domingo, 24 de julho de 2016

Capítulo 31

Alyss tinha ouvido o barulho no pátio abaixo de sua janela na torre: gritos e cascos de cavalos soando fora do calçamento. Ela chegou à janela a tempo de ver três cavaleiros galopando a toda velocidade para a porta levadiça.
Ela reconheceu Will instantaneamente e, enquanto assistia, viu o tiro do mesmo fazer um arqueiro cair das muralhas do castelo. Atrás dele montavam outros dois homens, um deles balançando na sela, como se estivesse apenas consciente. Com um início de surpresa, ela reconheceu Orman.
Que diabos ele estava fazendo? Obviamente, da forma como os guardas tinham reagido, ele estava fugindo de seu próprio castelo. No entanto, a ideia era ridícula!
E Will estava com ele. Ela franziu a testa. Não havia nenhum sinal de que estava agindo sob qualquer coação. Ele estava liderando o caminho, na verdade. Por um momento, ela brincou com a possibilidade de que Orman realmente era um mago negro e tinha colocado algum tipo de feitiço ou coação em Will. Então, ela negou o pensou. Como a maioria das pessoas educadas, ela realmente não acreditava em feitiçaria ou magia.
Mas que outra explicação poderia haver?
Ela permaneceu ao lado da janela e poucos minutos depois, um grupo de homens montados saiu em perseguição. Seu primeiro instinto foi vestir-se e correr para descobrir o que estava acontecendo. Então ela parou e sentou-se, batendo os dedos sobre a mesa enquanto ela pensava. Lady Gwendolyn não iria comportar-se de tal forma. Lady Gwendolyn era uma cabeça vazia, obcecada por si mesma que não iria ter o menor interesse em nada que não envolvem novos penteados, sapatos ou modas.
Ela levantou-se e mudou-se para a porta que conduz à antessala de sua suíte. Suas duas empregadas estavam conversando calmamente enquanto dobravam e arrumavam uma pilha de roupas lavadas. Max estava sentado em um canto, franzindo a testa ao longo de um manuscrito. Todos os três olharam com surpresa a sua aparição repentina.
Ela acenou com impaciência para eles relaxarem.
— Sentem-se, sentem-se — disse ela, apoiando no braço de uma cadeira. Ela continuou: — Lorde Orman e o bardo Barton acabaram de cavalgar para fora do castelo, perseguidos por um grupo armado.
Os três olharam para ela com surpresa. Eles podem ser criados, mas estavam a par de sua verdadeira identidade e missão. E eles sabiam a identidade real de Will também.
— Max, vá até o salão principal e veja o que você pode descobrir. Não se torne óbvio demais, só ande ao redor e veja o que você pode ouvir.
— Muito bem, minha senhorita.
Levantou-se e moveu-se para a porta, pegando o seu chapéu de penas suaves em uma mesa ao lado enquanto ia. Ela poderia dizer que as duas empregadas estavam se doendo para que ela pedisse para que elas descobrissem mais. Mas balançou a cabeça para elas e voltou para seus aposentos para aguardar o relatório do Max.
O tempo passou devagar. Dolorosamente lento. Max retornou após uma hora mais ou menos. Suas escutas não revelaram mais do que os fatos que Alyss já sabia. O castelo estava alvoroçado com o fato de que, por alguma razão lorde Orman, seu secretário e o bardo Barton haviam quebrado as defesas do castelo e fugido.
— Todo mundo parece tão perplexo como nós estamos, senhorita — Max disse.
Alyss começou andando para frente e para trás, no fundo do cômodo. Max, incerto se ela queria que ele fizesse mais algo, tossiu hesitante.
— Isso é tudo, minha senhorita? — ele solicitou, e ela virou para ele se desculpando.
— Claro, Max. Obrigada. Você pode ir.
Ele mal tinha deixado seu quarto quando houve outra batida.
