sábado, 16 de julho de 2016

Capítulo quatro

A SITUAÇÃO JÁ RUIM RAPIDAMENTE SE TORNA UMA CONFUSÃO QUANDO TODO mundo tenta pular as catracas ao mesmo tempo.
Os gritos ecoam nas paredes ladrilhadas do metrô, misturando-se com os gritos do alarme. Pessoas caem e não conseguem se levantar, e acabam sendo pisoteadas. Outras são pressionadas contra as paredes ou catracas. Percebo que provavelmente não conseguirei chegar aos trilhos a menos que use meu poder na multidão para abrir uma passagem, empurrando todo mundo para fora do meu caminho, e provavelmente acabarei derrubando a maioria deles se fizer isso. Eu não sei como posso ajudar. Mas se alguns alienígenas com armas superpoderosas começarem a descer as escadas, estou ferrada. Todos estaremos ferrados, porque mesmo que eu tivesse sido capaz de derrubar alguns dos bastardos num parque ou na rua, lutar contra eles aqui embaixo com tanta gente ao redor era uma coisa bem diferente. Então subo para o nível da rua, percebendo que se eu continuar correndo, chegarei à próxima estação.
O universitário que estava sangrando não mentiu – alguns quarteirões acima, mais ou menos dez alienígenas acabaram com o resto da briga e estão marchando pela Broadway, com seus canhões preparados. Eu me viro para seguir por uma rua paralela, quando pelo canto do olho vejo que um grupo de pessoas está correndo através das portas abertas de um ônibus. Um ônibus gigante, que parece ter o dobro do tamanho normal.
— Vamos lá! — ouço alguém gritar enquanto empurra uma criança da metade do meu tamanho para dentro do ônibus. — Vamos sair daqui.
Estou a centenas de quarteirões de distância de onde eu precisava estar. Os trens não estão funcionando. Eu não posso atravessar a cidade à pé. Não com alienígenas estúpidos espreitando a cada esquina para me sequestrar ou atirar em mim com um canhão de laser ou qualquer coisa do tipo. Apesar da voz que grita na minha cabeça dizendo que é uma má ideia, sigo na direção do ônibus. Assim que entro, as portas se fecham atrás de mim. Há mais ou menos uma dúzia de pessoas amontoadas nos assentos em vários estados de choque. Uma mulher a alguns bancos de mim dá pancadinhas em um pequeno rádio de pilha, tentando encontrar alguma transmissão, sem sucesso. Na frente do ônibus, dois caras estão sentados na frente do volante.
Ouço tiros na rua. Vindos de algum lugar bem próximo a nós.
— Vai! — eu grito. — Vai, vai, vai! Para o centro! Apenas dirija!
Um dos caras lá da frente olha para mim bufando, mas não diz nada.
— Não temos as chaves — uma das pessoas nos assentos fala. — Eles estão tentando fazer uma ligação direta...
— Essa deve ser uma droga de piada de mau gosto — murmuro, desejando que eu tivesse continuado a correr. Agora estou presa em um ônibus, com caras maus prestes a aparecer.
Meus punhos cerram ao meu lado. Essas pessoas não têm ideia do quão sortudas são por eu estar aqui dentro.
Viro minha cabeça em direção das portas traseiras, tentando dar uma olhada nos alienígenas que se aproximam, mas o ângulo em que o ônibus está parado impede a visão da rua. Eu olho para a frente do ônibus por cima do ombro. Os homens estão falando rapidamente, mas não consigo entender o que dizem. De repente, há um estrondo que chacoalha o chão. Primeiramente, imagino que tenha sido uma explosão, mas então sinto o ar gelado sendo liberado pelo ar-condicionado: eles conseguiram ligar os motores.
É quando me viro para as portas traseiras para ver os dentes cinzentos e pontudos de um dos alienígenas pálidos. Ele está com seu canhão apontado direto pra mim.
Eu grito em surpresa, e lanço minhas mãos para cima. Antes de perceber o que estou fazendo, posso sentir o poder sendo liberado do meu corpo. A porta do ônibus é arrancada, chocando-se contra o mogadoriano e lançando-o para longe, atingindo a vitrine de uma cafeteria do outro lado da rua. Eu caio. Outras pessoas que estão dentro do ônibus começam a gritar também, correndo para a frente do ônibus. E então estamos nos movendo, devagar no começo, porém acelerando rapidamente. Alguns tiros a laser atingem as laterais do ônibus, mas conseguimos escapar.
