segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Capítulo treze


“Um horror, um horror, um horror”, disse Senhor, sacudindo a nuvem de fumaça que cobria sua cabeça. “Que horror, que horror, que horror.”
“Concordo plenamente”, disse o sr. Poe, tossindo no seu lenço. “Quando o senhor me telefonou esta manhã descrevendo a situação, fiquei tão horrorizado que cancelei vários compromissos importantes e peguei o primeiro trem para Paltryville, a fim de cuidar pessoalmente desse assunto.”
“Ficamos muito agradecidos”, disse Charles.
“Um horror, um horror, um horror”, Senhor voltou a dizer.
Os órfãos Baudelaire estavam sentados no chão do escritório de Senhor e erguiam os olhos para acompanhar a discussão dos adultos, admirados de como eles podiam falar do acidente com tanta calma. A palavra “horror”, mesmo com a repetição em série, não parecia suficiente para transmitir em toda a plenitude o que havia de literalmente horroroso no acontecimento. Violet ainda tremia só de lembrar da aparência de Klaus hipnotizado. Klaus ainda tremia só de lembrar como Charles esteve por um triz para ser cortado em fatias. Sunny ainda tremia só de lembrar como quase fora morta na luta de espadas com a dra. Orwell. E, naturalmente, todos os três órfãos ainda tremiam só de lembrar como a dra. Orwell chegara ao fim, expressão que aqui significa “entrou na serra giratória”. As crianças sentiam-se incapazes até mesmo de falar, quanto mais de participar de uma conversa.
“É inacreditável”, disse Senhor, “que a dra. Orwell fosse hipnotizadora e que tenha hipnotizado Klaus para apoderar-se da fortuna dos Baudelaire. Por sorte, Violet descobriu como anular a hipnose do irmão, e ele não tornou a provocar acidentes.”
“É inacreditável”, disse Charles, “que o capataz Flacutono tenha me agarrado no meio da noite e me amarrado àquela tora para se apoderar da fortuna dos Baudelaire. Por sorte, no último momento Klaus inventou um meio de deslocar a tora, e eu saí com apenas um pequeno corte na sola do pé.”
“É inacreditável”, disse o sr. Poe, depois de uma curta tosse, “que Shirley quisesse adotar as crianças para se apoderar da fortuna dos Baudelaire. Por sorte, descobrimos o plano, e agora ela terá de voltar a ser recepcionista.”
Ao ouvir isso, Violet rompeu o seu silêncio. “Shirley não é recepcionista!”, exclamou. “Ela não é nem mesmo Shirley! Ela é o conde Olaf!”
“Bom, isso aí”, disse Senhor, “é a parte da história que é tão inacreditável que eu não acredito. Conheci essa jovem, e ela não é nem um pouco parecida com o conde Olaf! Tem uma única sobrancelha comprida, não resta dúvida, mas muitas pessoas maravilhosas têm essa característica.”
“O senhor tem que desculpar as crianças”, disse o sr. Poe. “Elas tendem a ver o conde Olaf em toda parte.”
“Isso porque ele está em toda parte”, corrigiu Klaus com amargura.
“Bem”, disse Senhor, “ele não esteve aqui em Paltryville. Bem que procuramos por ele, lembram-se?”
“Uilife!”, exclamou Sunny. Ela queria dizer: “Estava disfarçado, como de costume!”, ou algo do gênero.
“Podemos ir ver essa tal de Shirley?”, perguntou Charles timidamente. “As crianças parecem estar bem seguras do que afirmam. Talvez, se o sr. Poe pudesse ver essa recepcionista, o assunto ficaria esclarecido...”
“Deixei Shirley e o capataz Flacutono na biblioteca, e pedi a Phil que os vigiasse”, disse Senhor. “Enfim, a biblioteca de Charles revelou-se útil – como uma cadeia provisória, até esclarecermos o assunto.”
