sábado, 30 de julho de 2016

Capítulo nove


Quando Violet abriu a enorme porta que dava para a Sala dos Répteis, os animais continuavam em suas gaiolas, os livros continuavam nas estantes e o sol matinal continuava atravessando as paredes de vidro, mas o lugar simplesmente não era o mesmo. Não fazia diferença que o dr. Lucafont já houvesse removido o corpo do tio Monty: a Sala dos Répteis deixara de ser convidativa como era antes e provavelmente jamais voltaria a sê-lo. A ocorrência de um acidente em certo lugar pode criar uma mancha nos sentimentos de uma pessoa em relação a esse local, como a mancha de tinta que perdura num lençol branco. Por mais que se esfregue e se lave para tirar essa mancha da memória, não há como esquecer o que aconteceu e deixou todo mundo triste.
“Não quero entrar”, disse Klaus. “Tio Monty morreu aqui.”
“Eu sei que não queremos estar aqui”, disse Violet. “Mas tem um serviço que precisamos fazer.”
“Serviço?”, perguntou Klaus. “Que serviço?”
Violet disse com os dentes cerrados: “Temos um serviço que o sr. Poe deveria estar fazendo, no entanto, como sempre, as intenções dele são boas mas a ajuda que nos dá é nenhuma”. Klaus e Violet suspiraram quando ela expressou em voz alta um sentimento que os três jamais haviam posto para fora mas sempre esteve no coração deles, desde que o sr. Poe passou a cuidar dos assuntos dos irmãos. “O sr. Poe não acredita que Stephano e o conde Olaf sejam a mesma pessoa. E ele acha que a morte do tio Monty foi um acidente. Temos que provar que ele está enganado em ambos os casos.”
“Mas Stephano está sem a tatuagem”, assinalou Klaus. “E o dr. Lucafont encontrou o veneno da Mamba do Mal nas veias de Monty.”
“Eu sei, eu sei”, disse Violet, impaciente. “Nós três sabemos a verdade. Mas para convencer os adultos precisamos descobrir provas do plano de Stephano.”
“Se ao menos tivéssemos encontrado provas antes”, disse Klaus, melancólico. “Aí, quem sabe, poderíamos ter salvado a vida do tio Monty.”
“Sobre isso já nada podemos fazer”, disse Violet sem levantar a voz. Deu um olhar em volta da Sala dos Répteis, onde o tio Monty havia trabalhado durante toda a vida. “Mas se conseguirmos colocar Stephano atrás das grades pelo assassinato que cometeu, pelo menos estaremos impedindo que ele faça mal a alguém mais.”
“Inclusive a nós”, observou Klaus.
“Inclusive a nós”, concordou Violet. “Vamos ver, então. Klaus, localize todos os livros do tio Monty que possam conter informação sobre a Mamba do Mal. Me fale assim que você encontrar qualquer coisa.”
“Mas essa pesquisa pode levar dias”, disse Klaus, olhando para a biblioteca considerável de Monty.
“Bem, nós não dispomos de dias”, disse Violet com firmeza. “Não dispomos sequer de horas. Às cinco da tarde, o Próspero sai de Porto Enevoado, e Stephano fará tudo o que estiver a seu alcance para garantir que a gente esteja a bordo. E se formos parar no Peru sozinhos com ele...”
“Tudo bem, tudo bem”, disse Klaus. “Mãos à obra. Vamos, pegue este livro.”
“Não vou pegar livro nenhum”, disse Violet. “Enquanto você passa os olhos na biblioteca, eu subo para o quarto de Stephano e vejo se encontro alguma pista.”
“Sozinha?”, perguntou Klaus. “No quarto dele?”
“Estarei em perfeita segurança”, disse Violet, embora não tivesse a menor ideia do que estava dizendo. “E você, ande rápido com esses livros, Klaus. Sunny, vigie a porta e morda quem tentar entrar.”
“Acrode!”, disse Sunny, provavelmente querendo dizer algo como “OK!”.
Violet saiu e, cumprindo o prometido, Sunny sentou-se diante da porta com os dentes à mostra, arreganhados. Klaus foi até o canto mais distante da sala, onde ficava a biblioteca, cautelosamente evitando passar pelas gaiolas com cobras venenosas. Não arriscou sequer um olhar para a Mamba do Mal ou para qualquer dos outros répteis mortíferos. Mesmo sabendo que o culpado pela morte do tio Monty havia sido Stephano e não propriamente a cobra, era difícil para ele suportar ver o réptil que tinha acabado com os bons tempos vividos por ele e suas irmãs. Klaus soltou um suspiro e abriu um livro. Como em tantas outras ocasiões quando o garoto Baudelaire queria deixar de pensar na sua situação, ele começou a ler.
