domingo, 12 de junho de 2016

Apêndice H

(i)
Em escritos associados com o presente texto, dão-se alguns detalhes adicionais a respeito dos Marechais da Terra dos Cavaleiros no ano de 3019 e após o fim da Guerra do Anel:

Marechal da Terra dos Cavaleiros era o mais alto posto militar, e o título dos lugares-tenentes do Rei (originalmente três), comandantes das tropas reais de Cavaleiros totalmente equipados e treinados. O distrito do Primeiro Marechal era a capital, Edoras, com as Terras do Rei adjacentes (incluindo o Vale Harg). Ele comandava os Cavaleiros da Tropa de Edoras, recrutados daquele distrito, e de algumas partes da Fronteira Oeste e da Fronteira Leste* para as quais Edoras era o lugar de reunião mais conveniente. O Segundo e o Terceiro Marechal recebiam comandos de acordo com as necessidades da época. No começo do ano de 3019, a ameaça de Saruman era a mais urgente, e o Segundo Marechal, Théodred, filho do Rei, tinha o comando da Fronteira Oeste, com sua base no Abismo de Helm; o Terceiro Marechal, Éomer, sobrinho do Rei, tinha por distrito a Fronteira Leste, com base no seu lar, Aldburg no Folde**.
Nos dias de Théoden ninguém detinha o posto de Primeiro Marechal. Ele assumiu o trono ainda jovem (com 32 anos), vigoroso e com espírito marcial, além de ser grande cavaleiro. Se viesse a guerra, ele mesmo comandaria a Tropa de Edoras; mas seu reino esteve em paz por muitos anos, e ele saía com seus cavaleiros e sua Tropa somente em exercícios e exibições, embora a sombra de Mordor novamente desperta crescesse continuamente desde sua infância até sua velhice. Nessa paz, os Cavaleiros e outros homens armados da guarnição de Edoras eram governados por um oficial da patente de marechal (nos anos de 3012-19 era Elfhelm). Quando Théoden envelheceu, prematuramente, ao que parecia, essa situação continuou, e não havia comando central efetivo: um estado de coisas encorajado por seu conselheiro Gríma. O Rei, caindo em decrepitude e raramente deixando sua casa, adquiriu o hábito de expedir ordens a Háma, Capitão de sua Casa, a Elfhelm, e até mesmo aos Marechais da Terra dos Cavaleiros, através da boca de Gríma Língua de Cobra. Havia ressentimento contra isso, mas as ordens eram obedecidas, no interior de Edoras. Quanto ao combate, quando começou a guerra contra Saruman, Théodred assumiu o comando geral sem receber ordens. Recrutou tropas em Edoras e enviou grande parte de seus Cavaleiros sob o comando de Elfhelm para reforçar a Tropa da Fronteira Oeste e ajudar a resistir à invasão.
Em tempos de guerra ou distúrbios, cada Marechal da Terra dos Cavaleiros tinha sob suas ordens imediatas, como parte de sua “casa” (isto é, aquartelado em armas em sua residência), um éored preparado para combate, que em caso de emergência podia usar a seu próprio critério. Era isso que Éomer fizera de fato***; mas a acusação contra ele, pronunciada por Gríma, era que naquele caso o Rei o proibira de levar qualquer uma das tropas ainda não comprometidas da Fronteira Leste para longe de Edoras, que estava com defesas insuficientes; que ele sabia do desastre dos Vaus do Isen e da morte de Théodred antes de perseguir os orcs para o remoto Descampado; e que também tinha permitido, contra as ordens gerais, que estranhos andassem livres, e até lhes emprestara cavalos. Após a morte de Théodred, o comando da Fronteira Oeste (mais uma vez sem ordens de Edoras) foi assumido por Erkenbrand, Senhor da Garganta do Abismo e de muitas outras terras no Folde Ocidental. Na juventude fora, como a maioria dos senhores, um oficial dos Cavaleiros do Rei, mas não era mais. Era, no entanto, o principal senhor da Fronteira Oeste, e, como seu povo estava em perigo, era seu direito e sua obrigação reunir todos dentre eles que fossem capazes de portar armas para resistir à invasão. Assim assumiu também o comando dos Cavaleiros da Tropa Ocidental; mas Elfhelm permaneceu no comando independente dos Cavaleiros da Tropa de Edoras que Théodred convocara em seu auxílio.
