domingo, 24 de julho de 2016

Capítulo 40

Despedidas eram a parte mais difícil da vida como um arqueiro, Will pensava enquanto ele conduzia Puxão para fora do estábulo do castelo, Sombra seguia em seu encalço. Ele tinha esperança de que talvez ele e Horace e Alyss pudessem ser capazes de saírem discretamente, mas, claro, isso era impossível. Eles tinham feito amigos aqui nos últimos meses, e os amigos queriam a chance de dizer adeus.
A situação em Macindaw estava praticamente de volta ao normal. Sir Doric e Meralon a força de ajuda para o note, para a fronteira com Picta, para assegurar que o exército scotti tinha realmente retirado. Doric e suas tropas permaneceriam em patrulha na área imediata até ter certeza da situação local tinha estabilizado. Com o tempo, sua força seria progressivamente reduzida, mas ele pretendia manter uma presença forte na área, pelo menos nos próximos meses.
Os escandinavos continuavam como guardiões das muralhas como uma guarnição temporária. Aqueles que não estavam de plantão estavam ocupados em uma pequena enseada a quilômetro de distância, um afluente que corria para um rio maior que em sua vez, levava para o mar. O esqueleto do seu novo Wolfcloud já estabelecido na margem.
Will parou. Horace e Alyss, levando seus cavalos atrás dele, seguiram o exemplo. Orman, Xander e Malcolm estavam esperando por ele. Atrás deles, ele podia ver as formas volumosas de Gundar e Nils Ropehander. E por trás deles, a forma ainda maior de Trobar, agora recuperado suficientemente para deixar a enfermaria e mancando dolorosamente pelas escadas para oferecer seu próprio adeus. Will ele sabia quem o gigante queria se despedir.
Orman falou primeiro, conforme era de praxe.
— Will, Horace e Lady Alyss é claro, eu lhes devo demais para tentar recompensá-los. Por favor, aceite a minha gratidão e minha amizade como uma recompensa totalmente inadequada para seus serviços.
Horace e Will ficaram embaraçados e murmuraram suas inarticuladas respostas. Alyss, naturalmente, assumiu a liderança.
— Senhor Orman, foi o privilégio servi-lo. Você provou-se um servo fiel do rei.
Orman inclinou-se.
— Você é muito gentil, Lady Alyss — disse ele.
Então ele virou-se para Will.
— Ocorre-me, Will, que eu fiz alguns comentários desagradáveis sobre a sua habilidade musical quando você chegou pela primeira vez. Eu não deveria ter feito isso.
Will balançou a cabeça tristemente.
— Acho que seus comentários foram bastante precisos, senhor Orman.
Quando Will tinha chegado a Macindaw, posando como um bardo, Orman tinha feito comentários críticos sobre a sua falta de formação clássica e pelo fato de que ele cantava “cantigas populares e burlescas”.
O fantasma de um sorriso tocou a boca de Orman.
— Ah, eu sabia que eram precisos. Eu simplesmente não deveria tê-los feito — ele ficou sério por um momento. — Lamento que tenha perdido a sua bandola, a propósito.
Will deu de ombros. Buttle tinha esmagado a bandola em fúria depois que Will, Orman e Xander escaparam do castelo.
— Pode ser uma bênção disfarçada, meu senhor — disse ele, e o sorriso voltou ao rosto de Orman.
— Melhor se eu não comentar sobre isso. Mas Xander tem algo a dizer — alertou.
O pequeno secretário saiu de trás de seu mestre. Ele abaixou a cabeça brevemente para Will.
— Minha gratidão, arqueiro — disse ele. — Você salvou a vida de meu mestre, e você salvou o castelo. — Ele olhou para Horace. — Gratidão a você também, Sir Horace.
Horace inclinou-se.
Will não poderia resistir uma ironia final ao secretário.
— Você me perdoou por superfaturar os escandinavos, Xander? — Perguntou ele.
Humor não era o ponto forte do secretário. Seu ar de gratidão foi imediatamente substituído pelo modo atormentado que ele costumava assumir.
— Bem, você sabe, eu tenho certeza que poderia ter conseguido eles por muito menos. Você realmente deveria ter me consultado antes de você...
— Xander? — Era Orman.
O secretário parou no meio do caminho parou e olhou para seu mestre.
— Esqueça isso.
— Sim, meu senhor — Xander baixou a cabeça. — Desculpe — ele murmurou para Will.
Will balançou a cabeça. O homem estava irreprimível.
— Não mude nunca, Xander — disse ele.
— Ele não vai — Orman disse-lhe com algum sentimento.
Então chegou a hora de agarrar a mão de Malcolm. O homem magro e pequeno sorriu para ele.
— Você fez bem aqui, Will Tratado — disse ele. — Eu acho que todos nós vamos estar mais seguros no futuro. Nós entendemos um ao outro um pouco melhor.
Will sabia que Orman tinha oferecido a Malcolm uma posição no castelo. Ele  não tinha ouvido se o curandeiro havia aceitado.
— Você vai para mover o seu povo para Macindaw? — Perguntou ele.
Malcolm balançou a cabeça.
— Eles são tímidos. Não gostam de estar na visão pública. Vou ficar na floresta com eles. Se Orman precisar de um curandeiro, estarei disponível.
