.
Ah, Derek era tão amável! Sempre falava com ela, até perguntava sobre seus problemas com os pais. Chegaram a conversar sobre o ressentimento de Holiday por eles não quererem saber de seus dons. Quase todos os dias Derek se sentava com ela durante pelo menos uma das refeições. Ainda assim, tudo no comportamento dele apontava somente para a amizade.
Nada de olhares longos e intensos, quando ela podia ver as raias douradas de seus olhos brilhando. Nada de sorrisos especiais. Nada do seu hálito quente em seu rosto. Nada de toques. Mesmo quando se sentava ao seu lado, ele fazia questão de manter uma distância de pelo menos vinte centímetros entre ambos.
Vê-lo sentado pertinho de outras garotas doía tanto quanto a picada de uma abelha. Mas procurava ignorar a picada, pensando em coisas mais agradáveis. Iria embora em pouco mais de uma semana. E, precisava encarar os fatos, o melhor nem sempre é o mais agradável.
Por exemplo, aprender a meditar, a livrar-se dos fantasmas estava se tornando uma tarefa árdua, de tempo integral. Holiday punha-a sentada no tapete três vezes por dia. Tentaram queimar incenso, contar objetos, música e até visualização, mas nada funcionou. A mente de Kylie se recusava entrar em qualquer tipo de estado alterado.
Holiday ainda tinha esperanças; Kylie, nem tanto.
— Vai acontecer, eu prometo — garantia Holiday após cada sessão fracassada.
Kylie via naquilo mais uma prova de que não era sobrenatural. Na verdade, nem precisava mais de provas, mas mesmo assim... A única coisa que ainda a intrigava era o fato de o soldado Dude continuar aparecendo. Kylie pediu a Holiday que lhe enviasse uma mensagem aconselhando-o a não importuná-la mais. A resposta de Holiday, como sempre, foi: “Não é assim que funciona”. Kylie passou a odiar essa frase. Tanto quanto as visitas diárias do fantasma. Felizmente, ele tinha parado com as exibições de sangue, mas o simples fato de vê-lo já a perturbava, o modo como a olhava, como ficava postado diante dela era misteriosamente familiar. Kylie se convenceu de que Holiday estava certa. Seus terrores noturnos deviam conter imagens dele, por isso vê-lo despertava nela uma estranha sensação de déjà vu.
Holiday chegou a sugerir que tentasse conversar com o fantasma, mas essa ideia só a apavorou mais ainda. Ela o imaginava abrindo a boca apenas para expelir vermes e sangue. Não, Kylie ficaria de boca fechada e rezaria para que ele fizesse o mesmo.
Nos últimos dias, teve a felicidade de não ver mais nem Lucas nem Fredericka. Mas todas as manhãs, antes do sorteio, ficava aflita ao pensar que um dos dois poderia tirar seu nome para o encontro de uma hora.
Hoje não seria diferente. Se um deles tirasse seu nome, Kylie estava decidida a fingir uma tremenda dor de cabeça e cair fora. Sem dúvida, Fredericka a acusaria de estar com medo dela. Mas era melhor que Fredericka a acusasse do que tivesse certeza disso. Pois, se Kylie precisasse passar uma hora sozinha com a loba, ela sem dúvida farejaria seu medo. Kylie ficou entre Miranda e Della, aguardando enquanto os campistas tiravam os nomes e anunciavam seus companheiros.
Miranda, Kylie já sabia, rezava para que Chris, um vampiro realmente muito atraente, tirasse seu nome. Della parecia nunca se importar com quem tiraria o seu, mas na véspera Kylie havia notado o modo como a esperta vampira olhava furtivamente para Steve, um dos metamorfos.
Quando Kylie lhe perguntou a respeito, Della negou, mas sem poder disfarçar um leve rubor nas faces. Quem diria que vampiros também ficam vermelhos?
Derek se aproximou de Kylie e parou ao seu lado.
— Olá — cumprimentou ela, sorrindo. E, sim, talvez o sorriso dela ficasse um pouco mais largo que o normal.
— Olá — respondeu ele naturalmente, para depois prestar atenção nos campistas ocupados com o sorteio. Kylie aproveitou que ele estava olhando para outro lado e o observou bem. Vestia uma camiseta verde-clara que destacava o volume do seu tórax. O tórax onde Kylie descansara a cabeça.
Lembrou-se de como aquilo tinha sido agradável e de que, ao erguer os olhos, os lábios dele estavam muito perto dos seus.
Tentando desviar da mente aquela recordação, afastou o olhar do peito de Derek. Ele vestia uma bermuda cáqui que chegava quase até os joelhos. Suas pernas eram musculosas e quase sem pelos. Já ia desviar os olhos quando percebeu o band-aid na articulação do braço dele.
Aproximou-se e agarrou-lhe o pulso.
— Isto é... Então você... Deu o sangue?
— Dei — o olhar dele encontrou o dela e, pela primeira vez em muitos dias, não se desviou imediatamente. Estavam vivendo um daqueles momentos de que ela sentia tanta falta.
Kylie passou delicadamente o dedo por cima do band-aid.
— Sinto muito.
— Por quê? Você não teve culpa de nada.
— Doeu? — perguntou ela.
— Não — Derek continuava observando-a e era como se não houvesse mais ninguém no mundo, apenas os dois. Kylie viu as raias douradas dos olhos dele cintilarem e seu desejo era chegar mais perto dele.
— Derek! — chamou uma voz em tom agudo. — Tirei seu nome!
Num piscar de olhos Derek foi arrastado para longe. Kylie ergueu os olhos e descobriu a raptora: Mandy, uma fada morena e bonita. A garota colocou os braços em volta do pescoço de Derek e o puxou para um beijo rápido. A princípio, Kylie esperou que ele se mostrasse chocado com aquela exibição de afeto, mas ele apenas olhou para Kylie por um breve segundo e concentrou-se de novo em Mandy, que se ergueu na ponta dos pés e deu-lhe outro beijo. Derek não parecia nada surpreso. Parecia até... Feliz. Sorriu para Mandy – o mesmo sorriso “especial” que dividia com Kylie.
— Legal. Está pronta? — perguntou ele à morena petulante.
— Onde é mesmo o tal lugar? — indagou ela por sua vez.
— É melhor eu te mostrar — respondeu Derek.
Será que ele ia levá-la ao riacho? Kylie sentiu o peito oprimido. A princípio, não reconheceu a emoção, mas depois se lembrou de tê-la experimentado quando tinha visto Trey com a namorada na festa. Felizmente conseguiu disfarçá-la antes que Derek se virasse. Seus olhos verdes e suaves se encontraram com os dela.
— Vejo você mais tarde, ok?
— Ok — Kylie forçou um sorriso que pareceu tão real quanto uma careta desenhada. Ela e Derek eram apenas amigos; não tinha o direito de ficar com ciúmes. No entanto... Por que se sentia tão mal?
Mordeu o lábio inferior. Sabia por que não queria alimentar nenhum sentimento mais profundo por Derek: porque podia ser magoada. Então, como se quisesse se castigar mais ainda, virou-se e contemplou os dois se afastando de mãos dadas.
— Que droga! — resmungou Miranda. Kylie se voltou para ela, percebendo que tinha praticamente se esquecido da presença de suas colegas de alojamento. Bem, Miranda ainda estava ali. Della já tinha ido.
— E então? — perguntou Kylie. — Quem pegou o seu nome?
Miranda fez uma careta.
— O meu não. O seu — Miranda a cutucou de leve com o cotovelo. — Ou vai me dizer que não ouviu o nome de quem acabou de pegar seu nome?

Nenhum comentário:

Postar um comentário