quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Capitulo oito


Hoje, o Hospital Heimlich não existe mais, e provavelmente jamais será reconstruído. Se você quer visitá-lo, tem de convencer um fazendeiro a lhe emprestar a sua mula, pois ninguém nas redondezas está disposto a ultrapassar vinte quilômetros de distância das suas ruínas, e depois que você chega lá, vê que dificilmente poderia censurá-los por isso. Os poucos pedaços do edifício que sobreviveram estão recobertos por uma variedade espessa e espinhenta de hera chamada kudzu, que torna difícil ver qual era a aparência do hospital quando os Baudelaire chegaram pela primeira vez na perua dos C.S.C. Os mapas confusos foram roídos das paredes das escadarias bambas, portanto é muito difícil imaginar como foi problemático encontrar o caminho entre todas as áreas do edifício. E o sistema de intercomunicação há muito se esfacelara, restando apenas um punhado de alto-falantes quadrados, jogados no meio do entulho cinzento, portanto é impossível imaginar como foi desalentador quando Klaus e Sunny ouviram a última comunicação de Mattathias.
Atenção!”, anunciou Mattathias. Não havia alto-falantes de intercomunicador instalados na metade inacabada do hospital, portanto os dois Baudelaire mais jovens tiveram de prestar muita atenção para ouvir a voz rascante do seu inimigo, saída de um dos alto-falantes externos. “Atenção! Atenção! Aqui é Mattathias, o diretor de Recursos Humanos. Estou cancelando o resto das inspeções do hospital. Já descobrimos o que estávamos procurando.” Houve uma pausa quando Mattathias se afastou do microfone e, aguçando muito os ouvidos, Klaus e Sunny conseguiram ouvir, bem fraquinho, o ruído da risada triunfante e esganiçada do diretor de Recursos Humanos. “Desculpem”, continuou ele depois que passou o ataque de riso. “Continuando: por favor fiquem sabendo que dois dos três assassinos Baudelaire, Klaus e Sun... quero dizer, Klyde e Susie Baudelaire, foram localizados no hospital. Se vocês virem qualquer criança que reconheçam pelas fotografias publicadas n’O Pundonor Diário, capturem-na por favor e notifiquem a polícia.” Mattathias parou de falar e começou a dar risadinhas de novo, até que as crianças ouviram a voz de Esmé Squalor sussurrando: “Querido, você esqueceu de desligar o intercomunicador”. Então houve um dic! e tudo ficou em silêncio.
“Eles a pegaram”, disse Klaus. Agora que o sol tinha nascido, já não estava tão frio na seção inacabada do hospital, mas o Baudelaire do meio tremia assim mesmo. “Isso é o que Mattathias queria dizer quando disse que eles tinham encontrado o que estavam procurando.”
“Perigo”, disse Sunny, soturna.
“Sim, certamente Violet corre perigo”, disse Klaus. “Temos de salvá-la antes que seja tarde demais.”
“Virm”, disse Sunny, o que queria dizer: “Mas nós não sabemos onde ela está”.
“Deve estar em algum lugar do hospital”, disse Klaus, “se não estivesse, Mattathias não estaria aqui ainda. Ele e Esmé provavelmente esperam nos capturar também.”
“Rance”, disse Sunny.
“E o dossiê”, concordou Klaus, tirando do bolso a página treze, que estava guardada ali para maior segurança, juntamente com os fragmentos dos cadernos dos Quagmire. “Vamos, Sunny. Temos de encontrar a nossa irmã e tirá-la de lá.”
“Lindersto”, disse Sunny. Ela queria dizer: “Isto vai ser duro. Vamos ter de perambular em volta do hospital procurando por ela, enquanto outras pessoas vão perambular em volta do hospital procurando por nós”.
“Eu sei”, disse Klaus, taciturno. “Se alguém nos reconhecer d’O Pundonor Diário, estaremos na cadeia antes de poder ajudar Violet.”
“Disfarce?”, disse Sunny.
“Não sei como”, disse Klaus, correndo os olhos pela sala semiacabada. “Tudo o que temos aqui são algumas lanternas e uns pedaços de lona. Imagino que se nos enrolarmos nas lonas e pusermos as lanternas em cima da cabeça, poderemos tentar nos disfarçar de pilhas de materiais de construção.”
“Guidust”, disse Sunny, o que queria dizer: “Mas pilhas de materiais de construção não perambulam em volta de hospitais”.
“Então teremos de entrar no hospital sem disfarce”, disse Klaus. “Apenas teremos de ser extracautelosos.”
Sunny assentiu enfaticamente, uma palavra que aqui significa “como se ela achasse que ser extracautelosos era um plano muito bom”, e Klaus assentiu enfaticamente em resposta. Mas quando deixaram a ala semiacabada do hospital, as duas crianças começaram a se sentir cada vez menos enfáticas sobre o que estavam fazendo. Desde aquele dia terrível na praia, quando o sr. Poe trouxe a notícia do incêndio, todos os três Baudelaire estavam sendo extracautelosos o tempo todo. Tinham sido extracautelosos quando moraram com o conde Olaf, e mesmo assim Sunny acabara indo parar em uma gaiola pendurada do lado de fora da torre de Olaf. Tinham sido extracautelosos quando trabalharam na Serraria Alto-Astral, e mesmo assim Klaus acabara sendo hipnotizado pela dra. Orwell. E agora os Baudelaire tinham sido tão cautelosos quanto era possível ser, mas o hospital revelara ser um ambiente tão hostil quanto qualquer outro lugar onde as três crianças já tivessem morado. Mas assim que Klaus e Sunny entraram na metade acabada do Hospital Heimlich, os pés se mexendo cada vez menos enfaticamente e os corações batendo cada vez mais depressa, eles ouviram uma coisa que apaziguou os seus peitos selvagens:

