sábado, 27 de agosto de 2016

Capítulo onze


Existe um escritor que, como eu, é considerado por muitos como falecido. Seu nome é William Shakespeare. Ele escreveu peças teatrais de quatro tipos: cômicas, românticas, históricas e trágicas. As comédias são histórias em que as pessoas contam piadas e tropeçam nas coisas, peças românticas são histórias em que as pessoas se apaixonam e quase sempre se casam. As peças históricas são reproduções de fatos que aconteceram de verdade, como a história dos órfãos Baudelaire, e as tragédias são histórias que normalmente começam bem e depois vão piorando gradualmente, até que todas as personagens estejam mortas, feridas ou, de algum modo, incomodadas. Normalmente, uma tragédia não é uma experiência muito divertida nem para o espectador nem para as personagens e, entre todas as tragédias de Shakespeare, é possível que a menos divertida seja O rei Lear, a história de um rei que enlouquece enquanto suas filhas tramam assassinar várias pessoas, inclusive uma à outra. No final da peça, uma das personagens diz: “Vão devorar-se os homens uns aos outros como os monstros do abismo”, uma frase que aqui significa “como é triste as pessoas se ferirem umas às outras como monstros ferozes do mar”, e quando a personagem termina de pronunciar essas funestas palavras, as pessoas do público frequentemente choram, ou suspiram, ou prometem a si mesmas assistir a uma comédia da próxima vez.
Lamento relatar que a história dos órfãos Baudelaire chegou a um ponto em que é adequado emprestar do sr. Shakespeare sua frase e descrever como os órfãos Baudelaire se sentiram quando se dirigiram à multidão à beira do fosso dos leões e tentaram continuar a história dentro da qual se encontravam sem transformá-la numa tragédia. Mas parecia que todos estavam ansiosos por ferir uns aos outros. O conde Olaf e seus comparsas queriam ver Violet e Klaus pularem para suas mortes carnívoras, pois assim o Parque Caligari voltaria a ser mais popular e madame Lulu poderia ler a sorte de Olaf. Esmé Squalor queria ver madame Lulu ser atirada no fosso, pois assim ela não precisaria mais dividir as atenções de Olaf, e os colegas de trabalho dos Baudelaire queriam ajudá-la no plano, pois como pagamento ingressariam na trupe de Olaf. A repórter de O Pundonor Diárioe o público queriam assistir a um espetáculo de violência e comilança porca, pois assim a visita ao parque teria valido a pena. E os leões só queriam saborear uma refeição, pois tinham sido chicoteados e privados de comida por muito tempo. Parecia que todos os seres humanos reunidos junto à montanha-russa naquela tarde queriam ver alguma coisa horrível acontecer, e as crianças se sentiram horrivelmente mal quando Violet e Klaus caminharam na direção da prancha e fingiram estar ansiosos por pular.
“Obrigado, conde Olaf, por escolher minha outra cabeça e eu como as primeiras vítimas”, disse Klaus, solenemente.
“Hmm, não há de quê”, replicou o conde Olaf um pouco surpreso. “E agora, pule para que possamos assistir à sua devoração.”
“E depressa!”, gritou o homem das espinhas. “Quero que a minha visita ao parque valha a pena!”
“Em vez de uma aberração pular por si própria no fosso”, disse Violet, pensando depressa, “vocês não prefeririam que alguém a empurrasse? Seria muito mais violento.”
“Grr!”, rosnou Sunny, concordando.
“Bem colocado”, disse pensativa uma das mulheres de cara branca.
“Ah, sim!”, exclamou a mulher do cabelo tingido. “Quero ver o monstro de duas cabeças ser jogado aos leões!”
“Concordo”, disse Esmé, lançando um olhar feroz para os dois Baudelaire e depois para madame Lulu. “Eu gostaria que alguém fosse atirado no fosso.”