Aqui não tenho como deixar de usar o recurso já bastante batido do “enquanto isso”. O termo batido refere-se a “usado por tantos e tantos escritores que, quando Lemony Snicket o emprega neste texto, já se tornou um chavão”. “Enquanto isso” é uma fórmula usada para ligar o que acontece numa parte da história com o que está acontecendo noutra parte: aqui, refere-se ao que Violet estava fazendo enquanto Klaus e Sunny se encontravam na Sala dos Répteis. Porque, quando Klaus começou a pesquisa na biblioteca do tio Monty e Sunny ficou vigiando a porta da sala com seus dentes afiados, Violet estava envolvida numa operação que, tenho certeza, há de ser de grande interesse para vocês.
Violet estava atrás da porta da cozinha, tentando escutar o que os adultos diziam. Como vocês bem sabem, o segredo do sucesso na espionagem está em não ser apanhado, de modo que Violet se moveu até lá o mais discretamente possível, esforçando-se para não pisar em partes do assoalho que pudessem estalar, por exemplo. Quando chegou à porta, teve o cuidado de tirar do bolso a fita que usava para amarrar os cabelos, colocando-a em seguida no chão, para o caso de, se alguém abrisse a porta, ela poder alegar que estava se ajoelhando ali para apanhar a fita, e não para espionar. Esse era um truque que ela aprendera quando era bem pequena e ficava à porta do quarto de seus pais para saber o que eles estavam planejando para o aniversário dela; como todos os bons truques, ainda funcionava.
“Mas, sr. Poe, se Stephano for comigo no meu carro, e o senhor for dirigindo o jipe do dr. Montgomery”, dizia o dr. Lucafont, “como é que o senhor vai saber o caminho?”
“Entendo o que o senhor quer dizer”, disse o sr. Poe. “Mas não me parece que Sunny vá querer sentar-se no colo do dr. Montgomery, estando ele morto. Temos que pensar noutra solução.”
“Eu tenho uma”, disse Stephano. “Vou com as crianças dirigindo o carro do dr. Lucafont, e o dr. Lucafont pode ir com o senhor e o dr. Montgomery no jipe do dr. Montgomery.”
“Receio que isso não funcione”, disse o dr. Lucafont muito seriamente. “As leis da cidade não permitem que o carro seja dirigido por alguém que não seja o proprietário.”
“E nem sequer discutimos a questão da bagagem das crianças”, disse o sr. Poe.
Violet pôs-se de pé, concluindo, pelo que acabara de ouvir, que teria tempo de sobra para subir ao quarto de Stephano. Sem fazer o menor barulho, Violet subiu a escada de degrau em degrau, depois percorreu o hall até a porta do quarto de Stephano, exatamente onde ele se sentara com a faca na mão naquela noite pavorosa. Ao chegar à porta, Violet parou. Era curioso, pensou ela, como tudo o que se relacionava com o conde Olaf causava pavor. O simples fato de estar olhando para a porta do seu quarto era bastante para que o coração dela começasse a bater com toda a força. Naquele momento Violet descobriu que uma parte dela alimentava a esperança de que Stephano subisse correndo as escadas e a detivesse no ponto onde se achava, e, assim, ela não precisasse abrir a porta e entrar no quarto em que ele dormia. Mas Violet pensou então em sua própria segurança, e na de seus dois irmãos. Muitas vezes, quando uma pessoa está ameaçada, ela descobre uma coragem que não sabia possuir, e a mais velha dos Baudelaire descobriu que podia ter bravura suficiente para abrir a porta. Ainda sentindo doer-lhe o ombro em consequência da batida de carro, Violet girou a maçaneta de metal e entrou.
O quarto, como Violet desconfiava, estava uma bagunça imunda. A cama não havia sido feita e tinha migalhas de bolachas e fios de cabelo espalhados por cima dos lençóis. Jornais velhos e catálogos para encomendas por correspondência formavam pilhas desordenadas sobre o chão. Em cima de uma cômoda havia um pequeno estoque de garrafas de vinho pela metade. A porta do guarda-roupa estava aberta, deixando entrever uma penca de cabides de arame enferrujados que balançavam no quarto exposto a correntes de ar. As cortinas das janelas achavam-se todas arrepanhadas e cobertas aqui e ali por uma crosta escamosa – chegando mais perto, Violet percebeu com verdadeiro horror que Stephano havia assoado o nariz nelas.