Somos os alegres Combatentes
Pela Saúde do Cidadão,
Se alguém dissesse que somos tristes,
Não teria por certo razão.

Logo ali, dobrando a esquina, vinham caminhando os Combatentes pela Saúde do Cidadão, cantando a sua alegre cantiga e carregando enormes buquês de balões em forma de coração. Klaus e Sunny se entreolharam e saíram correndo para alcançar o grupo. Que lugar melhor para se esconder do que no meio de pessoas que acreditavam que a falta de notícias é uma boa notícia e, por isso, não liam o jornal?

Visitamos pessoas doentes,
E tentamos fazê-las sorrir,
Mesmo quando o seu nariz sangra,
Quando expelem bílis ao tossir.

Para alívio das crianças, os voluntários não prestaram atenção quando Klaus e Sunny se infiltraram no grupo, uma frase que aqui significa “entraram sorrateiramente no meio da multidão que cantava”. Uma cantora especialmente alegre, pelo jeito, foi a única pessoa que os notou, e ela imediatamente entregou um balão a cada recém-chegado. Klaus e Sunny seguraram seus balões na frente do rosto, para que todos os que passassem vissem dois voluntários com lustrosos corações cheios de hélio, em vez de dois criminosos se escondendo no meio de C.S.C.

Tra-la-lá, qui-qui-qui,
Quero que fique logo são.
Ho-ho-ho, hi-hi-hi,
Pegue um balão de coração.

Quando os voluntários chegaram ao refrão, eles marcharam para dentro de um quarto do hospital para começar a transmitir uma atitude de alegria aos pacientes. Dentro do quarto, cada qual desconfortavelmente deitado em uma cama metálica, estavam um homem com as duas pernas engessadas e uma mulher com os dois braços recobertos de ataduras. Ainda cantando, um voluntário C.S.C. entregou um balão ao homem e amarrou outro no gesso da mulher, já que ela não podia segurá-lo com os braços quebrados.
“Com licença”, disse o homem com a voz rouca, “poderia por favor chamar uma enfermeira para mim? Eu devia ter tomado alguns analgésicos esta manhã, mas não veio ninguém para me dar.”
“E eu queria um copo d’água”, disse a mulher com a voz débil, “se não for muito incômodo.”
“Desculpem”, respondeu o homem barbudo, fazendo uma pequena pausa para afinar o seu violão. “Nós não temos tempo para fazer esse tipo de coisa. Temos de visitar todos os quartos deste hospital, sem exceção, portanto precisamos andar depressa.”
“Além disso”, disse outro voluntário com um largo sorriso para os dois pacientes, “uma atitude de alegria é mais eficaz do que analgésicos ou um copo d’água para combater a doença. Portanto alegrem-se e divirtam-se com os seus balões.” O voluntário consultou uma lista que tinha na mão. “O próximo paciente da lista é um homem chamado Bernard Rieux, no quarto 105 da Ala da Peste. Venham, irmãos e irmãs.”
Os voluntários C.S.C aplaudiram e continuaram a canção ao sair do quarto. Klaus e Sunny espiaram por trás dos balões que seguravam e se entreolharam, esperançosos.
“Se visitarmos todos os quartos do hospital, sem exceção”, sussurrou Klaus para a irmã, “certamente encontraremos Violet.”
“Muchulm”, disse Sunny, o que queria dizer: “Concordo, mas não vai ser agradável ver toda essa gente doente”.