— Mas sem mais Guerreiro da Noite? Sem mais luzes e barulhos na floresta?
O pequeno homem derrubou a cabeça pensativamente para o lado.
— Oh, eu não sei sobre isso. Orman concordou em manter o nosso segredo, e os escandinavos vão seguir em frente eventualmente. Acho que eu preferiria que os locais ainda considerassem Grimsdell como um lugar para não ir.
— Você provavelmente está certo — Will concordou. — Isso me lembra. Isso é seu.
Ele se atrapalhou em um bolso e pegou uma pedra negra de estelita. No dia após a batalha, ele havia retornado para a sala de torre e procurou no chão até que a encontrou.
O curandeiro sorriu.
— Ah, isso? Fique com ela se quiser. É apenas uma pedra.
— Mas... é estelita. É inestimável! Você disse...
— Estou receoso que eu não fui totalmente honesto com você — disse Malcolm, nem um pouco arrependido. — Eu disse que o mesmerismo era uma questão de foco. Isso deu Alyss algo para focar, e isso quebrou o poder da pedra azul.
Alyss e Will trocaram olhares perplexos. Então se voltou para o curador.
— É inútil?
— Não completamente. O fato de que ambos acreditavam nele tornou valioso. Como eu disse, mesmerismo é uma questão de crença. Você acreditava que essa pedrinha do rio era uma pedra de estrela, e assim, tornou-se uma.
Will balançou a cabeça em descrença e devolveu a pedra de volta no bolso.
— Eu vou mantê-la como uma lembrança — disse ele — de um curandeiro muito desonesto. Adeus, Malcolm. Tome cuidado.
— Boa velocidade a você, Will — Malcolm sorriu. — E você, Horace. Talvez com vocês dois embora eu seja capaz de obter uma xícara de café para mim.
Will virou-se para apertar as mãos com Gundar. Ele deve ter sabido que ele nunca iria sair com tal gesto formal. O escandinavo o agarrou em um abraço de urso enorme, levantando-o do chão, apertando-o de forma que ele mal conseguia falar.
— Bom combate, arqueiro! Boa batalha! Eu estou triste de vê-lo ir!
— Me so’e... — Will conseguiu arfar, e o escandinavo o jogou de volta a seus pés novamente.
Ele checou suas costelas para se certificar de que elas estavam intactas.
— Desembarque e me veja no feudo Seacliff algum dia, Gundar — disse ele.
O skirl caiu na gargalhada.
— Nós vamos para o jantar! — Ele gritou, encantado com sua própria piada.
— Apenas certifique-se nos deixar saber que você estará vindo — Will o avisou. Desta vez, Nils se juntou no riso.
Alyss e Horace estavam fazendo suas próprias despedidas. Conforme Will esperava por eles até ao fim, ele pegou o olho de Trobar. O gigante olhou para longe, infeliz, e Will caminhou até onde ele estava atrás do grupo reunido. Sombra seguindo, é claro. Ela olhou para Will quando ele parou a poucos passos de Trobar. Ela foi muito bem treinada para deixar seu lado sem permissão.
— Vá em frente — disse-lhe calmamente, e ela foi para Trobar, o rabo abanando naquele ritmo lento e pesado de pastores de fronteira.
O homem gigantesco se ajoelhou para se despedir dela, acariciando as orelhas, esfregando o queixo da forma que ela amava. Seus olhos fechados com o prazer do seu toque suave. Will sentiu uma súbita tristeza em seu coração. Ele caiu de joelhos ao lado deles.
— Trobar — disse calmamente: — Olhe para mim, por favor.
O gigante levantou os olhos para Will. O arqueiro podia ver as lágrimas escorrendo livremente no grande rosto.
— Eu acho que um cão pertence à pessoa que a nomeia — disse Will, sua voz um pouco instável. — Sombra precisa de você mais do que ela precisa de mim. Ela é sua.
Ele viu a descrença nos olhos de Trobar. O gigante não conseguia falar. Ele apontou entorpecido para o próprio peito, e Will assentiu.
— Cuide dela. Se ela tiver filhotes, eu vou vir e escolher um da ninhada.
Estendeu a mão à Sombra, palma virada para ela, no movimento que lhe disse para ficar.
— Fique, Sombra — disse ele, então ele esfregou a cabeça dela uma última vez. — Adeus, menina — ele engasgou, então, incapaz de suportar por mais tempo, ele se levantou e caminhou rapidamente para onde Puxão esperava por ele.
Sua visão estava turva e ele se atrapalhou com as rédeas quando se preparava para montar. O pequeno cavalo virou a cabeça e olhou fixamente para o seu mestre. Eu vou fazer isso para você, o olhar disse.
Will se colocou na sela, e os cascos de Puxão bateram ruidosamente sobre as lajes conforme ele trotava em direção à ponte levadiça. Alyss e Horace, pegos de surpresa com sua saída repentina, correram para completar suas despedidas e segui-lo.
Eles estavam a meio quilômetro na pista antes de Horace observar que algo estava faltando. Ele olhou à sua volta, seus olhos procuram uma familiar forma preto-e-branco.
— Onde está o cão? — Perguntou finalmente.
Will continuou olhando para frente.
— Eu a dei para Trobar — disse ele.
Então ele tocou Puxão com seu calcanhar e trotou na frente de seus amigos. Ele não queria discutir isso agora.

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