A multidão deu vivas e aplaudiu, e Sunny ficou olhando enquanto seus irmãos caminhavam na direção da prancha suspensa sobre o fosso onde os leões aguardavam com fome. Algumas pessoas maçantes dizem que quando você está numa situação difícil, deve parar e determinar qual a coisa certa a fazer, mas os três irmãos já sabiam que a coisa certa era correr para os carrinhos da montanha-russa, instalar a correia de ventilador e fugir com madame Lulu e a sua biblioteca de arquivos históricos para o sertão, isso depois de explicar para a multidão que o derramamento de sangue não era uma forma respeitável de entretenimento e que o conde Olaf e sua trupe deveriam ser presos. Mas há ocasiões em que determinar a coisa certa a fazer é bastante simples, porém fazer a coisa certa é simplesmente impossível, e então você precisa fazer alguma outra coisa. Os três Baudelaire, no meio da multidão ávida por violência e comilança porca, sabiam que era simplesmente impossível fazer a coisa certa, mas acharam que poderiam tentar deixar a multidão agitada e aproveitar a confusão para escapulir. Violet, Klaus e Sunny não sabiam se usar técnicas de controle de multidões e psicologia de massas era a coisa certa a fazer, mas os Baudelaire não conseguiam pensar em mais nada e, fosse ou não a coisa certa, seu plano parecia estar funcionando.
“Isso é absolutamente sensacional!”, exclamou a excitada repórter. “Já posso ver a manchete: ‘ABERRAÇÕES SÃO EMPURRADAS PARA FOSSO DE LEÕES!’. Aguardem só até os leitores d’O Pundonor Diário verem isso!”
Sunny rosnou o mais alto que conseguiu e apontou para o conde Olaf.
“O que Chabo está tentando comunicar em sua linguagem semilobal”, disse Klaus, “é que o próprio conde Olaf deveria nos empurrar para dentro do fosso, afinal o espetáculo dos leões foi ideia dele.”
“É verdade!”, disse o homem das espinhas. “Queremos que o conde Olaf atire Beverly-Elliot no fosso!”
Olaf fechou uma carranca para os Baudelaire, depois abriu um sorriso de dentes imundos para a multidão. “Sinto-me profundamente honrado com o convite”, disse, inclinando-se de leve, “mas receio que não seja apropriado.”
“Por que não?”, perguntou a mulher do cabelo tingido.
O conde Olaf pensou por um instante, depois emitiu um som breve e muito agudo, tão falso quanto o rosnar de Sunny. “Sou alérgico a gatos”, explicou. “Estão vendo? Já comecei a espirrar, e ainda nem estou em cima da prancha.”
“A sua alergia não o incomodou quando chicoteou os leões”, disse Violet.
“É verdade”, disse o homem de mãos de gancho. “Eu nem sabia que você era alérgico.”
O conde Olaf fulminou o capanga com os olhos. “Senhoras e senhores”, começou ele, mas a multidão estava cansada dos discursos do vilão.
“Olaf, empurre logo o monstro!”, gritou alguém, e todos aplaudiram.
Olaf fechou a cara, mas agarrou a mão de Klaus e levou os dois Baudelaire para cima da prancha. Porém, sob os urros da multidão e os rugidos dos leões, os Baudelaire perceberam que o conde Olaf tinha tanto medo de se aproximar dos leões quanto eles próprios.
“Atirar pessoas em fossos não é exatamente o meu serviço”, disse nervoso à multidão. “Eu sou ator.”
“Tenho uma ideia”, disse Esmé de repente, com uma falsa voz doce. “Madame Lulu, por que não anda por aquela prancha e empurra a sua aberração para a morte?”
“Esta também nóné serviço meu, faz favor”, protestou Lulu, olhando nervosa para as crianças. “Eu é vidente, nón é lança-aberraçón.”
“Não seja modesta, madame Lulu”, disse Olaf com um sorriso perverso. “Apesar de o espetáculo dos leões ter sido ideia minha, você é a pessoa mais importante do parque. Tome o meu lugar, e nos propicie o prazer de ver alguém ser empurrado para a morte.”
“Que oferta delicada!”, exclamou a repórter. “É uma pessoa muito generosa, conde Olaf!”