Visitamos pessoas doentes,
Para fazê-las dar gargalhadas
Mesmo quando o médico lhes diz
Que logo em duas serão serradas.

Revelou-se que Bernard Rieux era um homem que sofria de uma horrível tosse seca que lhe sacudia tanto o corpo que ele mal conseguia segurar o seu balão, e as duas crianças Baudelaire acharam que um bom vaporizador teria sido um modo mais eficaz de combater a doença do que uma atitude de alegria. Enquanto os voluntários C.S.C. abafavam o som da tosse dele com mais uma estrofe da canção, Klaus e Sunny se sentiram tentados a sair correndo, encontrar um vaporizador e trazê-lo para o quarto de Bernard Rieux, mas eles sabiam que Violet estava correndo um perigo muito maior do que uma pessoa com tosse, portanto permaneceram escondidos no grupo.

Cantamos, dançamos noite e dia,
É bom demais quando a gente canta
Pra meninos de ossos quebrados
E meninas com dor de garganta.

O próximo paciente da lista era Cynthia Vane, uma mulher jovem com uma terrível dor de dente, que provavelmente preferiria alguma coisa fria e fácil de comer, em vez de um balão em forma de coração, mas por mais inflamada que parecesse a sua boca, as crianças não se atreveram a sair correndo para procurar purê de maçã ou sorvete para ela. Elas sabiam que era possível que a mulher tivesse lido O Pundonor Diário para matar o tempo no quarto do hospital, e poderia reconhecê-las se mostrassem seus rostos.

Tra-la-lá, qui-qui-qui,
Quero que fique logo são.
Ho-ho-ho, hi-hi-hi,
Pegue um balão de coração.

Sem parar, os voluntários seguiram marchando, e Klaus e Sunny marcharam com eles, porém a cada ho-ho-ho e hi-hi-hi, mais se desalentavam seus corações. Os dois Baudelaire acompanharam os voluntários C.S.C., subindo e descendo as escadarias do hospital, e muito embora vissem um grande número de mapas confusos, alto-falantes de intercomunicador e pessoas doentes, não viram nem sinal da irmã. Eles visitaram o quarto 201 e cantaram para Jonah Mapple, que estava sofrendo de enjoo de mar, e deram um balão em forma de coração a Charley Anderson, do quarto 714, que tinha se ferido em um acidente, e visitaram Clarissa Dalloway, que parecia não ter nada de errado mas ficava olhando tristemente pela janela do quarto 1308, porém em lugar nenhum, em qualquer dos quartos nos quais os voluntários entraram, estava Violet Baudelaire, que, temiam Klaus e Sunny, estava sofrendo mais do que qualquer dos outros pacientes.
“Ceyune”, disse Sunny enquanto os voluntários subiam mais uma escadaria. Ela queria dizer alguma coisa na linha de: “Estivemos perambulando pelo hospital a manhã inteira e não chegamos mais perto de resgatar a nossa irmã”, e Klaus assentiu soturnamente.
“Eu sei”, disse Klaus, “mas os voluntários C.S.C. vão visitar cada pessoa internada no Hospital Heimlich, sem exceção. Com certeza acabaremos encontrando Violet.”
Atenção! Atenção!”, anunciou uma voz, e os voluntários pararam de cantar e se reuniram em volta do alto-falante de intercomunicador mais próximo para ouvir o que Mattathias tinha a dizer. “Atenção!”, disse Mattathias. “Hoje é um dia muito importante na história do hospital. Daqui a precisamente uma hora, um médico daqui irá realizar a primeira craniectomia do mundo em uma menina de catorze anos. Todos nós esperamos que essa operação, tão perigosa, seja um sucesso total. Isso é tudo.”
“Violet”, murmurou Sunny para o irmão.
“Também acho”, disse Klaus. “E não gostei de como soou aquela operação. ‘Crânio’ é ‘cabeça’, e ‘ectomia’ é um termo médico aplicado quando se remove alguma coisa.”
“Decap?”, perguntou Sunny em um cochicho horrorizado. Ela queria dizer alguma coisa como: “Você acha que eles vão cortar fora a cabeça de Violet?”.
“Não sei”, disse Klaus estremecendo, “mas não podemos mais continuar perambulando por aí com esses voluntários cantantes. Temos de encontrá-la imediatamente.”
“O.K.”, bradou um voluntário, consultando a lista. “A próxima paciente é Emma Bovary, no quarto 2611. É um caso de intoxicação alimentar, portanto precisa de uma atitude especialmente alegre.”
“Com licença, irmão”, disse Klaus ao voluntário, usando relutantemente o termo “irmão” em lugar de “pessoa que mal conheço”. “Eu estava me perguntando se poderia pedir emprestado a sua cópia da lista de pacientes.”
“É claro”, respondeu o voluntário. “De qualquer modo, não gosto de ler todos esses nomes de gente doente. É muito deprimente. Prefiro segurar balões.” Com um alegre sorriso, o voluntário entregou a Klaus a longa lista de pacientes e pegou o balão das mãos dele, enquanto o barbudo começava a estrofe seguinte da canção.

