terça-feira, 28 de junho de 2016

Capítulo 6

O castelo de Araluen, sede do governo do rei Duncan, era uma construção de majestosa beleza. As torres altas encimadas por pilares que subiam aos céus tinham uma graça quase viva que destoava da força e da solidez do castelo. Construído com imensos blocos de pedra cor de mel, ele era magnífico, mas também inexpugnável. As muitas torres elevadas davam ao castelo um toque de luz, ar e elegância. Mas elas também forneciam aos moradores várias posições das quais atirar flechas, pedras e óleo fervente em quaisquer atacantes que pudessem ser tolos o suficiente para atacar seus muros.
A sala do trono era o coração do palácio, situada entre uma série de paredes, grades e pontes levadiças que, no caso de um cerco prolongado, ofereciam aos defensores uma sucessão de posições de retirada. Como tudo o mais no castelo, a sala do trono era ampla, tinha um teto abobadado muito alto e um piso ladrilhado com quadrados de mármore preto e cor-de-rosa claro.
As janelas altas eram feitas de vitrais que cintilavam sob a luz baixa do sol de inverno. As colunas agrupadas que davam enorme força às paredes eram acaneladas, para aumentar a ilusão de leveza e espaço do aposento. O trono de Duncan, um objeto simples escavado em carvalho encimado por uma folha de carvalho esculpida, dominava a parede norte. Do lado oposto, havia bancos e mesas de madeira para os membros do gabinete do rei. O centro do aposento era vazio e havia espaço suficiente para centenas de súditos ficarem em pé. Em dias de cerimonial, eles lotavam a área, enquanto suas roupas e brasões de armas de cores vivas recebiam a luz vermelha, azul, dourada e laranja que se derramava pelos vitrais e fazia as armaduras e os capacetes lustrosos cintilarem.
Naquele dia, por ordem de Duncan, havia apenas cerca de dez pessoas presentes o mínimo exigido por lei para que se fizesse justiça. O rei enfrentava a tarefa que tinha diante de si com pouco prazer e queria que o menor número possível de testemunhas visse o que teria que fazer.
Ele estava sentado no trono com a testa franzida, olhando para a frente, os olhos presos nas enormes portas duplas do outro lado da sala. Sua grande espada, em cujo punho estava esculpida a cabeça de um leopardo que era a insígnia pessoal de Duncan, descansava na bainha e estava apoiada no braço direito do trono.
Lorde Anthony, de Spa, tesoureiro do rei nos últimos cinco anos, estava de um lado do trono e vários passos abaixo dele. Ele olhava de um jeito expressivo para Duncan e pigarreou com um ar de desculpas para atrair a atenção do monarca.
O rei olhou para ele e ergueu as sobrancelhas numa pergunta silenciosa, e o tesoureiro fez um sinal com a cabeça.
— Chegou a hora, Majestade — ele disse em voz baixa.
Baixo e gordo, lorde Anthony não era um guerreiro. Ele não tinha nenhuma habilidade com armas e, como consequência, seus músculos eram flácidos e destreinados. Mas era um excelente administrador e, em grande parte por sua ajuda, o reino de Araluen vinha sendo próspero e forte havia muito tempo.
Duncan era um rei popular e justo. Isso não queria dizer que não fosse um governante forte, determinado e comprometido em fazer cumprir as leis do reino leis que tinham sido criadas e mantidas por seus antecessores por 600 anos. E esse era o motivo da preocupação de Duncan e o seu coração confrangido. Porque naquele dia ele teria que fazer um homem que tinha sido seu amigo e servo leal cumprir uma dessas leis. Na verdade, um homem a quem Duncan devia tudo um homem que por duas vezes, nas duas últimas décadas, tinha sido essencial para salvar Araluen da sombria ameaça da derrota e escravidão nas mãos de um louco.
Lorde Anthony se mexeu inquieto. Duncan viu o movimento e acenou com uma das mãos num gesto de derrota.
— Muito bem — ele disse. — Vamos acabar com esse negócio.