Após a cura de Théoden por Gandalf, a situação mudou. O Rei voltou a assumir o comando pessoalmente. Éomer foi reempossado e tornou-se virtualmente Primeiro Marechal, pronto a tomar o comando caso o Rei tombasse ou sua força falhasse; mas o título não era usado, e na presença do Rei em armas ele podia apenas aconselhar e não emitir ordens. O papel que ele efetivamente desempenhava era, portanto, muito semelhante ao de Aragorn: um temível campeão entre os companheiros do Rei****.
Quando a Tropa Completa se reuniu no Vale Harg, e a “linha de viagem” e a ordem de batalha foram consideradas e determinadas na medida do possível*****, Éomer permaneceu nessa posição, cavalgando com o Rei (como comandante do éored líder, a Companhia do Rei) e agindo como seu principal conselheiro. Elfhelm tornou-se Marechal da Terra dos Cavaleiros, liderando o primeiro éored da tropa da Fronteira Leste.
Grimbold (não mencionado antes na narrativa) tinha a função, mas não o título, de Terceiro Marechal, e comandava a tropa da Fronteira Oeste. Grimbold morreu na Batalha dos Campos de Pelennor, e Elfhelm tornou-se lugar-tenente de Éomer como Rei******. Foi deixado no comando de todos os rohirrim em Gondor quando Éomer foi ao Portão Negro, e derrotou o exército hostil que invadira Anórien (O Retomo do Rei, V, final do capítulo IX e início do X). Ele é mencionado como uma das principais testemunhas da coroação de Aragorn (ibid., VI, V). Está registrado que após o funeral de Théoden, quando Éomer reorganizou seu reino, Erkenbrand foi nomeado Marechal da Fronteira Oeste, e Elfhelm Marechal da Fronteira Leste, e esses títulos foram mantidos, em vez de Primeiro e Segundo Marechal, sendo que nenhum deles tinha precedência sobre o outro. Em tempos de guerra, fazia-se uma nomeação especial ao cargo de Sub-Rei: seu detentor governava o reino enquanto o Rei estivesse ausente com o exército, ou então assumia o comando no campo se o Rei, por qualquer razão, permanecesse em casa. Em tempos de paz, o cargo só era preenchido quando o Rei delegava sua autoridade em virtude de doença ou velhice; o detentor era então o Herdeiro natural do trono, caso fosse homem de idade suficiente. Mas na guerra o Conselho não concordava que um Rei idoso enviasse seu Herdeiro à batalha fora do reino, a não ser que tivesse pelo menos mais um filho.

* Estes eram termos usados apenas com referência à organização militar. Seu limite era o Riacho de Neve até sua confluência com o Entágua, e de lá rumo ao norte pelo Entágua. [N. do A.]
** Aqui ficava a casa de Eorl. Depois que Brego, filho de Eorl, se mudou Para Edoras, ela passou às mãos de Eofor, terceiro filho de Brego, de quem descendia Éomund, pai de Éomer. O Folde era parte das Terras do Rei, mas Aldburg continuava sendo a base mais conveniente para a Tropa da Fronteira Leste. [N. do A.]
*** Isto é, quando Éomer perseguiu os orcs, captores de Meriadoc e Peregrin, que haviam descido a Rohan das Emyn Muil. As palavras que Éomer usou com Aragorn foram: “Conduzi meu éored, homens de minha própria casa” (As Duas Torres, III, II).
**** Os que não conheciam os acontecimentos da corte naturalmente presumiam que os reforços enviados para o oeste estavam sob o comando de Éomer, como único Marechal da Terra dos Cavaleiros remanescente. [N. do A.] — Aqui a referência é às palavras de Ceorl, o Cavaleiro, que encontrou os reforços vindos de Edoras e lhes contou o que ocorrera na Segunda Batalha dos Vaus do Isen (As Duas Torres, III, VII).
***** Théoden convocou um conselho dos “marechais e capitães” imediatamente, e antes de fazer sua refeição; mas este não está descrito, pois Meriadoc não estava presente (“Gostaria de saber sobre o que estão conversando”). [N. do A.] — A referência é a O Retorno do Rei. V, III.
****** Grimbold era um marechal menor dos Cavaleiros da Fronteira Oeste sob comando de Théodred, e recebeu esse posto, como homem valoroso em ambas as batalhas dos Vaus, porque Erkenbrand era mais velho, e o Rei sentia que era necessário alguém com dignidade e autoridade para ser deixado no comando das tropas de que podia dispor para a defesa de Rohan. [N. do A.] — Grimbold não é mencionado na narrativa do Senhor dos Anéis antes da organização final dos rohirrim diante de Minas Tirith (O Retorno do Rei, V. V).