Cantamos pra homens com sarampo,
E mulheres gripadas demais;
Pra você, nós só vamos cantar
Quando inalar micróbios letais.

Com a face exposta, Klaus teve de esquivar-se atrás do balão de Sunny, a fim de olhar a lista de pacientes do hospital.
“Há centenas de pessoas nesta lista”, disse ele à irmã, “e ela está organizada por ala, e não por nome. Não podemos ler isto aqui no corredor, especialmente precisando nos esconder atrás de um só balão para os dois.”
“Damajat”, disse Sunny, apontando o corredor. Com “Damajat”, ela queria dizer alguma coisa na linha de: “Vamos nos esconder naquele closet de suprimentos ali adiante”, e de fato havia uma porta que dizia “Closet de suprimentos” no final do corredor, logo depois de dois médicos que tinham parado na frente de um dos mapas confusos para bater um papo. Quando os voluntários C.S.C. começaram a cantar o refrão da sua música, enquanto seguiam para o quarto de Emma Bovary, Klaus e Sunny se separaram dos voluntários e caminharam cautelosamente até o armário, segurando o balão do melhor jeito possível na frente de ambos os rostos. Por sorte, os dois médicos estavam ocupados demais, conversando sobre um evento esportivo que tinham assistido pela televisão, para reparar nos dois acusados de assassinato se esgueirando pelo corredor do hospital, e na hora em que os voluntários estavam cantando:

Tra-la-lá, qui-qui-qui,
Quero que fique logo são.
Ho-ho-ho, hi-hi-hi,
Pegue um balão de coração