“A biblioteca foi da maior utilidade, Senhor”, disse Violet. “Se eu não tivesse lido Ciência ocular avançada, seu sócio, Charles, estaria morto.”
“Com toda a certeza você é uma criança esperta”, disse Charles.
“Sim”, concordou Senhor. “Vai se sair maravilhosamente bem no colégio interno.”
“Colégio interno?”, perguntou o sr. Poe.
“Claro”, respondeu Senhor, balançando de modo assertivo sua nuvem de fumaça. “O senhor não espera que eu fique com eles, imagine só, depois de toda a encrenca que causaram na minha serraria, não é?”
“Mas a culpa não foi nossa!”, exclamou Klaus.
“Isso não interessa”, disse Senhor. “Fizemos um trato. Eu tentaria manter o conde Olaf à distância, e vocês não provocariam mais acidentes. Vocês não cumpriram a sua parte do trato.”
“Etch!”, Sunny gritou estridentemente, o que significava: “Tampouco você cumpriu a sua parte no trato!”. Senhor não lhe deu atenção.
“Bem, vamos ver essa mulher”, disse o sr. Poe, “e esclarecer de uma vez por todas se o conde Olaf esteve ou não aqui.”
Os três adultos concordaram e as três crianças os seguiram pelo corredor até a porta da biblioteca, onde Phil se achava sentado numa cadeira com um livro nas mãos.
“Olá, Phil”, disse Violet. “Como está sua perna?”
“Está melhorando”, disse ele e apontou para o gesso. “Estive montando guarda na porta, Senhor. Nem Shirley nem o capataz Flacutono escaparam. Ah, sim, eu queria dizer também que andei lendo este livro, A Constituição de Paltryville. Não entendo todas as palavras, mas, pelo que diz aqui, parece que é ilegal pagar somente tíquetes aos empregados.”
“Sobre isso a gente conversa mais tarde”, apressou-se em dizer Senhor. “Precisamos falar com Shirley.”
Senhor estendeu o braço para a frente e abriu a porta, revelando Shirley e o capataz Flacutono sentados tranquilos diante de duas mesas perto da janela. Shirley tinha o livro da dra. Orwell numa das mãos, e com a outra acenou para as crianças.
“Olá, crianças!”, cumprimentou com sua artificialíssima voz de falsete. “Estava tão preocupada com vocês!
“E eu também!”, disse o capataz Flacutono. “Graças a Deus não estou mais hipnotizado e não vou mais maltratar vocês!”
“Então vocês também foram hipnotizados?”, perguntou Senhor.
“Claro que sim!”, exclamou Shirley. Ela abaixou-se e acariciou a cabeça das três crianças. “Do contrário jamais teríamos agido de modo tão horroroso, ainda mais com essas três crianças tão maravilhosas e delicadas!” Por detrás dos cílios postiços, os olhos brilhantes de Shirley fixavam os Baudelaire como se ela fosse comê-los assim que tivesse uma oportunidade.
“Está vendo?”, disse Senhor ao sr. Poe. “Não é de admirar que o capataz Flacutono e Shirley tenham agido de modo tão horrível. Está claro que ela não é o conde Olaf!”
“Conde quem?”, perguntou o capataz Flacutono. “Nunca ouvi falar desse homem.”
“Nem eu”, disse Shirley, “sou apenas uma recepcionista.”
“Talvez você não seja apenas uma recepcionista”, disse Senhor. “Talvez você seja também uma mãe. O que o senhor me diz, sr. Poe? Shirley quer realmente criar essas crianças, e elas constituem um problema grande demais para mim.”
“Não!”, exclamou Klaus. “Ela é o conde Olaf, não é Shirley!”
O sr. Poe tossiu longamente no seu lenço branco, e os três Baudelaire esperaram, tensos, que ele parasse de tossir e dissesse alguma coisa. Enfim, afastou o lenço e disse para Shirley: “Lamento dizer isto, minha senhora, mas as crianças estão convencidas de que a senhora é um homem chamado conde Olaf disfarçado em recepcionista”.