— Eles têm naves! — eu grito enquanto tento levantar. — Temos que sair da Broadway!
— Estou trabalhando nisso — o homem atrás do volante grita de volta para mim.
Nessa fazemos uma curva fechada. Por alguns segundos aterrorizantes, parece que o ônibus vai capotar. Eu deslizo pelo chão, batendo a cabeça. Tenho certeza de que as rodas do lado esquerdo de fato saíram do chão, mas logo nos estabilizamos, arrancando meia dúzia de retrovisores de carros que estavam estacionados na rua quando passamos. Eu me seguro, tentando me levantar.
— Para onde vamos? — alguém pergunta.
— Riverside para Hudson — o motorista grita. — É o caminho mais rápido para o centro.
Centro. É a única palavra que eu precisava ouvir.
O vento corre através do buraco feito onde as portas costumavam ficar, enchendo o ônibus com um baixo zunido. Quando chegamos à rua que segue paralela ao rio Hudson, há carros em chamas por todo o parque. Parece que foram explodidos. Eu me pergunto se os alienígenas pegaram uma de suas naves e seguiram pela avenida, atirando em tudo mundo que tentava escapar quando eles apareceram pela primeira vez. Por um momento, estou agradecida por qualquer coisa que tenha aberto caminho para nós na rua, mas então eu me arrepio com um pensamento.
Capturar pessoas. Destruir prédios e carros. Matar sabe-se lá quantas pessoas. O que esses doentes querem?
Meu corpo está todo dolorido, e eu me deixo cair em um dos assentos laterais do ônibus para recuperar o fôlego. Alguns dos outros passageiros estão me encarando. Talvez estejam se perguntando se eu sou o motivo pelo qual as portas foram arrancadas. A última coisa que quero fazer é tentar explicar o que está acontecendo comigo, já que nem eu mesma sei. E definitivamente não preciso de outro grupo esperando que eu os mantenha em segurança. Então pego meu celular e tento ignorá-los.
Ainda sem sinal. Sem mensagens.
E minha bateria está começando a acabar.
Há uma dor latejante na minha cabeça, e eu esfrego as têmporas para tentar aliviá-la. Não adianta, e penso que estou piorando-a, então em vez de continuar a fazer isso, encosto a cabeça contra a janela e respiro fundo, tentando descobrir o que está acontecendo.
É só então que vejo pela primeira vez com meus próprios olhos.
A nave gigantesca paira no meio de Manhattan, aquela que estava no noticiário. Eu sabia que ela era grande, mas vê-la pessoalmente é totalmente diferente de vê-la pela nossa porcaria de TV.
Ela cobre quase todo o céu. É difícil até de imaginar como uma coisa desse tamanho foi construída. Posso ver coisas que se parecem com armas saindo de todos os lados dela.
— Santo Deus — eu murmuro, e então meu estômago embrulha tanto que tenho que cobrir a boca, com medo de vomitar.
Minha mãe. Ela é tão pequena comparada àquela coisa. Todos nós somos. E se...
Mas eu não tenho muito mais tempo para comparar o tamanho do dano que aquela nave causou à cidade: nosso motorista começa a exclamar:
— Droga! Parece que aconteceu alguma coisa no Lincoln Tunnel. Ah, Jesus, parece que ele foi explodido! Teremos que tentar pelo Holland.
O motorista continua xingando, e as pessoas começam a balançar a cabeça e a murmurar sobre como vamos morrer. Leva alguns segundos para perceber o que isso significa. O Lincoln Tunnel – ele não leva para o centro, apenas para fora da ilha.
Eu me levanto e sigo para a frente o ônibus para poder tentar conversar com eles e convencê-los a irem para o distrito financeiro ou pelo menos a me deixar sair antes que eu acabe em Jersey. Pelo vidro do para-brisa, posso ver uma pilha de carros amontoados na entrada do Lincoln Tunnel, que está a nossa frente. A maioria deles está em chamas. Alguns parecem que foram completamente destruídos. Me parece que dois dos túneis desmoronaram, poeira e tijolos sendo cuspidos de dentro deles. Meu estômago embrulha quando me pergunto quantos carros estavam lá dentro quando o túnel foi destruído.