Klaus e Sunny já estavam dentro do armário.
Como um sino de igreja, um caixão de defunto e um tonel de chocolate derretido, um closet de suprimentos dificilmente é um lugar confortável para se esconder, e aquele não era exceção. Quando fecharam a porta do closet, os dois Baudelaire mais jovens viram-se em uma salinha apertada, iluminada somente por uma lâmpada de luz vacilante pendurada no teto. Em uma parede, pendurados em ganchos, havia uma série de aventais brancos de médico, e na parede oposta havia uma pia enferrujada onde se podia lavar as mãos antes de examinar um paciente. O resto do closet estava cheio de enormes latas de sopa de letrinhas para o almoço dos pacientes, e caixinhas de elásticos, cuja utilidade em um hospital as crianças não eram capazes de imaginar.
“Bem”, disse Klaus, “isto não é confortável, mas pelo menos ninguém vai nos encontrar aqui.”
“Pesh”, disse Sunny, o que queria dizer algo como: “Pelo menos, até que alguém precise de elásticos, sopa de letrinhas, aventais brancos de médico, ou queira lavar as mãos”.
“Bem, vamos ficar com um olho na porta, para ver se entra alguém”, disse Klaus, “e com o outro olho nesta lista. É muito longa, mas agora que temos alguns momentos para examiná-la, devemos conseguir localizar o nome de Violet.”
“Certo”, disse Sunny.
Klaus pôs a lista em cima de uma lata de sopa e começou a folhear as páginas apressadamente. Como ele tinha notado, a lista de pacientes não estava organizada em ordem alfabética, mas por ala, uma palavra que aqui significa “seção específica do hospital”, portanto as duas crianças tinham de examinar cada página individualmente, esperando localizar o nome Violet Baudelaire entre os nomes datilografados de pessoas doentes. Mas enquanto eles corriam os olhos pela lista intitulada “Ala da Dor de Garganta”, examinavam os nomes na página “Ala do Pescoço Quebrado” e esquadrinhavam os nomes de todas as pessoas internadas na Ala para Pessoas com Brotoejas Graves, Klaus e Sunny se sentiram como se estivessem em uma Ala para Pessoas com Estômago Embrulhado, porque o nome de Violet não se encontrava em lugar nenhum. Enquanto a lâmpada bruxuleava acima deles, os dois Baudelaire procuraram freneticamente, em página após página da lista, algo que pudesse ajudá-los a localizar sua irmã, mas não encontraram nada.
“Ela não está aqui”, disse Klaus, pondo de lado a última página de “Ala da Pneumonia”. “O nome de Violet não está em lugar nenhum da lista. Como vamos encontrá-la neste hospital enorme, se não conseguimos descobrir nem em que ala ela está?”
“Codinome”, disse Sunny, o que queria dizer: “Talvez ela esteja listada sob um nome diferente”.
“É verdade”, disse Klaus, olhando de novo para a lista. “Afinal, o nome verdadeiro de Mattathias é conde Olaf. Talvez ele tenha inventado um novo nome para Violet, para que não pudéssemos salvá-la. Mas qual pessoa é realmente Violet? Poderia ser qualquer um, de Mikhail Bulgakov a Haruki Murakami. O que vamos fazer? Em algum lugar neste hospital eles estão se preparando para realizar uma operação completamente desnecessária na nossa irmã, e nós...”
Klaus foi interrompido pelo som de risos estralejantes vindo de cima das cabeças dos Baudelaire. As duas crianças olharam para cima e viram que um alto-falante de intercomunicador tinha sido instalado no teto.
Atenção!”, disse Mattathias, depois que acabou de rir. “Dr. Flacutono, por favor apresente-se à Ala Cirúrgica. Dr. Flacutono, por favor apresente-se à Ala Cirúrgica para os preparativos da craniectomia.
“Flacutono!”, repetiu Sunny.
“Também reconheço esse nome”, disse Klaus. “É o nome falso usado pelo parceiro do conde Olaf quando morávamos em Paltryville.”
“Tiofreck!”, disse Sunny, alvoroçada. Ela queria dizer: “Violet está em grave perigo, temos de acha-la imediatamente”, mas Klaus não respondeu. Por trás dos óculos, seus olhos estavam semicerrados, como muitas vezes ficavam quando ele estava tentando se lembrar de algo que tinha lido.
“Flacutono”, murmurou ele baixinho. “Flac-u-to-no.” Ele então enfiou a mão no bolso, onde guardava todos os papéis importantes que os Baudelaire tinham juntado. “Al Funcoot”, disse ele, e pegou outra página dos cadernos dos Quagmire. Era a página que continha as palavras “Ana Grama” – um nome que não tinha feito nenhum sentido para os Baudelaire quando examinaram as páginas juntos. Klaus olhou para a página dos Quagmire, depois para a lista de pacientes, depois para a página de novo. Então ele olhou para Sunny, e ela pôde ver seus olhos se arregalarem atrás dos óculos, do modo como sempre faziam depois que ele lia alguma coisa muito difícil e finalmente entendia.
“Acho que sei como encontrar Violet”, disse Klaus lentamente, “mas vamos precisar dos seus dentes, Sunny.”
“Pronta”, disse Sunny, abrindo a boca.
Klaus sorriu e apontou para a pilha de latas no closet de suprimentos.
“Abra uma dessas latas de sopa de letrinhas”, disse ele, “e depressa.”

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