Anthony se virou para observar a sala do trono. O movimento fez com que as poucas pessoas reunidas ali se mexessem e olhassem para as portas esperançosamente. O símbolo do cargo do tesoureiro era um longo bastão de ébano revestido de aço. Ele o levantou e bateu duas vezes no chão de ladrilhos. O estalido do aço sobre a pedra ecoou no aposento e foi levado com clareza para os homens que esperavam atrás das portas fechadas.
Houve uma pequena pausa e então as portas se abriram quase sem ruído nas dobradiças bem lubrificadas e perfeitamente equilibradas. Quando pararam, um pequeno grupo de homens entrou, avançando no ritmo lento da marcha cerimonial até a base dos degraus largos que levavam ao trono.
Eram quatro homens ao todo. Três deles usavam mantos, malhas e capacetes da guarda do rei. O quarto era uma figura pequena, vestida com roupas de um cinza e verde indefinidos. Ele estava com a cabeça descoberta e seus cabelos eram de um cinza sal e pimenta, despenteados e mal cortados. Ele marchava entre os dois homens que iam à frente, e o terceiro ia diretamente atrás dele. Duncan viu que o rosto do pequeno homem estava manchado de sangue seco e havia um hematoma feio no alto da face esquerda que quase deixava o olho fechado.
— Halt? — ele disse antes que pudesse parar. — Você está bem?
O olhar dos dois homens se encontrou.
Por um breve momento, Duncan imaginou ter visto uma imensa e profunda tristeza ali. E então o momento se foi e não restou mais nada naqueles olhos, além de uma forte determinação e um toque de zombaria.
— Estou tão bem quanto se pode esperar, Majestade — ele disse secamente.
Lorde Anthony reagiu como se tivesse sido picado por um inseto.
— Dobre a língua, prisioneiro! — ele disparou.
Ao ouvir essas palavras, o cabo ao lado de Halt ergueu uma das mãos para bater no prisioneiro. Mas, antes que o golpe pudesse ser dado, Duncan fez menção de se erguer do trono.
— Já chega!
Sua voz soou forte no aposento quase vazio. O cabo baixou a mão um pouco envergonhado. Ocorreu a Duncan que ninguém presente na sala estava apreciando a cena. Halt era uma figura muito conhecida e respeitada no reino. Ele hesitou, sabendo o que deveria fazer em seguida, mas detestando cada momento.
— Devo ler as acusações, Majestade? — lorde Anthony perguntou.
Na verdade, cabia a Duncan lhe dar essa ordem. Em vez disso, o rei acenou com uma das mãos numa concordância relutante.
— Sim, sim. Vá em frente, se precisar — murmurou e logo se arrependeu, pois Anthony olhou para ele com uma expressão sofrida no rosto.
“Afinal”, Duncan pensou, “Anthony também não quer fazer isso”, e deu de ombros num gesto de desculpas.
— Sinto muito, lorde Anthony. Por favor, leia as acusações.
Anthony pigarreou, pouco à vontade com a tarefa que tinha a realizar. Já era ruim o suficiente que o rei tivesse abandonado os procedimentos formais, mas infinitamente mais constrangedor para o tesoureiro era o fato de o monarca achar natural se desculpar com ele.
— O prisioneiro Halt, arqueiro das forças de Sua Majestade, prestador de serviços para o reino e portador da Folha de Carvalho de Prata, foi ouvido ridicularizando a imagem do rei, seus direitos de nascença e linhagem.
Um suspiro quase inaudível vindo do pequeno grupo de testemunhas chegou claramente até os dois homens na plataforma do trono. Duncan olhou para cima para descobrir de onde o som tinha vindo. Poderia ter sido o barão Arald, senhor do Castelo Redmont e governador do feudo ao qual Halt servia. Ou possivelmente Crowley, comandante do Corpo de Arqueiros. Os dois homens eram os mais velhos amigos de Halt.
— Majestade — Anthony continuou devagar — preciso lembrá-lo, como oficial servidor do rei, que esses comentários são uma contravenção que vão diretamente contra o juramento de lealdade feito pelo prisioneiro. Por esse motivo, ele é acusado de traição.