(ii)
Uma longa nota sobre o texto (na parte em que se discutem as opiniões divergentes dos comandantes sobre a importância dos Vaus do Isen, é apresentada aqui. Seu primeiro trecho repete em larga medida a história relatada em outro lugar deste livro, mas julguei melhor publicá-la na íntegra.
Nos dias antigos, o limite meridional e oriental do Reino do Norte havia sido o Rio Cinzento; o limite ocidental do Reino do Sul era o Isen. À terra entre eles (a Enedwaith ou “região média”) poucos númenorianos jamais haviam ido, e nenhum se estabelecera ali. Nos dias dos Reis era parte do reino de Gondor*, mas era de pouca importância para eles, exceto para a patrulha e manutenção da grande Estrada Real. Esta se estendia desde Osgiliath e Minas Tirith até Fornost no norte longínquo, atravessava os Vaus do Isen e cruzava Enedwaith, mantendo-se nas terras mais altas no centro e no nordeste até precisar descer à região ocidental em torno do baixo Rio Cinzento, que atravessava por um dique elevado que levava a uma grande ponte em Tharbad. Naquela época, a região era pouco populosa. Nos pântanos das fozes do Rio Cinzento e do Isen viviam algumas tribos de “Homens Selvagens”, pescadores e caçadores de aves, mas aparentados, na raça e no idioma, com os drúedain das florestas de Anórien**. Nos sopés ocidentais das Montanhas da Névoa morava o remanescente do povo que os rohirrim mais tarde chamaram de terrapardenses: um povo taciturno, aparentado com os antigos habitantes dos vales das Montanhas Brancas que foram amaldiçoados por Isildur***. Tinham pouco apreço por Gondor, mas, apesar de bastante intrépidos e ousados, eram muito poucos e tinham excessivo respeito pelo poderio dos Reis para incomodá-los, ou para desviar os olhos de leste, de onde vinham todos os seus principais perigos. Os terrapardenses sofreram, como todos os povos de Arnor e Gondor, na Grande Peste dos anos de 1636-37 da Terceira Era, porém menos que a maioria, visto que moravam separados e pouco tratavam com outros homens. Quando terminaram os dias dos Reis (1975-2050) e começou o declínio de Gondor, deixaram efetivamente de ser súditos de Gondor. A Estrada Real não era mantida em Enedwaith, e a Ponte de Tharbad, arruinada, foi substituída apenas por um perigoso vau. Os limites de Gondor eram o Isen e o Desfiladeiro de Calenardhon (como se chamava então). O Desfiladeiro era vigiado pelas fortalezas de Aglarond (o Forte da Trombeta) e Angrenost (Isengard); e os Vaus do Isen, o único acesso fácil a Gondor, eram sempre guardados contra qualquer incursão vinda das “Terras Selvagens”.
Mas, durante a Paz Vigilante (de 2063 a 2460), o povo de Calenardhon minguou: os mais vigorosos, ano após ano, iam para o leste para manter a linha do Anduin; os que ficavam tornaram-se rústicos e muito afastados das preocupações de Minas Tirith. As guarnições dos fortes não eram renovadas, e eram deixadas aos cuidados de chefes hereditários locais cujos súditos tinham sangue cada vez mais misto. Pois os terrapardenses continuamente atravessavam o Isen, sem serem detidos. Era assim quando se renovaram os ataques a Gondor vindos do leste, e orcs e Orientais invadiram Calenardhon e sitiaram os fortes, que não teriam resistido por muito tempo. Então chegaram os rohirrim: e, após a vitória de Eorl no Campo de Celebrant no ano de 2510, seu povo numeroso e aguerrido precipitou-se Calenardhon adentro com inúmeros cavalos, expulsando ou destruindo os invasores do leste. Cirion, o Regente, deu-lhes a posse de Calenardhon, que daí em diante foi chamada de Terra dos Cavaleiros, ou em Gondor Rochand (mais tarde Rohan). Os rohirrim começaram imediatamente a povoar aquela região, porém durante o reinado de Eorl suas fronteiras orientais, ao longo das Emyn Muil e do Anduin, estavam ainda sob ataque. Mas no tempo de Brego e Aldor os terrapardenses foram outra vez desenraizados e expulsos para além do Isen, e os Vaus do Isen foram guardados. Assim os rohirrim atraíram o ódio dos terrapardenses, que somente seria apaziguado quando do retorno do Rei, então ainda num futuro longínquo. Sempre que os rohirrim estavam fracos ou em apuros, os terrapardenses renovavam seus ataques.
