quarta-feira, 29 de junho de 2016

Capítulo 23

— Halt — Will disse pensativo enquanto se afastava do Conselho com Halt e Erak. — O que você quis dizer quando disse que precisava de arqueiros?
Halt olhou para os lados de seu aprendiz e suspirou.
— Poderia fazer uma grande diferença no resultado — disse ele. — Os Temujai são arqueiros em si. Mas eles raramente têm de enfrentar um inimigo com uma habilidade especial com o arco.
Will assentiu. O arco era tradicionalmente uma arma araluense. Talvez por causa do isolamento do reino em uma ilha e os países em uma massa de terra Oriental que houvesse feito Araluen peculiar. Outras nacionalidades podem usar arcos para a caça ou mesmo esporte. Mas só nos exércitos dos araluenses poderia se encontrar o laminado grupo de arqueiros que poderia fornecer uma devastadora chuva de flechas sobre uma força de ataque.
— Eles entendem o valor do arco como uma arma estratégica — disse ele. — Mas nunca tiveram que lidar com ele. Eu tenho uma vaga ideia porque quando Erak e eu estávamos correndo deles para perto da fronteira. Uma vez que eu estava atirando flechas, eles foram decididamente relutantes em vir correndo em torno de todos os cantos cegos.
O jarl riu discretamente na memória.
— Isso é bastante verdade — ele concordou. — Uma vez que você matou alguns deles, eles abrandaram consideravelmente.
— Você sabe, eu estive pensando... — disse o menino, e hesitou.
Halt sorriu silenciosamente para si mesmo.
— Sempre um passatempo perigoso — disse gentilmente.
Mas Will continuou:
— Talvez devêssemos tentar reunir uma força de arqueiros. Mesmo uma centena ou mais poderia fazer a diferença, não poderia?
Halt balançou a cabeça.
— Nós não temos tempo, Will — respondeu. — Eles estarão sobre nós dentro de duas semanas. Você não pode treinar arqueiros nesse curto espaço de tempo. Afinal, os escandinavos não têm nenhuma habilidade com o arco, para começar. Você teria que ensinar o básico, entalhe, desenho, liberar. Isso leva semanas, como você sabe.
 Há uma abundância de escravos aqui — Will persistiu. — Alguns deles sabem o básico. Então, tudo o que nós teríamos que fazer é controlar seu alcance.
Halt olhou para o aprendiz novamente. O menino estava falando sério, ele podia ver. Um pequeno franzir da testa enrugada de Will quando ele pensava sobre o problema.
— E como você faria isso? — Perguntou o arqueiro.
A carranca aprofundou por alguns segundos, enquanto Will reunia seus pensamentos.
 Foi algo que Evanlyn me pediu, que me surgiu essa ideia — disse ele. — Ela estava me observando praticar e ficou perguntando como eu sabia da elevação para dar um tiro especial, e eu lhe disse que era apenas experiência. Então pensei que talvez pudesse mostrar a ela e eu estava pensando, se ensinasse as quatro posições básicas...
Ele parou de andar e levantou o braço esquerdo como se estivesse segurando um arco, em seguida, mudou-se através de quatro posições, com início na horizontal e, finalmente, elevando-a para um máximo de quarenta e cinco graus.
— Um, dois, três, quatro, como aquela — continuou ele. — Você pode fazer um grupo de arqueiros assumirem essas posições, enquanto alguém lhes diz o intervalo. Eles não precisam ter mira muito boa, desde que a pessoa que os controla possa julgar o intervalo — concluiu.
 E deflexão — Halt disse pensativo. — Se você sabe que na segunda posição seus eixos iriam viajar, digamos, duzentos metros, você pode liberar o seu tempo para que o inimigo que se aproximasse chegasse a esse ponto assim como a tempestade de flecha.
— Bem, sim — Will admitiu. — Eu não tinha pensado tão longe. Só estava pensando em definir o intervalo e com liberação de todos ao mesmo tempo. Eles não precisariam apontar para alvos individuais. Poderiam apenas atirar na massa.
