domingo, 12 de junho de 2016

Apêndice A - Os elfos silvestres e sua fala

De acordo com O Silmarillion (p. 109) alguns dos nandor, os elfos telerin que abandonaram a marcha dos eldar do lado oriental das Montanhas da Névoa, “habitaram por muito tempo os bosques do Vale do Grande Rio” (enquanto outros, segundo se diz, desceram o Anduin até as fozes, e outros ainda entraram em Eriador: destes últimos vieram os elfos-verdes de Ossiriand).
Em uma discussão etimológica tardia dos nomes Galadriel, Celeborn e Lórien, declara-se especificamente que os elfos silvestres da Floresta das Trevas e de Lórien descendiam dos elfos telerin que permaneceram no Vale do Anduin:

Os elfos silvestres (Tawarwaith) eram originalmente teleri, e assim parentes mais remotos dos sindar, apesar de separados deles por mais tempo ainda que os teleri de Valinor. Descendiam daqueles teleri que, na Grande Viagem, se intimidaram com as Montanhas da Névoa e se demoraram no Vale do Anduin, dessa forma jamais tendo chegado a Beleriand ou ao Mar. Eram portanto mais próximos aos nandor (de outro modo chamados de elfos-verdes) de Ossiriand, que acabaram atravessando as montanhas e finalmente chegaram a Beleriand.

Os elfos silvestres esconderam-se em fortalezas na floresta, além das Montanhas da Névoa, e se tornaram povos diminutos e esparsos, mal distinguíveis dos avari,

mas ainda recordavam que eram eldar na origem, membros do Terceiro Clã, e davam as boas-vindas àqueles noldor e especialmente sindar que não atravessaram o Mar, mas migraram para o leste [isto é, no início da Segunda Era]. Sob a liderança destes, tornaram-se novamente um povo ordenado e cresceram em sabedoria. Thranduil, pai de Legolas dos Nove Caminhantes, era sindarin, e esse idioma era usado em sua casa, se bem que não por toda a sua gente. Em Lórien, onde grande parte do povo era de origem sindarin, ou noldor, sobreviventes de Eregion, o sindarin tornara-se a língua de todo o povo. Agora, naturalmente não se sabe de que maneira o sindarin deles diferia das formas de Beleriand — vide A Sociedade do Anel, II VI, onde Frodo relata que a fala do povo silvestre, que usavam entre si, era diferente da do oeste. É provável que diferisse em pouco mais do que hoje seria popularmente chamado de “sotaque”: principalmente diferenças nos sons das vogais e na entoação, bastantes para induzir em erro alguém que, como Frodo, não estivesse bem familiarizado com o sindarin mais puro. É evidente que também podem ter existido alguns regionalismos e outras características que decorressem em última análise da influência da antiga língua silvestre. Lórien estivera extremamente isolada, por muito tempo, do mundo externo. Certamente alguns nomes preservados do passado, tais como Amroth Nimrodel, não podem ser totalmente explicados através do sindarin, apesar de terem formas adequadas. Caras parece ser uma palavra antiga para uma fortaleza com fosso, não encontrada em sindarin. Lórien é provavelmente uma alteração de um nome mais antigo, agora perdido [embora tenha sido afirmado anteriormente que o nome original, silvestre ou nandorin, era Lórinand].

Com estas observações sobre os nomes silvestres, compare o Apêndice F (I) do Senhor dos Anéis, seção “Dos elfos”, nota de rodapé (que consta apenas da edição revisada).
Outra afirmativa geral acerca do élfico silvestre encontra-se em uma discussão linguístico-histórica que data do mesmo período tardio que a recém citada:

Quando os elfos silvestres voltaram a se encontrar com seus parentes de quem havia muito estavam afastados, embora seus dialetos divergissem tanto do sindarin ao ponto de serem quase ininteligíveis, pouco estudo foi necessário para revelar seu parentesco como idiomas eldarin. Se bem que a comparação dos dialetos silvestres com sua própria fala despertasse enorme interesse nos mestres das tradições, especialmente naqueles de origem noldorin, pouco se sabe agora do élfico silvestre. Os elfos silvestres não haviam inventado formas de escrita, e aqueles que aprenderam essa arte com os sindar escreviam em sindarin na medida do possível. No fim da Terceira Era, os idiomas silvestres provavelmente já não eram mais falados nas duas regiões que tinham importância ao tempo da Guerra do Anel: Lórien e o reino de Thranduil na Floresta das Trevas setentrional. Tudo que deles sobrevivia nos registros eram algumas palavras e diversos nomes de pessoas e lugares.

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