Jamais houve uma aliança entre povos observada mais à risca por ambos os lados que a aliança entre Gondor e Rohan sob o Juramento de Cirion e Eorl; nem jamais houve guardião das amplas planícies relvadas de Rohan que fosse mais condizente com sua terra que os Cavaleiros. Não obstante, havia em sua posição uma grave fraqueza, como se demonstrou com maior clareza nos dias da Guerra do Anel, quando ela quase causou a ruína de Rohan e de Gondor. Era decorrente de muitos fatores. O principal era que os olhos de Gondor sempre tinham-se voltado para o leste, de onde vinham todos os seus perigos; a inimizade dos terrapardenses “selvagens” parecia aos Regentes ter pouca importância.
Outro fator era que os Regentes mantinham sob seu próprio domínio a Torre de Orthanc e o Círculo de Isengard (Angrenost); as chaves de Orthanc foram levadas para Minas Tirith, a Torre foi fechada, e o Círculo de Isengard ficou guarnecido apenas por um chefe hereditário gondoriano e seu reduzido povo, aos quais se uniram os antigos guardas hereditários de Aglarond. A fortaleza dali foi reparada com a ajuda de pedreiros de Gondor, e depois entregue aos rohirrim****. Dali eram supridos os guardas dos Vaus. A maior parte de suas habitações estabeleceu-se em volta dos sopés das Montanhas Brancas e nas ravinas e vales do sul. Aos limites setentrionais do Folde Ocidental só iam raramente e se fosse necessário, encarando com temor as beiras de Fangorn (a Floresta Ent) e as muralhas sombrias de Isengard. Pouco interferiam com o “Senhor de Isengard” e sua gente secreta, que acreditavam ser praticantes de magia negra. E de Minas Tirith era cada vez mais raro que viessem emissários a Isengard, até que cessaram. Parecia que, em meio às suas preocupações, os Regentes haviam esquecido a Torre, apesar de guardarem as chaves.
No entanto, a fronteira ocidental e a linha do Isen eram naturalmente comandadas por Isengard, e isso evidentemente fora bem compreendido pelos Reis de Gondor. O Isen descia da nascente ao longo da muralha oriental do Círculo e, enquanto seguia rumo ao sul, era ainda um rio jovem que não oferecia grande obstáculo a invasores, apesar de suas águas serem ainda muito velozes e estranhamente frias. Mas o Grande Portão de Angrenost abria-se a oeste do Isen; e, se a fortaleza estivesse bem guarnecida, os inimigos das terras do oeste teriam de ser muito numerosos para pretender penetrar no Folde Ocidental.
Ademais, Angrenost distava dos Vaus menos da metade da distância de Aglarond, e uma ampla estrada para cavalos levava dos Portões aos Vaus, na maior parte do percurso sobre terreno plano. O temor que assombrava a grande Torre e o medo das trevas de Fangorn, que se estendia atrás, poderiam protegê-la por algum tempo; mas, se estivesse desguarnecida e abandonada, como ficou nos últimos dias dos Regentes, essa proteção não valeria muito.
E foi o que aconteceu. No reinado do Rei Déor (2699 a 2718), os rohirrim descobriram que não bastava vigiar os Vaus. Já que nem Rohan nem Gondor davam importância àquele canto afastado do reino, só mais tarde foi que se soube o que acontecera ali.
A linhagem dos chefes gondorianos de Angrenost terminara, e o comando da fortaleza passou às mãos de uma família do povo. Estes, como se disse, já havia muito eram de sangue misto e tinham agora mais simpatia pelos terrapardenses que pelos “homens selvagens do norte” que haviam usurpado a terra. Não se ocupavam mais da longínqua Minas Tirith. Após a morte do Rei Aldor, que havia expulsado os últimos terrapardenses e até mesmo assolado suas terras em Enedwaith à guisa de represália, os terrapardenses, sem serem notados por Rohan, mas com a conivência de Isengard, começaram a infiltrarse outra vez no norte do Folde Ocidental, estabelecendo povoados nas ravinas das montanhas a oeste e a leste de Isengard, e até mesmo nas bordas meridionais de Fangorn. No reinado de Déor, tornaram-se abertamente hostis, atacando as manadas e coudelarias dos rohirrim no Folde Ocidental. Logo ficou claro para os rohirrim que esses atacantes não haviam atravessado o Isen pelos Vaus ou em qualquer ponto muito ao sul de Isengard, pois os Vaus estavam vigiados*****. Déor liderou, portanto, uma expedição rumo ao norte e topou com uma hoste de terrapardenses. Derrotou-os; mas ficou atônito ao descobrir que Isengard também era hostil. Pensando ter libertado Isengard de um cerco terrapardense, enviou mensageiros a seus Portões com palavras de boa vontade, mas os Portões se fecharam diante deles, e a única resposta que receberam foram flechadas. Como se soube mais tarde, os terrapardenses, tendo sido recebidos como amigos, haviam tomado o Círculo de Isengard, matando os poucos sobreviventes de seus antigos guardas que não queriam (como a maioria) se misturar ao povo terrapardense. Déor imediatamente mandou notícias ao regente em Minas Tirith (à época, no ano de 2710, Egalmoth), mas este não pôde enviar auxílio, e os terrapardenses permaneceram ocupando Isengard até que, reduzidos pela grande penúria após o Inverno Longo (2758-59), renderam-se à fome e capitularam a Fréaláf (mais tarde primeiro Rei da Segunda Linhagem). Déor, entretanto, não tinha forças para assaltar ou sitiar Isengard; e por muitos anos os rohirrim tiveram de deixar uma forte tropa de Cavaleiros no norte do Folde Ocidental. Esta foi mantida até as grandes invasões de 2758******.