Por mais repulsiva que fosse, entretanto, aquela mucosidade endurecida não era o tipo de prova que Violet estava esperando colher. A mais velha dos órfãos Baudelaire postou-se no centro do quarto e circulou o olhar pela embaraçosa desordem do aposento. Tudo era horrendo, não havia ali nada que pudesse ajudar. Violet esfregou o ombro machucado e lembrou-se de quando ela e os irmãos moravam com o conde Olaf e se viram trancados na sala da torre. Apesar do pavor que sentiram ao serem encurralados no retiro secreto dele – expressão que aqui significa “lugar imundo onde se arquitetam planos maléficos” –, na verdade a permanência na torre revelou-se bem proveitosa porque lhes permitiu ler e informar-se sobre a lei nupcial, propiciando uma saída para o sufoco em que se achavam. Mas ali, no retiro secreto de Stephano na casa do tio Monty, tudo o que Violet conseguiu descobrir foram sinais de falta de asseio. Em algum lugar Stephano certamente teria deixado indícios que pudessem ser percebidos por Violet e usados para convencer o sr. Poe – mas onde? Desanimada, e receando ter passado tempo demais no quarto de Stephano, Violet tratou de descer as escadas sem fazer barulho.
“Não, não, não”, o sr. Poe estava dizendo, quando ela parou junto à porta da cozinha, na escuta novamente. “O dr. Montgomery não pode dirigir. Está morto. Deve haver um modo de resolver isso.”
“Já disse e repeti uma porção de vezes”, disse Stephano, e dava para Violet perceber que ele estava ficando aborrecido. “A maneira mais fácil é eu levar as três crianças para a cidade, enquanto o senhor me segue com o dr. Lucafont e o cadáver. Que pode haver de mais simples?”
“Talvez o senhor tenha razão”, disse o sr. Poe com um suspiro, e Violet correu para dentro da Sala dos Répteis.
“Klaus! Klaus!”, ela gritou. “Me diga por favor que encontrou alguma coisa! Fui ao quarto de Stephano mas lá não descobri nada que possa nos ajudar, e acho que Stephano vai conseguir ficar sozinho conosco no carro do tio Monty.”
Klaus respondeu com um sorriso e começou a ler em voz alta a página de um livro que estava segurando: “A Mamba do Mal é uma das cobras mais mortíferas do hemisfério, notável pelo bote estrangulatório em conjunção com um veneno mortal que produz em suas vítimas um matiz tenebroso, horrível de se ver”.
“Estrangulatório? Conjunção? Tenebroso? Matiz?”, repetiu Violet. “Não tenho nem ideia do que é que você está falando.”
“Eu também fiquei sem entender”, admitiu Klaus, “até que fui procurar algumas dessas palavras no dicionário. Estrangulatório é 'relativo a estrangulamento'. Em conjunção é 'junto com', 'acompanhado de'. Tenebroso é 'escuro, sombrio'. E matiz é o mesmo que 'cor, coloração'. Ou seja: a Mamba do Mal é famosa por estrangular as pessoas enquanto morde, deixando marcas escuras no lugar dos apertões.”
“Basta! Pare!”, gritou Violet tapando os ouvidos. “Não quero ouvir mais nada do que aconteceu com o tio Monty!”
“Você não está entendendo”, disse Klaus sem levantar a voz. “Não foi isso que aconteceu com o tio Monty.”
“Mas o dr. Lucafont declarou que havia veneno da Mamba do Mal nas veias do tio Monty”, disse Violet.
“Claro que havia”, disse Klaus, “mas não foi a cobra que pôs o veneno lá. Se tivesse sido ela, teria deixado o corpo do tio Monty com marcas escuras. E você está lembrada, tanto quanto eu, que o corpo estava de uma brancura de chamar a atenção.”
Violet ia começar a falar mas parou, lembrando-se do rosto pálido, tão pálido do tio Monty quando o encontraram. “É verdade”, disse ela. “Mas então como que ele foi envenenado?”
“Lembra-se de como o tio Monty guardava o veneno de todas as cobras venenosas em tubos de ensaio, para estudá-los?”, disse Klaus. “Acho que Stephano pegou o veneno e injetou-o no tio Monty.”
“É mesmo?”, Violet estremeceu. “Que horrível!”
“Oquipi!”, gritou Sunny, aparentemente concordando.
“Quando contarmos isso ao sr. Poe”, disse Klaus, confiante, “Stephano será detido pelo assassinato do tio Monty e mandado para a cadeia. Não vai mais ter como nos levar às escondidas para o Peru, ou nos ameaçar com facas, ou nos obrigar a carregar sua mala, nem nada parecido com isso.”
Violet encarou o irmão, arregalando os olhos, empolgadíssima: “A mala!”, disse ela. “A mala dele!”
“Do que é que você está falando?”, disse Klaus, intrigado.
E Violet estava a ponto de explicar-lhe quando bateram à porta.
“Entre!”, respondeu Violet, fazendo um sinal a Sunny para que não mordesse o sr. Poe, que entrava.
“Espero que estejam um pouco mais calmos”, disse o sr. Poe, olhando para os meninos, um de cada vez, “e tenham abandonado a ideia de que Stephano é o conde Olaf.”
“Mesmo que ele não seja o conde Olaf”, respondeu Klaus com muita cautela, “achamos que ele pode ser o responsável pela morte do tio Monty.”