“Vamos ver madame Lulu jogar Beverly-Elliot no fosso!”, gritou o homem das espinhas, e todos aplaudiram. À medida que a psicologia de massas começava a funcionar, a multidão ficava mais manipulável e agitada, e bateu palmas calorosamente quando Lulu subiu na prancha. O pedaço de madeira deu uma balançada com o peso de tanta gente, e os Baudelaire precisaram se esforçar para manter o equilíbrio. A multidão engasgou de emoção, e depois soltou um “ah...” de decepção quando as duas crianças disfarçadas conseguiram evitar a queda.
“Isso é tão emocionante!”, guinchou a repórter. “Talvez madame Lulu também caia lá dentro!”
“Sim”, rosnou Esmé. “Talvez ela caia”.
“Tanto faz quem vai cair!”, anunciou o homem das espinhas. Frustrado com a demora da violência e da comilança porca, ele atirou seu refresco no fosso, respingando suco nos leões irritados, que rugiram. “Para mim, uma mulher de turbante é tão aberrante quanto uma pessoa de duas cabeças. Não tenho preconceito!”
“Nem eu!”, concordou alguém com PARQUE CALIGARI impresso no chapéu. “Só não aguento mais esperar! Espero que madame Lulu tenha coragem de empurrar aquela aberração para dentro do fosso!”
“Tanto faz se ela tem coragem ou não”, replicou o careca com uma risadinha. “Cada um faz o que tem de fazer. Não tem outra escolha, tem?”
Violet e Klaus tinham chegado ao fim da prancha, e tentaram com todo o afinco achar uma resposta para a pergunta do careca. Abaixo dos Baudelaire estava a ensurdecedora massa de leões famintos que mais parecia uma massa de garras e bocas abertas, tamanha era a falta de espaço, e em volta, a ensurdecedora multidão que os observava com sorrisos de expectativa. Tinham conseguido deixar a multidão cada vez mais agitada, mas não tinham encontrado uma oportunidade para escapar, e agora parecia que essa oportunidade nunca chegaria. Com dificuldade, Violet virou a cabeça de frente para o irmão, ao que Klaus respondeu apertando os olhos, e Sunny pôde notar que seus irmãos estavam prestes a chorar.
“Nossa sorte pode ter se acabado”, disse ela.
“Parem de cochichar nos seus quatro ouvidos!”, ordenou o conde Olaf com uma voz terrível. “Madame Lulu, empurre-os já!”
“Estamos aumentando o suspense!”, gritou Klaus, desesperado.
“O suspense já aumentou o suficiente”, retrucou o impaciente homem das espinhas. “Estou cansado dessa enrolação.”
“Eu também!”, gritou a mulher do cabelo tingido.
“Eu também!”, gritou outra pessoa. “Olaf, dê uma chicotada na Lulu! Isso vai acabar com a enrolação!”
“Só um momenta, faz favor”, pediu madame Lulu, e deu mais um passo na direção de Violet e Klaus. A prancha balançou de novo, e os leões rugiram na esperança de que seu almoço estivesse chegando. Madame Lulu olhou em pânico para os Baudelaire mais velhos, e as crianças viram seus ombros se encolherem sob a túnica reluzente.
“Ora, já basta!”, disse o homem de mãos de gancho, e deu um passo à frente. “Vou empurrá-los eu mesmo. Acho que sou a única pessoa aqui com coragem suficiente para fazer isso!”
“Ah, não”, disse Hugo. “Eu também sou corajoso, assim como Colette e Kevin.”
“Aberrações corajosas?”, disse com desdém o homem das mãos de gancho. “Não seja ridículo!”
“Nós somos corajosos”, insistiu Hugo. “Conde Olaf, deixe-nos provar isso, e então poderá nos empregar!”
“Empregar vocês?”, perguntou o conde Olaf com uma carranca.
“Que ideia maravilhosa!”, exclamou Esmé, como se a ideia não fosse dela.
“Sim”, disse Colette. “Gostaríamos de encontrar alguma outra coisa para fazer, e essa me parece ser uma oportunidade maravilhosa.”