“Se quiser”, disse Shirley, “posso levá-lo até o consultório da dra. Orwell – da falecida dra. Orwell – e mostrar-lhe minha mesa, onde há uma placa com meu nome. Está escrito claramente: 'Shirley'.”
“Não me parece que isso seria suficiente”, disse o sr. Poe. “A senhora não nos faria a cortesia de mostrar seu tornozelo esquerdo?”
“Bem, não me parece educado olhar para as pernas de uma senhora”, disse Shirley. “O senhor sabe disso, claro.”
“Se o seu tornozelo esquerdo não tiver a tatuagem de um olho”, disse o sr. Poe, “então com toda a certeza a senhora não é o conde Olaf.”
Os olhos de Shirley emitiram um brilho muito, muito intenso, e ela lançou um grande sorriso com os dentes todos à mostra. “E se tiver?'', perguntou, levantando ligeiramente a saia. “E se tiver a tatuagem de um olho?”
Os olhos de todos voltaram-se para o tornozelo de Shirley, onde um olho único e isolado fixava os seus observadores. Ele se parecia com a casa em forma de olho da dra. Orwell, que observava os órfãos Baudelaire desde a chegada a Paltryville. Ele se parecia com o olho na capa do livro da dra. Orwell, que os encarava desde que começaram a trabalhar na Serraria Alto-Astral. E, é claro, se parecia bastante com a tatuagem do conde Olaf, que estava no encalço dos órfãos Baudelaire desde que seus pais morreram.
“Neste caso”, disse o sr. Poe depois de uma pausa, “você não é Shirley. Você é o conde Olaf, e considere-se preso. Ordeno-lhe que se desfaça desse ridículo disfarce!”
“Devo me desfazer do meu ridículo disfarce, eu também?”, perguntou o capataz Flacutono, e arrancou sua peruca branca com um gesto ágil e decidido. Não causou espanto às crianças que ele fosse careca – sempre souberam que aquela cabeleira absurda era uma peruca, desde o primeiro momento em que puseram os olhos nela – mas havia algo na forma de sua cabeça calva que de repente lhes trouxe lembranças. Encarando os órfãos com seus olhos miúdos e redondos, ele retirou também a máscara cirúrgica sobre seu rosto. Um nariz comprido se revelou do achatamento a que fora forçado sob a máscara, e os irmãos perceberam imediatamente que se tratava de um dos auxiliares do conde Olaf.
“É o careca!”, exclamou Violet.
“De nariz comprido!”, exclamou Klaus.
“Plemo!”, exclamou Sunny, querendo dizer: “Que trabalha para o conde Olaf!”.
“Acho que tivemos muita sorte de pegar dois criminosos hoje!”, disse o sr. Poe.
“Bem, três, se incluir a dra. Orwell”, disse o conde Olaf (Que alívio é chamá-lo assim e não de Shirley!).
“Basta de tantos absurdos”, disse o sr. Poe. “Você, conde Olaf, está preso por vários assassinatos e tentativas de assassinatos, várias fraudes e tentativas de fraudes, vários atos abjetos e tentativas de atos abjetos. Quanto a você, meu caro careca e narigudo, está preso por ter prestado ajuda a ele.”
O conde Olaf deu de ombros, atirando sua peruca ao chão, e sorriu para os Baudelaire de um jeito que eles reconheceram com aflição. Era um certo sorriso que aparecia no conde Olaf exatamente quando tudo levava a crer que ele não tinha saída. Um sorriso que dava a entender que o conde Olaf estava contando uma piada, um sorriso acompanhado pelo brilho intenso de seus olhos e por um trabalho acelerado, furioso, de seu cérebro perverso.
