sábado, 16 de julho de 2016

Capítulo cinco

ESTOU PREPARADA PARA BATER NESTE CARA ENQUANTO LÁGRIMAS COMEÇAM A correr através das minhas bochechas, provocadas por uma mistura de exaustão e o pensamento de que no meio de uma invasão alienígena, eu possa ser morta por algum punk humano.
— Oh, vai chorar? — o homem murmura.
Apesar das lágrimas, consigo rir um pouco apesar do cara que está me apontando uma arma na minha cara.
Felizmente, não tenho que dar uma de Jedi com ele. Seus amigos o interrompem.
— Que droga é essa, Jay? — um dos caras atrás dele diz. — Ela é apenas uma criança.
Jay abaixa a arma, com as mãos tremendo.
— Desculpe — ele fala em voz baixa. Ele não parece muito mais velho que eu, talvez tenha vinte anos.
Minha ficha cai sobre a realidade da minha situação.
— A cidade está sendo invadida por alienígenas e vocês idiotas estão roubando um banco? — falo alto o suficiente para todos os três me ouvirem.
— Ei — diz Jay, na defensiva — nós estamos apenas tentando ver o lado bom das coisas.
Toda a tristeza que tinha se apoderado de mim se transforma em raiva. Eu cuspo o veneno da minha boca antes mesmo de perceber que estou gritando.
— Você tem alguma ideia de como está lá fora? Meu padrasto foi assassinado tentando me proteger. Eu não tenho ideia do que aconteceu com a minha mãe. Tenho certeza de que vi um monte de gente ser pisoteada no metrô por pessoas simplesmente tentando escapar. Não mortas por alienígenas, mas por outras pessoas. Quem sabe quantos foram mortos por esses alienígenas bastardos? E você quer me dizer que o lado bom da coisa é você e seus companheiros roubarem um banco enquanto tudo está indo por água abaixo? Como você pode ser tão egoísta? Jesus. Você poderia estar ajudando as pessoas a sair da cidade ou algo assim.
O meu pensamento volta imediatamente para todos que deixei para trás – todo mundo por quem não lutei ou protegi porque venho tentando chegar ao centro da cidade. Os vizinhos do meu bairro. O grupo que deixei na igreja. Droga, até mesmo as pessoas no ônibus, que por um segundo considerei forçá-las a me levar para o centro da cidade. Minha cabeça começa a latejar e as lágrimas vêm de novo, porque mesmo que eu saiba que eu deveria encontrar minha mãe, há uma voz em minha cabeça me dizendo que eu deveria seguir o meu próprio conselho. Claro que ela quereria me ver e me encontrar, mas ajudar outras pessoas é tão importante quanto. Talvez mais. Eu deveria tentar fazer algo de bom com o que estivesse ao meu alcance.
Jay olha para mim com os olhos arregalados, como se todas as coisas que falei já estivessem em seu subconsciente, e ele estivesse furioso consigo e comigo por trazê-la para seu consciente. Seus dois amigos, entretanto, não parecem se importar, porque assim que suas mochilas ficam cheias, eles dão um tapa nas costas dele e acenam na direção da porta.
— Acabamos aqui — o cara com a mochila diz.
Limpo meus olhos, sentindo-me estúpida por chorar na frente deles.
— Talvez vocês tenham esquecido, mas há um monte de alienígenas lá fora — murmuro. — Saiam e estarão ferrados.
— Eu não vou ficar sentado em cima de todo esse dinheiro à espera de ser pego.
— Nós passaremos por eles e acabaremos com todos — outro cara diz, segurando outra arma.
— Não, tipo, eles estão bem aí fora — tento fazê-los ver a razão. — Foi por isso que entrei aqui, em primeiro lugar. Há uma dúzia daqueles malucos pálidos.
— Talvez devêssemos esperar aqui por enquanto até que a barra esteja limpa — sugere Jay. Ele espreita para fora da janela, mas daqui ele não pode ver muito além do quarteirão.
— Cara, o nosso carro está dobrando a esquina — diz o terceiro indivíduo. — Nós entramos, ligamos e estaremos fora da cidade em dez minutos com muito dinheiro. Não seja idiota — ele aponta para mim. — A próxima pessoa que entrar pode não ser uma garota estúpida. Pode ser a polícia ou a Guarda Nacional ou qualquer coisa assim. Você quer estar por aqui quando eles chegarem?
De alguma forma, consigo manter a calma e não o jogo contra a parede.
— Aposto que os policiais têm coisas mais importantes em suas mentes do que pensar em vocês — eu me viro para Jay. — Não diga que eu não avisei.
A voz da minha mãe pode estar me dizendo para ajudar as pessoas, mas suponho que ela abriria uma exceção quanto a estes tolos. E se eles querem se perder para roubar um monte de dinheiro, isso é problema deles, não meu.