Há muitas pessoas por ali. Elas escalam a pilha de carros, desaparecendo na escuridão do que restou do túnel. O motorista não diminui a velocidade, embora haja uma aglomeração de carros na pista. Em vez disso, ele simplesmente aperta a buzina, fazendo com que as pessoas saiam do caminho enquanto corremos na direção delas. O ônibus balança e eu tenho que me segurar nas barras de cima para não cair para trás.
— Cara, não podemos passar por aqui — o outro cara que ajudou na ligação direta fala. — Pegue a rua lateral ou coisa assim.
— Todos se segurem! — o motorista grita enquanto ele assente com a cabeça.
— Esse não é o seu táxi. Você tem certeza que você sabe como guiar essa coisa?
— Vejo uma saída, porém vai ser apertada. Além disso, você realmente quer arriscar passar pelo centro? Você viu as notícias, certo? O centro é uma zona de guerra.
— Sim, mas... — o outro cara percebe que eu estou me aproximando.
— O que você quer?
— Apenas vendo se posso ajudar — murmuro.
— Está louca, garota? Volte a se sentar e se segure. Vamos...
Eu paro de ouvir e tento me concentrar nos carros por que passamos. Talvez eu seja forte o suficiente para empurrá-los para os lados da pista. Talvez eu possa nos ajudar a passar por aqui – então eu poderei me preocupar sobre para onde estamos indo.
Eu não sei se é porque estamos nos movendo muito rápido, ou se é porque os carros são muito pesados, ou porque estou muito longe deles – o que quer que seja, eles não se mexem. Eu me concentro com mais força, ignorando a dor de cabeça.
Foco, Dani. Se conseguir limpar o caminho, estará mais perto da sua mãe.
O lado direito do para-brisas quebra de repente, trincando como uma teia de aranha. O lado esquerdo é atingido por uma peça de metal e continua inteiro, mas o motorista ainda assim guina para o lado, chocado. Ele atinge a lateral de um carro na rua, fazendo com que eu caia para trás em um dos bancos de passageiro.
Já chega de tentar ajudar.
— Aqui vamos nós! — ele berra.
Ele se inclina sobre o volante enquanto nós voamos através dos carros estacionados. Os passageiros gritam. A mulher que estava próxima ao assento em que caí chega mais perto de mim, mas não sei se é porque ela está tentando impedir que eu caia no chão ou se é porque ela está ficando louca e com medo. Eu não sei o que atingimos, porém sinto cada impacto. Tudo ao nosso redor solavanca e balança, mas não diminuímos a velocidade. Faíscas voam da parte de trás do ônibus na abertura das antigas portas.
De alguma forma, conseguimos.
O motorista suspira em alívio quando voltamos para a rua aberta.
— Tudo bem — ele diz. — Todo mundo reze para que o Holland Tunnel esteja limpo. Vamos sair da droga da cidade.
— Espere um pouco — eu falo, me levantando novamente. — Eu não vou para Jersey.
— Não seja estúpida. Não podemos ficar aqui.
— Eu preciso ir para o centro! Minha mãe...
— Menina... — ele me interrompe, mas não consegue terminar a sentença. Em vez disso, ele apenas aponta para a nave mãe massiva que está flutuando sobre o centro.
O ônibus me ajudou bastante me aproximando do centro, então eu realmente hesito em causar uma cena ou gritar com o motorista. Por outro lado, a única pessoa que me restou no mundo está em algum lugar da Wall Street, e eu tenho uma droga de superpoder. Não preciso de um não como resposta.
— Pare o ônibus antes de entrar no túnel — falo firmemente, com calma. — Eu vou descer.
O motorista dá um risinho.
— Você está louca — ele olha para mim. — Os alienígenas estão atacando a droga da cidade. Eu não vou parar até aquela droga de nave ser um rabisco no meu retrovisor.
O outro cara que está ao lado dele me observa com olhos semicerrados. Posso ver que ele está se perguntando se terá de me empurrar de volta para trás do ônibus. Se eu vou ser um problema. Por cima de seu ombro, pelo vidro trincado, vejo uma placa apontando o Holland Tunnel passar voando por nós.