Duncan olhou para o tesoureiro com uma expressão de sofrimento. A lei era muito clara quando se tratava de traição. Havia apenas duas punições possíveis.
— Ah, certamente, lorde Anthony — ele disse. — Algumas palavras zangadas?
O olhar de Anthony ficou preocupado. Ele esperava que o rei não tentasse influenciá-lo nessa questão.
— Majestade, essa é uma violação do juramento. A questão não são as palavras em si, mas o fato de que o prisioneiro quebrou o juramento ao dizê-las em público. A lei é clara nesse assunto.
Ele olhou para Halt e estendeu as mãos num gesto indefeso.
— E você estaria quebrando o seu, lorde Anthony, se não informasse o rei disso — Halt disse com um leve sorriso no rosto cansado.
Dessa vez, Anthony não ordenou que ele se calasse. Com uma expressão infeliz, mostrou que concordava com um gesto de cabeça.
Halt tinha razão. Ele tinha criado uma situação intolerável para todos com seu comportamento ridículo depois de beber demais. Duncan fez menção de falar, hesitou e recomeçou.
— Halt, tenho certeza de que deve haver um mal-entendido nessa situação — ele sugeriu, esperando que o arqueiro pudesse, de alguma forma, encontrar uma saída para as acusações, mas Halt deu de ombros.
— Não posso negar as acusações, Majestade — ele disse com calma. — Escutaram quando disse algumas... coisas desagradáveis sobre o senhor.
E ali estava outro dilema terrível: Halt tinha feito os comentários chocantes em público, na frente de pelo menos seis pessoas. Como homem e amigo, Duncan podia e certamente estaria disposto a perdoá-lo. Mas, como rei, devia preservar a dignidade de seu posto.
— Mas... por que, Halt? Por que causar essa situação para todos nós?
Aquela era a vez de Halt dar de ombros. Os olhos dele se desviaram dos do rei. Ele murmurou algo em voz baixa que Duncan não conseguiu entender bem.
— O que você disse? — ele perguntou, desejando encontrar uma saída da situação difícil em que estava.
O olhar de Halt encontrou o dele outra vez.
— Muito conhaque, Vossa Majestade — ele disse em voz mais alta. — Nunca fui muito forte para bebida. Talvez o senhor pudesse me acusar também de embriaguez, lorde Anthony — Halt acrescentou, obrigando-se a mostrar um sorriso sem humor.
Dessa vez, a calma e o senso de protocolo de lorde Anthony foram abalados.
— Por favor, Halt... — ele começou, prestes a pedir ao arqueiro que parasse de brincar com os procedimentos, mas então se recuperou e se virou para o rei. — Essas são as acusações, Vossa Majestade. Admitidas pelo prisioneiro.
Duncan ficou sentado por muito tempo sem falar. Ele olhou para a pequena figura à sua frente e tentou enxergar além da expressão de desafio que havia naqueles olhos e descobrir o motivo que tinha levado Halt a agir daquela maneira. Ele sabia que o arqueiro estava zangado porque não tinha recebido permissão para tentar resgatar seu aprendiz. Mas Duncan realmente acreditava que a presença de Halt era essencial em Araluen até que o problema com Foldar estivesse resolvido. A cada dia que passava, o antigo tenente de Morgarath estava se tornando um perigo maior, e Duncan queria que seus melhores conselheiros lidassem com o problema.
E Halt realmente estava entre os melhores.
Frustrado, Duncan tamborilou os dedos no braço de madeira do trono. Era estranho Halt não conseguir ver tudo o que estava acontecendo. Em todos os anos que eles se conheciam, Halt nunca tinha colocado seus interesses à frente dos do reino. Agora, aparentemente por causa de rancor e raiva, tinha permitido que a bebida atrapalhasse seu raciocínio e provocasse esse julgamento. Ele tinha insultado o rei publicamente na frente de testemunhas, um ato que não poderia ser ignorado nem encarado como algumas palavras zangadas entre amigos. Duncan olhou para seu velho amigo e conselheiro. Halt olhava para o chão.
Talvez se ele pedisse misericórdia, implorasse clemência pelos serviços prestados à coroa no passado... qualquer coisa.