 Você precisa antecipar — Halt disse.
 Sim. Mas essencialmente, seria o mesmo como se eu estivesse disparando uma flecha para mim. É só que, quando liberada, seria chamada uma centena de outras flechas.
Halt coçou a barba. Olhou para o escandinavo.
— O que você acha, Erak?
O jarl apenas encolheu os ombros maciços.
— Eu não entendi uma palavra do que você está dizendo — admitiu alegremente. — Defraxão... 
 Deflexão — corrigiu-o Will, e Erak encolheu os ombros.
— Que seja. É tudo um enigma para mim. Mas se o menino acha que poderia ser possível, bem, penso que ele poderia estar certo.
Will sorriu para o grande líder de guerra. Erak gostava de manter as coisas simples. Se ele não compreendesse um assunto, não gastava energia pensando sobre isso.
 Tenho a tendência a pensar da mesma maneira — Halt disse calmamente, e Will olhou para ele com surpresa. Ele estava à espera de seu mentor para apontar a falha fundamental em sua lógica. Agora, percebeu que Halt estava considerando seriamente a sua proposta. Então ele percebeu o olhar de desespero que crescia no rosto de Halt quando ele descobriu a falha.
— Arcos — disse o arqueiro, o desapontamento em sua voz. — Onde é que nós encontraremos uma centena de arcos? Não há, provavelmente, vinte no total na Escandinávia.
O coração de Will afundou. É claro. Havia o problema. Levaria semanas para moldar e fazer um único arco. Era um trabalho de artesão e de nenhuma maneira teriam tempo para fazer os cem arcos que seria necessário. Desconsolado, ele chutou uma pedra em seu caminho, então gostaria que não tivesse. Tinha esquecido que estava usando botas de pano.
 Eu poderia arranjar uma centena de arcos pra você — disse Erak no deprimente silêncio que seguiu a declaração de Halt. Ambos se viraram para olhar para ele.
— Onde você encontrou uma centena de arcos longos? — Halt perguntou-lhe.
Erak encolheu os ombros.
— Eu capturei um sabugo de dois mastros na costa Araluen três temporadas atrás — disse-lhes.
Ele não teve que explicar que uma temporada escandinava era uma temporada de ataques. Ele tinha um porão cheio de arcos.
— Eu os mantive na minha despensa até que pudesse encontrar um uso para eles. Estava indo usá-los como cercas — ele continuou. — Mas eles pareciam um pouco flexíveis para o trabalho.
 Os arcos tendem a ser assim — disse Halt lentamente, e quando Erak olhou para ele, sem compreender, ele acrescentou: — Mais flexível que a cerca. É uma das qualidades que procuramos em um arco.
— Bem, eu suponho que você saiba — Erak falou casualmente. — De qualquer forma, eu ainda os tenho. Deve haver milhares de flechas lá também. Pensei que seria útil um dia.
Halt alcançou e colocou uma mão no ombro maciço.
— E como você estava certo — disse ele. — Graças aos deuses o hábito escandinavo de guardar de tudo.
— Bem, claro que guardamos — Erak explicou. — Nós arriscamos nossas vidas para levar o material em primeiro lugar. Não há nenhum sentido em jogá-lo fora. Enfim, você quer ver se você pode usá-los?
 Vamos lá, jarl Erak — Halt disse, sacudindo a cabeça maravilhado e levantando uma sobrancelha à Will.
Erak os levou para o armazém, onde ele mantém a maior parte de sua pilhagem.
 Excelente — disse ele feliz, esfregando as mãos. — Se você decidir usá-los, vou ser capaz de cobrar a Ragnak.
— Mas esta é uma guerra — Will protestou. — Certamente você não pode cobrar a Ragnak para fazer algo que vai ajudar a defender Hallasholm.
Erak virou o seu sorriso encantado ao jovem arqueiro.
— Para um escandinavo, meu filho, toda a guerra é um negócio.

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