“Este livro, sem dúvida, foi de grande ajuda para vocês, órfãos”, disse o conde Olaf, erguendo para o alto o Ciência ocular avançada da dra. Orwell, “e agora é a mim que ele vai ajudar.” Com todo o ímpeto que lhe dava a sua força extraordinária, o conde Olaf virou-se e jogou o pesado volume contra uma das janelas envidraçadas da biblioteca. Ouviu-se o impacto sobre a vidraça, que deixou um buraco considerável na janela, suficiente para que uma pessoa pudesse passar – e foi exatamente isso o que o careca fez, franzindo o longo nariz para as crianças como se elas exalassem mau cheiro. O conde Olaf soltou uma gargalhada horrível e brutal, e seguiu seu camarada, fugindo pela janela para bem longe de Paltryville. “Voltarei para apanhá-los, órfãos!”, ameaçou. “Voltarei para acabar com suas vidas!”
“Egad!”, disse Sunny, usando uma expressão que aqui significa: “Ah, não! Ele está fugindo!”.
Senhor avançou às pressas para a janela, e acompanhou a fuga do conde Olaf e do careca, que corriam o mais rápido que suas pernas magrelas permitiam. “Não voltem aqui!”, berrou Senhor para que o ouvissem. “Não voltem, porque os órfãos não estarão aqui!”
“O que o senhor quer dizer com isto: os órfãos não estarão aqui?”, perguntou o sr. Poe energicamente. “O senhor fez um trato, e não cumpriu a sua parte! O conde Olaf afinal de contas estava aqui!”
“Isso não interessa”, disse Senhor, movendo a mão num gesto de pouco-caso. “Para onde esses Baudelaire vão, eles chamam desgraças, e eu já estou farto disso!”
“Mas, Senhor”, disse Charles, “eles são umas crianças tão boas!”
“Não vou mais discutir o assunto”, disse Senhor. “Na placa sobre minha mesa está escrito 'Chefe', e é isso que eu sou. O chefe tem a última palavra, e a última palavra é: As crianças já não são bem-vindas na Alto-Astral!”
Violet, Klaus e Sunny se entreolharam. Está claro que “As crianças já não são bem-vindas na Alto-Astral” não é a última palavra, é um monte de palavras, e eles sabiam, é claro, que quando Senhor disse “a última palavra” não estava se referindo a uma palavra que fosse necessariamente uma só, mas à opinião final sobre a situação. A experiência deles na serraria, entretanto, tinha sido tão horrorosa que não se importaram muito de deixar Paltryville. Até mesmo um colégio interno prometia ser melhor do que os dias passados com o capataz Flacutono, a dra. Orwell e a pérfida Shirley. Lamento dizer a vocês, leitores, que os órfãos estavam enganados ao pensar que o colégio interno seria melhor, porém naquele momento não sabiam o que teriam pela frente, sabiam apenas dos problemas que tinham ficado para trás e dos problemas que haviam fugido pela janela.
“Podemos por favor, discutir esse assunto mais tarde”, perguntou Violet, “e chamar a polícia? Talvez o conde Olaf ainda possa ser apanhado.”
“Excelente ideia, Violet”, disse o sr. Poe, se bem que o mais natural seria ele próprio ter tido essa ideia antes. “Senhor, me dê o telefone para que possamos chamar as autoridades.”
“Pois não”, disse Senhor, mal-humorado. “Mas lembre-se: esta é minha última palavra sobre o assunto. Charles, faça um milk-shake para mim. Estou morrendo de vontade.”
“Sim, Senhor”, disse Charles; mancando, seguiu os passos de seu sócio e do sr. Poe, que já haviam saído da biblioteca. Quando transpunha a porta, parou e sorriu para os Baudelaire, desculpando-se.
“Sinto muito”, disse-lhes. “Sinto muito que não tornarei a vê-los. Mas Senhor deve saber o que faz, acho.”
“Também sentimos muito, Charles”, disse Klaus. “E sinto muito ter trazido tanto aborrecimento para você.”