— Halt? — Duncan começou antes de mesmo perceber.
O arqueiro ergueu os olhos e encarou o rei, e este fez um pequeno gesto interrogativo e impotente com as mãos. Mas o olhar de Halt se endureceu ainda mais ao encontrar o de Duncan, e o monarca soube que ele não iria suplicar misericórdia. O arqueiro sacudiu levemente a cabeça grisalha num gesto de recusa, e o coração de Duncan ficou ainda mais pesado no peito. Ele tentou mais uma vez diminuir a distância que tinha crescido entre ele e Halt, obrigando-se a mostrar um pequeno sorriso conciliador.
— Afinal, Halt — ele acrescentou num tom de voz moderado — não é que eu não entenda exatamente como você se sente. A minha filha está com seu aprendiz. Você acha que eu não gostaria simplesmente de deixar o reino à própria sorte para resgatá-la?
— Há uma diferença bastante importante, Majestade. A filha de um rei pode esperar ser tratada um pouco melhor do que um simples aprendiz de arqueiro. Afinal, ela é uma refém valiosa.
Duncan se recostou na cadeira. A amargura na voz de Halt foi como um tapa na cara. E, o que era pior, o rei se deu conta de que Halt estava certo. Assim que os escandinavos descobrissem a identidade de Cassandra, ela seria bem tratada enquanto esperava ser resgatada. Infelizmente, percebeu que sua tentativa de reconciliação apenas tinha aumentado o abismo entre os dois.
Anthony quebrou o crescente silêncio que havia no aposento.
— A menos que o prisioneiro tenha alguma coisa a dizer em sua defesa, ele é considerado culpado — ele avisou Halt.
Os olhos do arqueiro continuaram presos em Duncan, embora, mais uma vez, ele tenha feito o mesmo leve movimento negativo com a cabeça. Anthony hesitou, olhou em volta para os nobres e oficiais mais velhos ali reunidos, esperando que alguém, qualquer um, encontrasse alguma coisa a dizer em defesa de Halt. Mas, naturalmente, não havia nada a ser dito. O tesoureiro viu os ombros largos do barão Arald se curvarem em desespero, viu a dor no rosto de Crowley quando o comandante dos arqueiros desviou o olhar da cena que acontecia ali.
— O prisioneiro é culpado, Majestade — Anthony confirmou. — Cabe ao senhor apresentar a sentença.
E essa, Duncan sabia, era a parte de ser rei para a qual nunca tinha sido preparado. Havia a lealdade, a adulação, o poder e a cerimônia. Havia o luxo, as comidas e bebidas finas, as melhores roupas e os melhores cavalos e armas. E então chegava o momento em que se pagava por todas essas coisas. Momentos como aquele em que a lei devia ser cumprida, e as tradições deviam ser preservadas. Quando a dignidade e o poder do cargo deviam ser protegidos mesmo que, ao fazê-lo, fosse preciso destruir um de seus mais estimados amigos.
— A lei apresenta apenas duas punições possíveis para traição, Majestade — Anthony afirmou, sabendo que Duncan estava detestando cada minuto daquilo.
— Sim. Sim, eu sei — o rei murmurou zangado, mas não rápido o bastante para impedir Anthony de proferir a próxima frase.
— Morte ou expulsão. Nada menos — o tesoureiro informou.
E, quando ele disse essas palavras, Duncan sentiu um pequeno estremecimento de esperança no peito.
— Essas são as opções, lorde Anthony? — ele perguntou com suavidade, querendo ter certeza.
Anthony assentiu com seriedade.
— Não há outras. Apenas morte ou expulsão, Majestade.
uncan se levantou devagar e pegou a espada com a mão direita.
Ele a segurou diante dele, agarrando o estojo abaixo da cruzeta intrincadamente gravada e esculpida. Sentiu uma onda quente de satisfação. Ele tinha perguntado duas vezes a Anthony para ter certeza de que as exatas palavras do tesoureiro fossem ouvidas pelas testemunhas presentes na sala do trono.