Kevin deu um passo à frente e estendeu as duas mãos. “Sei que sou uma aberração”, disse ele, “mas acho que posso ser tão útil quanto o homem de mãos de gancho, ou o seu capanga careca.”
“O quê?”, bradou o careca. “Uma aberração como você, tão útil quanto eu? Não seja ridículo!”
“Eu posso ser útil”, insistiu Kevin. “Observe.”
“Parem com essas briguinhas!”, disse o homem das espinhas, mal-humorado. “Não vim aqui para ouvir as pessoas discutirem seus problemas de trabalho.”
“Vocês estão perturbando a mim e à minha outra cabeça”, disse Violet com sua voz grave. “Vamos sair dessa prancha e discutir o assunto com calma.”
“Eu não quero discutir o assunto com calma!”, gritou a mulher do cabelo tingido. “Isso eu posso fazer em casa!”
“Sim!”, concordou a repórter d’O Pundonor Diário. ‘“PESSOAS DISCUTEM COISAS COM CALMA’ é uma manchete chata! Joguem logo alguém no fosso dos leões, e nós vamos ter o que queremos!”
“Madame Lulu vai fazer isso, faz favor!”, anunciou madame Lulu com uma voz estrondosa, e agarrou Violet e Klaus pela camisa. Os Baudelaire ergueram os olhos para ela e viram uma lágrima aparecer, então ela se inclinou. “Sinto muito, jovens Baudelaire”, murmurou baixinho, sem sinal de sotaque, e abaixando-se até alcançar a mão de Violet, tirou dela a correia de ventilador.
Sunny ficou tão perturbada que se esqueceu de rosnar. “Trenceth!”, gritou ela, o que queria dizer alguma coisa do tipo: “Você devia ter vergonha de sua existência!”, mas se a falsa vidente estava com vergonha de sua existência, ela não se comportava de acordo.
“Madame Lulu sempre diz, você precisa sempre dar para pessoas o que pessoas quer”, disse, solenemente, com a voz disfarçada. “Ela faz lançamento na fossa, faz favor, e ela faz isso agora!”
“Não seja ridícula”, disse Hugo, avançando impaciente. “Eu farei isso!”
“Você é que está sendo ridículo!”, disse Colette, contorcendo o corpo na direção de Lulu. “Eu farei isso!”
“Não, eu farei isso!”, gritou Kevin. “Com as duas mãos!”
“Eu farei isso!”, gritou o careca, impedindo a passagem de Kevin. “Não quero uma aberração do seu tipo como colega de trabalho!”
“Eu farei!”, gritou o homem de mãos de gancho.
“Eu farei!”, gritou uma das mulheres de cara branca.
“Eu farei!”, gritou a outra.
“Vou mandar outra pessoa fazer!”, gritou Esmé Squalor.
O conde Olaf desenrolou o seu chicote e o fez estalar por cima das cabeças da multidão com um violento pléc! que fez todo mundo se retrair, uma palavra que aqui significa “se encolher, se esquivar e rezar para não levar uma chicotada”. “Silêncio!”, ordenou com um bramido terrível. “Vocês deviam se envergonhar. Parecem um bando de crianças! Quero ver aqueles leões devorando alguém neste exato momento, e quem tiver coragem para cumprir as minhas ordens vai ganhar uma recompensa especial!”