Assim, é fácil compreender as boas-vindas que Saruman recebeu tanto do Rei Fréaláf quanto de Beren, o Regente, quando se ofereceu para assumir o comando de Isengard, repará-la e reorganizá-la como parte das defesas do Oeste. Portanto, quando Saruman fixou residência em Isengard, e Beren lhe deu as chaves de Orthanc, os rohirrim voltaram à sua política de guardar os Vaus do Isen como ponto mais vulnerável da sua fronteira ocidental.
Pouca dúvida pode haver de que Saruman fez sua oferta de boa-fé, ou pelo menos com boa vontade em relação à defesa cio Oeste, desde que ele próprio permanecesse como principal pessoa dessa defesa, e chefe do seu conselho. Era sábio e percebia claramente que Isengard, com sua posição e grande força, natural e artificial, era da máxima importância. A linha do Isen, entre as pinças de Isengard e do Forte da Trombeta, era um baluarte contra invasões do leste (fossem incitadas e guiadas por Sauron ou outras), que se destinassem a circundar Gondor ou a invadir Eriador. Acabou, porém, voltando-se para o mal e se tornou um inimigo. No entanto, os rohirrim, apesar de terem avisos de sua crescente hostilidade a eles, continuaram a concentrar nos Vaus sua força principal no oeste, até que Saruman, em guerra aberta, lhes mostrou que os Vaus ofereciam pouca proteção sem Isengard, e menos ainda contra ela.

* A afirmativa de que Enedwaith, nos dias dos Reis, era parte do reino de Gondor parece conflitar com a imediatamente anterior, de que “o limite ocidental do Reino do Sul era o Isen”. Em outro lugar consta que Enedwaith “'não pertencia a nenhum dos reinos”.
** Cf. p. 297, onde se diz que “um grupo bastante numeroso, mas bárbaro, de pescadores morava entre as fozes do Gwathló e do Angren (Isen)”. Lá não se faz menção a qualquer parentesco entre esses povos e os drúedain, embora conste que estes viviam (e lá sobreviveram até a Terceira Era) no promontório de Andrast, ao sul das fozes do Isen.
*** Cf. O Senhor dos Anéis, Apêndice F (Dos homens): “Estes [os habitantes da Terra Parda] eram remanescentes dos povos que haviam habitado os vales das Montanhas Brancas em épocas passadas. Os Mortos do Templo da Colina eram da sua estirpe. Mas nos Anos Escuros outros se haviam mudado para os vales meridionais das Montanhas Sombrias, e de lá alguns haviam migrado para as terras vazias ao norte, até as Colinas dos Túmulos. Deles descendiam os homens de Bri. mas havia muito tempo eles se tinham sujeitado ao Reino do Norte de Arnor, adotando a língua westron. Somente na Terra Parda os homens dessa raça se ativeram à sua antiga fala e costumes: um povo reservado, hostil aos dúnedain, que odiava os rohirrim”.
**** Que a chamavam de Glôemscrafu, mas à fortaleza de Súthburg, e após os dias do Rei Helm de Forte da Trombeta. (N. do A.) — Glôemscrafu (onde o sc é pronunciado como sh) é anglo-saxão, “cavernas de radiância”, com o mesmo significado de Aglarond.
***** Muitas vezes faziam-se ataques contra a guarnição da margem oeste, mas não eram levados adiante: na verdade só eram feitos para desviar do norte a atenção dos rohirrim. (N. do A.)
****** Um relato dessas invasões de Gondor e Rohan é apresentado em O Senhor dos Anéis, Apêndice A (I, iv e II).

Nenhum comentário:

Postar um comentário