— Halt — ele falou com firmeza, sentindo todos os olhares presos nele. — Ex-arqueiro do rei do feudo de Redmont, eu, neste momento, na qualidade de senhor deste reino de Araluen, declaro que você seja banido de todas as minhas terras e propriedades.
Novamente, ouviram-se leves suspiros em toda a sala quando os ouvintes sentiram o alívio de saber que a sentença não seria a morte. Não que qualquer um dos presentes esperasse que fosse. Mas agora vinha a parte que eles não esperavam.
— Você está proibido, sob pena de morte, de colocar os pés no reino novamente... — ele hesitou, vendo agora a tristeza nos olhos de Halt, a dor que o grisalho arqueiro não conseguia mais esconder — ... pelo período de um ano a partir deste dia — ele completou sua declaração.
No mesmo instante, houve um tumulto na sala do trono. Lorde Anthony olhou para a frente, o choque visível em seu rosto.
— Majestade! Devo protestar! O senhor não pode fazer isso!
Duncan manteve a expressão solene. Outros na sala não estavam tão controlados. Ele viu que o rosto do barão Arald estava franzido num sorriso largo, enquanto Crowley estava fazendo o melhor que podia para esconder o riso no capuz cinzento de sua capa de arqueiro. Duncan notou com uma sombria sensação de satisfação que, pela primeira vez naquela manhã, Halt estava um tanto surpreso com o rumo dos acontecimentos. Mas não tanto quanto lorde Anthony, que protestava em voz alta. O rei olhou para o tesoureiro com um olhar de interrogação.
— Não posso, lorde Anthony? — ele indagou com grande dignidade.
Anthony se apressou a corrigir a frase, percebendo que não era sua função dar ordens ao rei.
— Eu quero dizer, Majestade... expulsão é... bem, é expulsão — ele concluiu sem jeito.
Duncan assentiu com seriedade.
— Realmente — ele respondeu. — E, como você mesmo me disse, é uma das duas únicas escolhas que posso fazer.
— Mas, Majestade, expulsão é... é um ato absoluto! É por toda a vida! — Anthony protestou.
Sua face estava vermelha de constrangimento. Ele não desgostava de Halt. Na verdade, até o dia em que o arqueiro tinha sido preso por atacar a reputação do rei, Anthony sentira uma forte admiração por ele. Mas, afinal, era seu trabalho aconselhar o rei sobre questões de lei e propriedade.
— A lei determina isso especificamente? — Duncan perguntou.
Anthony balançou a cabeça e fez um gesto impotente com as mãos, quase deixando cair o bastão de comando.
— Bem, não especificamente. Não é necessário. Expulsões sempre têm sido para a vida toda. Faz parte da tradição! — ele acrescentou, encontrando as palavras que vinha procurando.
— Exatamente — Duncan respondeu. — E tradição não é lei.
Anthony começou e então se viu perguntando a si mesmo por que estava protestando tanto. Afinal, Duncan tinha encontrado uma forma de punir Halt e, ao mesmo tempo, aplicar essa punição com misericórdia.
O rei percebeu a hesitação e tomou a iniciativa.
— A questão está resolvida. O prisioneiro está banido por 12 meses. Você tem 48 horas para deixar os limites de Araluen.
O olhar de Duncan encontrou o de Halt pela última vez. O arqueiro inclinou a cabeça levemente num gesto de respeito e gratidão.
— Mas...
Duncan suspirou. Ele não tinha ideia de por que Halt tinha imposto essa situação a todos. Talvez ele descobrisse algum dia depois que esse ano tivesse passado. De repente, sentiu crescer dentro dele uma aversão por tudo o que estava acontecendo e empurrou o estojo da espada pelo cinto.
— Essa questão está resolvida — ele disse aos que estavam ali reunidos. — O julgamento está encerrado.
Ele se virou e deixou a sala do trono, saindo por uma pequena antessala à esquerda. Anthony olhou para o grupo reunido na sala e deu de ombros.
— O rei falou — ele disse num tom que dava a entender o quanto ele estava arrasado por tudo o que tinha acontecido. — O prisioneiro está expulso por 12 meses. Guarda, leve-o.
E, com essas palavras, ele seguiu o rei para fora da sala do trono.

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