O cara que está segurando a mochila solta um grande suspiro exagerado e passa por Jay. Em segundos ele está na calçada, olhando ao redor. Ele chama os que estão do lado de dentro.
— A barra tá limpa — ele diz, gesticulando com a arma. — Vamos, seus otários.
Jay me lança um último olhar, e então segue para a saída. Eles estão a poucos passos de distância da porta quando o cara de fora grita e dispara algumas vezes na direção da rua. Algum tipo de explosão rasga através do cara lá fora. Ele cai como uma rocha. De repente, a rua fica brilhante. Um poste de luz cai da parte de cima e ilumina o banco, me cegando. Levanto o braço por instinto para cobrir os olhos e afastar a claridade. Demora um segundo para eu perceber que não é apenas um foco de luz pairando no ar, derramando luz dentro do banco.
É uma nave.
— Merda, o que...
Eu não consigo terminar a frase. Um crepitante ruído eletrônico enche o ar enquanto a pequena nave atira em nós. As janelas quebram. Caio no chão com força e rastejo para me para me proteger atrás de uma plataforma no meio do banco. Jay e o outro cara estão de pé com as armas e disparando contra a luz. Idiotas. Eu grito com eles novamente, mas não adianta. Jay não dura muito tempo.
Algum tipo de luz irrompe através de seu peito, diferente dos tiros elétricos que vi antes. Eu estremeço. O cara com a mochila se vira para correr, mas ele não chega muito longe antes de ser atingido também, a mochila deslizando pelo chão em direção aos fundos.
Três pessoas mortas, simples assim.
Eu fico imóvel, com esperança de que não haja nenhum tipo de míssil infravermelho ou qualquer coisa assim na nave que possa me encontrar.
Talvez se eu não me mover, nem sequer respirar, eu fique bem.
Então ouço os passos. Um grupo de alienígenas – provavelmente os que eu vi antes – está se reunindo lá fora.
Merda, merda, merda.
Eles rosnam um para o outro no seu idioma estranho. Em seguida, um deles dá um passo à frente, apertando-se através da janela quebrada. Ele está vestido com um uniforme preto como os outros e tem tatuagens em espiral na sua cabeça que seguem até atrás das orelhas. Ele chuta Jay, que não se move. Faz a mesma coisa com o outro cara, que também não responde. Rezo para que ele se vire e saia.
Em vez disso, ele continua vagando mais para dentro do banco, arma na mão, em busca de outras pessoas. Eu me encolho tanto quanto possível, curvando-me como uma bola contra a bancada. Mas não sou suficientemente pequena. Ele está vindo dos fundos do banco quando olha para cima e trava os olhos comigo.
Estou ferrada.
Minhas mãos se atiram para a frente e os alienígenas voam, batendo na parede com força o suficiente para que se transformem em uma nuvem de poeira extraterrestre. Posso ouvir vozes vindo da frente novamente, e espreito em torno da bancada para ver duas outras aberrações alguns passos à frente, canhões prontos.
Minha mente corre. Eu não sei se a bancada aguenta mais danos. Deve haver alguma saída nos fundos ou qualquer coisa do tipo, mas se a nave começar a atirar de novo, provavelmente vou morrer.
Tento priorizar e lidar com o perigo mais próximo. Com um aceno de mão, as armas dos dois mogadorianos à minha frente são jogadas para longe, de volta para a rua. Há um momento de silêncio entre o resto deles antes dos outros começarem a disparar em direção do banco sem qualquer alvo real. Eu agito minhas mãos de novo, e os dois alienígenas desarmados flutuam à frente do resto de sua tropa, me protegendo dos tiros durante tempo o suficiente para que eu possa correr para um ponto atrás de um sofá de couro mais para dentro e, pelo menos, colocar alguma distância entre nós. Mas os escudos alienígenas não se sustentam por muito tempo antes de se tornarem cinzas também, então eu lanço uma mesa na direção do tiroteio. Acho que até consegui acertar dois dos bastardos.
Talvez eu tenha uma chance contra esses caras, afinal.
É quando percebo que a nave está se reposicionando para atirar no banco novamente. Eu posso ouvir algum tipo de zumbido que soa como um aquecimento acima do motor.
E estou me escondendo atrás de um sofazinho.
Eu engulo em seco. Minha cabeça começa a latejar.
— Mamãe... — eu sussurro enquanto levanto minhas mãos na frente do rosto.
Uma bola de fogo voa através do ar em algum lugar do quarteirão.
Há uma explosão, e de repente a rua fica escura.

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