“Não foi culpa sua”, disse Charles carinhosamente, e nesse momento Phil surgiu mancando atrás dele.
“O que aconteceu?”, perguntou Phil. “Ouvi barulho de vidro quebrado.”
“O conde Olaf fugiu”, disse Violet, e sentiu um peso no coração só de pensar que aquilo havia acontecido mesmo. “Shirley era na verdade o conde Olaf disfarçado, e ele fugiu, como sempre.”
“Bem, se olharem a coisa pelo melhor ângulo, até que podem se considerar com muita sorte”, disse Phil, e os órfãos dirigiram a seu amigo otimista um olhar intrigado; em seguida os três entreolharam-se intrigados. Noutros tempos haviam sido crianças felizes, tão contentes e satisfeitas com a vida que nem sequer haviam percebido o quanto eram felizes. Então veio o terrível incêndio, e a impressão que tinham era que dali por diante a vida deles teve raros momentos favoráveis. O que dizer então de um melhor ângulo! Mudando de uma casa para outra, só encontraram sofrimento e desgraça para onde quer que fossem, e agora o homem que causara aquela desgraceira toda fugira mais uma vez. Na verdade, não se consideravam nem um pouco com sorte.
“O que você quer dizer?”, perguntou Klaus.
“Bem, deixe-me pensar”, disse Phil, e ficou pensando por um momento. Ao fundo, os órfãos podiam ouvir, entre sons confusos, o sr. Poe descrevendo o conde Olaf para alguém; provavelmente estava no telefone. “Vocês estão vivos”, disse Phil finalmente. “Isso é uma sorte. E tenho certeza de que podem pensar em alguma outra coisa.”
Os três pequenos Baudelaire entreolharam-se, em seguida olharam para Charles e para Phil, as únicas pessoas em Paltryville que tinham sido boas com eles. Ainda que não fossem sentir saudades do dormitório, ou dos chicletes do almoço e dos bifes do tipo sola de sapato do jantar, ou do trabalho duro e cansativo na serraria, os órfãos sentiriam saudades daquelas duas pessoas tão gentis. Ao pensar em quem lhes inspiraria saudades, eles foram levados a pensar em como se sentiriam caso algo ainda pior lhes tivesse acontecido. E se Sunny tivesse perdido a luta de espada? E se Klaus houvesse permanecido hipnotizado para sempre? E se Violet, e não a dra. Orwell, tivesse dado um passo em falso e entrado na serra giratória? Os Baudelaire observavam o sol entrando pela vidraça partida por onde o conde Olaf escapara, e tremeram só de pensar no que poderia ter acontecido. Nunca lhes parecera que estar vivo pudesse ser considerado sorte, mas quando as crianças repassaram em suas mentes o período terrível que viveram sob a guarda de Senhor, espantaram-se com os muitos lances de sorte que de fato ocorreram.
“Foi mesmo uma sorte”, admitiu Violet, “Klaus ter inventado o que inventou tão depressa, apesar de não ser um inventor.”
“Foi mesmo uma sorte”, admitiu Klaus, “Violet ter descoberto como me tirar da hipnose, apesar de não ser uma pesquisadora.”
“Croif”, admitiu Sunny, o que provavelmente significava: “Foi mesmo uma sorte eu ter conseguido nos defender da espada da dra. Orwell, e não importa se sou eu quem está dizendo isso”.
Os jovens Baudelaire suspiraram e trocaram pequenos sorrisos de esperança. O conde Olaf estava à solta, e faria uma nova tentativa de se apoderar da fortuna deles, mas o importante era que dessa vez não tinha conseguido. Eles estavam vivos, e ali, juntos diante da janela partida, parecia que a palavra final para definir a situação deles seria “sortudos”, justamente aquela que desencadeara tantos problemas para eles. Os órfãos Baudelaire estavam vivos, e, se pensarmos bem, na verdade a sorte que tiveram talvez tenha sido mesmo exorbitante.


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