— Eu não quero fazer disso um problema — falo.
— Então não faça — o motorista responde.
— Droga — eu murmuro.
Eu poderia tentar frear o ônibus por mim mesmo, mas temo empurrar o pedal com força demais e nos mandar para dentro do rio Hudson. Então em vez disso, troco olhares com o amigo dele para que ele saiba exatamente o que estou fazendo. Eu estico uma das mãos. Se me concentrar direito, aposto que posso quebrar a janela trincada e controlar o vidro ou o plástico ou o que quer que tenha sido usado para construir o para-brisa. Mostrar meu poder. As pessoas podem pensar que eu sou uma alienígena maluca, porém pelo menos eles vão me ouvir. Eles terão que...
— Esperem aí! — uma voz grita do fundo do ônibus. No início, penso que ela está falando comigo – que de alguma forma ela descobriu o que estou prestes a fazer – mas então percebo que é a mulher com o rádio de emergência. Ela corre em nossa direção, nos alertando sobre alguma coisa. — O Holland Tunnel está impedido também — posso ouvir a voz de um homem chiando no rádio nas mãos dela cada vez que ela chega mais perto. — Parece que todos os túneis da cidade estão bloqueados ou foram destruídos. As pontes são a única saída. Há um grande local de evacuação na ponte do Brooklyn, e eles estão dizendo para as pessoas irem para lá se seus lares foram destruídos.
— Você tem certeza disso? — alguém pergunta, com a voz trêmula. — Talvez o túnel possa ter sido descongestionado desde então, ou...
O ônibus chacoalha de repente, freando enquanto diminuímos a velocidade rapidamente. Volto minha atenção para a pista e vejo que alguns quarteirões a frente a rodovia está lotada de carros abandonados. Alguns deles em chamas. Outros capotaram. As chamas são refletidas na água do rio Hudson.
Alguma coisa muito ruim aconteceu por aqui.
— Droga! — o motorista diz. — Droga, droga, droga!
O ônibus fica em silêncio com exceção da voz do radialista. A estática se interrompe enquanto ele fala sobre como nenhum dos outros bairros foi atingido ainda, apenas a Manhattan. Então, de repente todos estão falando, tentando descobrir o que fazer.
A mulher com o rádio olha para o motorista.
— O que fazemos agora?
Ele balança um pouco a cabeça enquanto procura suas opções mentalmente. Finalmente, ele coloca o pé no acelerador novamente, e todos nós somos jogados para trás com o movimento repentino do ônibus.
— Nós iremos para a Williamsburg Bridge.
— Mas a ponte do Brooklyn é onde... — a mulher começa.
— Sim, o que significa que as ruas por lá provavelmente estão horríveis agora. Temos que sair da cidade e essa é a nossa melhor aposta. Uma vez que estivermos do outro lado podemos pegar um atalho através de Staten Island para Jersey e chegar o mais longe que pudermos. Duvido que Staten Island esteja na droga de lista deles.
Ele não espera por uma resposta, apenas faz uma curva acentuada à esquerda e desce por uma rua lateral, ameaçando virar o ônibus mais uma vez.
Tento pensar geograficamente na minha cabeça enquanto nós cortamos caminho através de ruas estreitas que tem nomes em vez de números. Eu não conheço esta parte da cidade muito bem, e não posso usar o mapa no meu celular, já que não há sinal. Tento entender as coisas. Os túneis estão fora de mão. Há um local de evacuação na ponte do Brooklyn. O local de trabalho da minha mãe não é tão longe de lá. É possível que ela tenha ido para lá.
Mas ela não teria ido para Brooklyn e me deixado com Benny, certo?
Minha cabeça começa a latejar novamente, misturando os meus pensamentos e tornando difícil me concentrar em qualquer coisa. Começo a voltar pelo o corredor, procurando por um mapa de ônibus ou algo do tipo pendurado nas paredes, perguntando a ninguém em particular se eles sabem onde estamos – mas há tanto barulho no maldito ônibus que ninguém me responde. Nós fazemos mais algumas curvas fechadas, desacelerando um pouco de cada vez. O motorista parece conhecer bem estas ruas e nos mantém em movimento. Eventualmente, chegaremos à Houston Street. Mantenho meus olhos nas placas de sinalização em cada bairro que passamos até que finalmente vejo uma rua transversal que reconheço.