Esse discurso, é claro, foi apenas o último exemplo da tediosa filosofia do conde Olaf envolvendo uma mula teimosa que anda na direção certa se houver uma cenoura pendurada na frente dela, mas a oferta de uma recompensa especial deixou a multidão ainda mais agitada. Num instante, a multidão se transformou numa horda de voluntários que, como um enxame, avançaram ávidos por finalmente atirar alguém aos leões. Hugo jogou-se para a frente na intenção de empurrar madame Lulu, mas colidiu com a caixa que as mulheres de cara branca estavam segurando, e os três caíram amontoados à beira do fosso. O homem de mãos de gancho tentou agarrar Violet e Klaus, mas o cabo do microfone da repórter enroscou-se num dos ganchos, e ele acabou detido. Colette contorceu os braços para agarrar os tornozelos de Lulu, mas agarrou o tornozelo de Esmé Squalor por acidente, e acabou com as mãos retorcidas em volta de sapatos na última moda. A mulher do cabelo tingido decidiu fazer uma tentativa e inclinou-se para os Baudelaire na intenção de empurrá-los, mas eles deram um passo para o lado, e a mulher caiu em cima do marido, que acidentalmente estapeou o homem das espinhas, e os três visitantes do parque começaram a discutir a altos brados. Várias pessoas que estavam por perto entraram também na discussão e começaram a berrar insultos umas para as outras. Não muito tempo depois do último discurso do conde Olaf, os Baudelaire estavam no meio de uma massa furiosa que se avultava sobre eles, gritando, empurrando e devorando uns aos outros como monstros do abismo, enquanto os leões rugiam no fosso. Mas um outro som emergiu do fosso, um som horrível, muito pior que o rugido das bestas-feras; o som de alguma coisa sendo triturada e picotada. A multidão parou de discutir para ver o que estava acontecendo, mas os Baudelaire não estavam interessados em assistir a mais nada, e se afastaram do terrível som, agarrando-se uns aos outros com os olhos fechados. E mesmo sob os risos e vivas da multidão à beira do fosso, os Baudelaire ainda ouviam os terríveis sons quando viraram as costas para a turba e, ainda de olhos fechados, foram tropeçando por entre as pessoas até se verem desimpedidos, uma frase que aqui significa “longe o bastante para não ver nem ouvir mais nada”.
Mas os órfãos Baudelaire podiam imaginar o que estava acontecendo no fosso, assim como eu posso imaginar, muito embora não estivesse lá e só tenha lido descrições a respeito. A matéria n’O Pundonor Diário diz que foi madame Lulu quem caiu primeiro, mas matérias de jornais muitas vezes são pouco acuradas, portanto é impossível afirmar se isso é mesmo verdade. Talvez ela tenha caído primeiro, e o careca foi atrás dela, ou talvez Lulu tenha conseguido empurrar o careca ao tentar escapar, mas tenha logo depois escorregado e caído também. Ou quem sabe eles estivessem se engalfinhando quando a prancha balançou mais uma vez e os leões pegaram os dois ao mesmo tempo. É provável que eu jamais venha a saber, assim como talvez nunca descubra onde foi parar a correia de ventilador, por mais que volte inúmeras vezes ao Parque Caligari para procurá-la. De início, pensei que madame Lulu tivesse deixado cair a tira de borracha perto do fosso, mas já vasculhei a área munido de pá e lanterna e não encontrei nem sinal dela, nem nenhum dos visitantes do parque cujas residências investiguei parece tê-la levado embora como suvenir. Então pensei que talvez a correia de ventilador tivesse sido jogada para o ar durante toda a confusão e, quem sabe, aterrissado nos trilhos da montanha-russa, mas já a escalei centímetro por centímetro e nada. E existe, é claro, a possibilidade de que ela tenha sido queimada, mas os dispositivos de relâmpagos em geral são fabricados com um certo tipo de borracha bastante resistente a fogo, portanto essa possibilidade parece ser remota. E assim devo admitir que não sei com certeza onde está a correia de ventilador e, como no caso de saber quem caiu primeiro no fosso, essa pode ser uma informação que jamais chegará ao meu conhecimento. Mas imagino que a pequena tira de borracha tenha acabado no mesmo lugar onde a mulher que a removeu do dispositivo de relâmpagos e a entregou aos órfãos Baudelaire acabou caindo, no mesmo lugar onde também foi parar o capanga de Olaf que estava ansioso por uma recompensa. Se eu fechar os olhos, como os órfãos Baudelaire fecharam quando escapavam aos tropeções dessa desventura, posso imaginar que a correia de ventilador, como o careca e a minha ex-associada Olívia, caiu no fosso que Olaf e seus comparsas tinham cavado, e acabou na barriga de uma besta-fera.

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