“Absurdo!”, exclamou o sr. Poe, enquanto Violet balançava a cabeça de um lado para o outro, discretamente. “A morte do tio Monty foi um acidente terrível, e nada mais.”
Klaus ergueu o livro que estava lendo. “Mas, enquanto o senhor estava na cozinha, nós estávamos aqui lendo sobre cobras, e...”
“Lendo sobre cobras?”, repetiu o sr. Poe. “Eu imaginaria que vocês quisessem ler sobre qualquer assunto menos sobre cobras, depois do que aconteceu ao dr. Montgomery.”
“Mas eu descobri uma coisa”, disse Klaus, “que...”
“Não importa o que você descobriu sobre cobras”, disse o sr. Poe, tirando do bolso um lenço. Os Baudelaire esperaram enquanto ele tossia dentro do lenço antes de guardá-lo no bolso. “Não importa”, ele tornou a dizer, “o que você descobriu sobre cobras. Stephano não conhece nada de cobras. Ele próprio nos disse isso.”
“Mas...”, disse Klaus, e parou ao olhar para Violet. Ela tornou a fazer um sinal de negativa com a cabeça, bem discretamente. Era um sinal, um aviso para que não dissesse mais coisa alguma ao sr. Poe. Encarou a irmã, depois o sr. Poe, e calou a boca.
O sr. Poe tossiu ligeiramente no seu lenço e olhou para o relógio no pulso. “Agora que esse assunto está resolvido, vamos passar ao trajeto que temos que fazer de carro. Já sei que vocês três estavam ansiosos para conhecer o interior do automóvel de um médico, mas discutimos e examinamos a questão de mil maneiras e simplesmente não há como esse esquema funcionar. Vocês três irão para a cidade no carro de Stephano, enquanto eu irei com o dr. Lucafont e seu tio Monty. Stephano e o dr. Lucafont estão agora retirando do jipe as malas com a bagagem de vocês e partiremos dentro de poucos minutos. Se me dão licença, tenho que ligar para a Sociedade Herpetológica a fim de comunicar a má notícia.” O sr. Poe tossiu mais uma vez no seu lenço e retirou-se da sala.
“Por que você não quis que eu contasse para o sr. Poe a respeito do que li?”, perguntou Klaus a Violet, quando se certificou de que o sr. Poe já estava a uma distância de que não podia ouvi-lo. Violet não deu resposta. Ela olhava pelos vidros da Sala dos Répteis, vendo o dr. Lucafont e Stephano passar pelos arbustos em forma de cobras e caminhar até o jipe do tio Monty. Stephano abriu a porta do jipe e o dr. Lucafont começou a segurar as malas que retirou do banco de trás com suas mãos estranhamente rígidas. “Violet, por que você não quis que eu contasse para o sr. Poe a respeito do que li?”
“Quando os adultos vierem nos buscar”, disse Violet, sem dar atenção à pergunta de Klaus, “retenha-os na Sala dos Répteis até eu voltar.”
“Mas como farei isso?”, perguntou Klaus.
“Invente uma distração”, respondeu Violet com impaciência, sem deixar de acompanhar pela janela o trabalho do dr. Lucafont de empilhar as malas.
“Que distração?”, perguntou Klaus, ansioso. “Como?”
“Pelo amor de Deus, Klaus!”, sua irmã mais velha respondeu. “Você leu centenas de livros. Com toda a certeza deve ter lido algo sobre como distrair as pessoas.”
Klaus pensou um instante. “Com o objetivo de ganhar a Guerra de Troia”, disse, “os gregos antigos esconderam soldados dentro de um enorme cavalo de madeira. Foi um tipo de distração. Mas eu não tenho tempo de construir um cavalo de madeira.”
“Então trate de pensar em alguma outra coisa”, disse Violet, que começou a andar em direção à porta, sempre olhando pela janela. Klaus e Sunny olharam primeiro para a irmã, depois, pela janela da Sala dos Répteis, olharam para onde ela estava olhando. É notável como pessoas diferentes têm pensamentos diferentes ao olhar para a mesma coisa. Porque, quando os dois Baudelaire, mais jovens olharam para a pilha de malas, o único pensamento foi: se não fizessem algo rapidamente, acabariam ficando sozinhos no jipe do tio Monty com Stephano. Mas, pela maneira de olhar de Violet ao sair da Sala dos Répteis, ela obviamente estava pensando em outra coisa. Klaus e Sunny não conseguiram imaginar o que fosse, mas, de algum modo, sua irmã havia chegado a uma conclusão diferente ao olhar para sua própria mala marrom, ou talvez a bege que levava as coisas de Klaus, ou a cinzenta pequenina com a bagagem de Sunny, ou talvez a grande e preta, com o brilhante cadeado de prata, que pertencia a Stephano.

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