— Entre — ela falou, e ficou surpresa quando a porta abriu-se para admitir Sir Keren.
— Oh, Sir Keren — disse ela — que surpresa agradável! Entre! — Então, erguendo a voz ela falou para a sala exterior — Max, busque um pouco de vinho para nós dois, por favor! Um bom vinho branco galês, eu acho.
Lá fora, Max correu para a mesa ao lado para buscar o vinho, enquanto Keren entrou na sala, olhando ao redor, olhando a desorganização dos vestidos, chapéus, maquiagem e sapatos que cercava Lady Gwendolyn.
Alyss indicou uma cadeira perto do fogo.
— Desculpe-me por incomodá-la, Lady Gwendolyn — Keren começou — mas eu queria saber se você ouviu um pouco de uma confusão que ocorreu a mais ou menos uma hora atrás?
— Oh sim, realmente eu ouvi algo, uma confusão realmente! — disse ela. — Os cavalos a galope e homens gritando. Quem eram eles? Salteadores? Ou bandidos, talvez?
Keren estava balançando a cabeça tristemente.
— Pior do que isso, minha senhorita. Muito pior. Tenho medo de que eles seriam traidores da coroa.
Alyss recostou-se, a boca era um perfeito O de surpresa. Por um momento, ela considerou revelar sua verdadeira identidade e propósito à Keren. Afinal, ele parecia um tipo genuíno e ela sabia que Will tinha estado a ponto de levá-lo em sua confiança. Mas algum instinto a deteve.
— Traidores, Sir Keren? Aqui em Macindaw? Como isso é aterrorizante! E o castelo está seguro? — acrescentou a última pergunta com um ligeiro olhar de alarme em seu rosto.
Keren correu para tranquilizá-la.
— Muito seguro, minha senhora. Temos tudo sob controle. Mas eu tenho medo de que seja uma noticia séria. Lorde Orman era um deles.
— Lorde Orman? — disse ela.
Keren acenou sombriamente.
— Aparentemente, ele vem planejando entregar o castelo para um exército escocês antes da primavera. E o bardo Barton estava trabalhando com ele.
— Não. Ele é... — Alyss começou antes que ela pudesse parar a si mesma.
Mas Keren a interrompeu.
— Temo que sim. Aparentemente, ele está entregando mensagens de lorde Orman para os escoceses, durante as últimas três semanas, mesmo antes de ele chegar aqui.
A boca de Alyss bateu em exclamação.
Ela podia acreditar no que ele disse sobre Orman. Era bem possível que o estranho comandante temporário pudesse estar fazendo acordos com os escoceses. Mas por que Keren mentiria sobre o papel de Will na traição? Ela percebeu que Keren estava esperando por algum tipo de reação dela.
— Mas ele tinha uma voz tão agradável — disse ela.
Ela pensou que era o tipo de resposta vazia que Lady Gwendolyn faria. A sobrancelha de Keren subiu ligeiramente. Sem dúvida, ele pensou assim também.
— No entanto, minha senhora, ele é um espião. Senti que era melhor mantê-la informada, pois eu tinha certeza que você estava intrigada com o barulho no pátio.
— Na verdade eu estava, Sir Keren. E eu agradeço a sua consideração. Serei...
Qualquer coisa que ela diria foi interrompida por alguém batendo na porta.
— Entre — Keren respondeu ao chamado.
Isso era um pouco presunçoso dele, ela pensou, e não exatamente de acordo com o cavaleiro solícito que tinha vindo para tranquilizá-la. Ela estava começando a ter dúvidas sobre Sir Keren.
O trinco sacudiu e a porta foi aberta violentamente. Um homem entrou, mancando muito. Ela poderia ver sua coxa direita havia sido bruscamente enfaixada. Ele estava obviamente procurando por Sir Keren porque, quando ele entrou, ele relatou imediatamente.
— Eles escaparam. Entraram na maldita floresta.
Ele virou-se para Alyss e ela não pôde reprimir um movimento de surpresa. O homem era John Buttle.

Nenhum comentário:

Postar um comentário