Bowery. É praticamente uma corrida até onde minha mãe trabalha se eu seguir a rua até o centro. Uma vez eu a encontrei no restaurante e nós percorrermos todo o caminho até o Central Park apenas porque era um dia bonito, e me lembro de pegar a Bowery como um atalho da viagem.
Estou prestes a gritar para o motorista do ônibus parar quando ele pisa nos freios. Algumas pessoas gritam, e é só então que vejo: uma das naves alienígenas está parada no cruzamento seguinte.
Não vejo nenhum monstro pálido por perto, mas ainda assim, eles devem estar à espreita. O motorista olha em volta nervosamente enquanto os passageiros se desesperam cada vez mais, as pessoas gritando com ele para ir em frente ou retornar, ou que este é o fim e todos nós vamos morrer.
Carros abandonados e detritos enchem as ruas laterais à nossa direita, de modo que o motorista toma uma decisão rápida, virando à esquerda na First Avenue, gritando para o resto de nós algo sobre um outro caminho para desviar da nave. Suas mãos estão agarradas no volante e suor escorre pelo seu rosto. Acho que o cara está prestes a enlouquecer. Mas o mais importante, nós estamos indo para a parte alta da cidade agora, mais longe de Wall Street, mais longe da minha mãe. Se eu conseguir voltar a Bowery, eu saberei como chegar até ela.
E então, assim que ele diminui a velocidade do ônibus para virar à direita na Fourth Street, respiro fundo e sigo para o espaço vazio onde arranquei as portas mais cedo.
— Boa sorte no Brooklyn — eu murmuro.
Salto para a rua, tropeçando alguns passos antes de bater na lateral de um carro estacionado. O ônibus não para. Ele vai embora sem mim.
Eu me certifico de que não estou machucada ou algo assim, e então começo a correr de volta para a Bowery, na esperança de que os alienígenas da nave que vimos estejam ocupados em algum lugar na outra direção.
Eu estou chegando cada vez mais perto da minha mãe.
Passo a passo. Metro por metro.
Mas fica cada vez mais difícil. Assim que dobro a esquina, meus pulmões estão ardendo. Meu coração bate forte, e minhas pernas gritam para eu parar. Acima de tudo isso, o latejar na minha cabeça está começando a me afetar de verdade. É um tipo estranho de dor que nunca senti antes. Eu nem tenho tanta certeza de que seja uma dor, é mais como uma pressão atrás dos olhos.
O que está acontecendo?
As ruas estão bem vazias, e de repente eu me sinto tão sozinha. Onde está todo mundo? Talvez esta área foi evacuada. Ou talvez...
E se os alienígenas da nave já passaram por aqui e levaram todo mundo?
A dúvida começa a preencher minha cabeça. Eu finalmente estou chegando mais perto, mas o que eu devo fazer se ela não estiver lá? O que faço se ela se foi?
Lágrimas começam a encher os cantos dos meus olhos, ameaçando escorrer enquanto eu me aproximo do grande cruzamento. Só então vejo uma dúzia de mogadorianos marchando para a rua, e então toda a minha esperança some abruptamente. Eu paro, quase caindo. Estico braços, tentando equilibrar, e acabo deixando escapar algum tipo de onda de força que atinge uma lata de lixo na rua.
Porcaria.
Eu espio o interior do edifício mais próximo – um banco – esperando que os alienígenas não tenham notado. Afasto a porta devagar, mantendo meus olhos sobre eles, minhas mãos esticadas na frente, prontas para usar o meu poder. É muito escuro do lado de dentro e meus olhos começam lentamente a se ajustar. Gostaria de saber se as luzes estão apagadas, ou se a eletricidade foi cortada. Eu deveria ter prestado mais atenção nesse tipo de coisa enquanto ainda estava na rua. Eu deveria ter...
— Uhh... — uma voz vem de trás de mim.
Eu me viro, mantendo as mãos levantadas, prontas para desintegrar alguns alienígenas. Em vez disso, há três figuras com máscaras de esqui. Humanos. Dois deles estão atrás, colocando dinheiro em uma mochila. O outro está apenas a um metro de mim, os olhos arregalados, a boca aberta em confusão.
Ele está apontando uma arma para o meu rosto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário