sábado, 27 de agosto de 2016

Capítulo treze


Violet e Klaus abriram a cortina e perderam o fôlego com o que viram. Na frente deles estava o automóvel preto e comprido, seguindo seu caminho tortuoso estrada acima, rumo aos picos das Montanhas de Mão-Morta. Eles não podiam ver sua irmãzinha bebê, que estava aprisionada no banco da frente com Olaf e sua infame namorada, mas podiam imaginar como ela estava assustada e desesperada. E eles também ficaram assustados e desesperados com o que viram, algo que eles nunca imaginaram ser possível.
Hugo estava debruçado para fora da janela traseira do automóvel, com a corcunda escondida no casaco que Esmé Squalor lhe dera, segurando firme os tornozelos de Colette, que por sua vez retorcera o corpo em volta da traseira do carro, de tal modo que sua cabeça tinha ido parar no meio do porta-malas, entre dois buracos de bala, e segurava firme os tornozelos ambidestros de Kevin, formando com eles uma espécie de cadeia humana que terminava na faca comprida e afiada que o corcunda segurava nas mãos. Kevin encarou Violet e Klaus, sorriu triunfante para os ex-colegas de trabalho, e desceu a faca com toda a força sobre o nó que Violet amarrara.
O nó Língua do Diabo é muito forte, e normalmente uma faca demoraria para cortá-lo, mesmo uma muito afiada, mas a força idêntica dos dois braços de Kevin fez com que a faca descesse com uma força aberrante, em vez de normal, e num instante o nó se partiu em dois.
“Não!”, berrou Violet.
Sunny!”, gritou Klaus.
Desatrelados, os dois veículos começaram a se movimentar em direções opostas. O carro do conde Olaf continuou montanha acima, mas o trailer, sem nada para puxá-lo ou brecá-lo, começou a deslizar para trás, como uma laranja deslizaria por uma escada. Os veículos se distanciavam cada vez mais, e os três Baudelaire gritavam – mas Klaus e Violet no trailer desgovernado, e Sunny no automóvel dos vilões. E apesar de o conde Olaf estar cada vez mais perto do que ele queria e os Baudelaire mais velhos cada vez mais longe, parecia que os três irmãos acabariam chegando no mesmo lugar. Enquanto o automóvel do conde Olaf se movia para a frente, e o trailer se movia para trás, os órfãos Baudelaire sentiram que estavam todos se movendo para dentro da barriga da fera, e que o tempo, lamento dizer, importava muito, muito mesmo.


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