quarta-feira, 4 de maio de 2016

Capítulo 21

 OSTEN, PELO AMOR DE DEUS, levante-se — mamãe ordenou.
— Mas está tão quente — ele queixou-se à medida que começamos o que seria uma maratona de sessões de foto.
Papai deu um passo ao meu lado.
— Você pode se esforçar por cinco minutos para fotos, filho.
Ahren riu.
— Oh, eu sentirei falta de todos vocês.
Dei um tapa nele.
— Estou tão feliz que ninguém esteja filmando isso.
— Está bem, está bem. Estamos todos prontos — papai chamou o fotógrafo.
Ele e mamãe posaram atrás de mim, seus braços na parte de trás da minha cadeira. Osten e Ahren ajoelharam-se cada um de um lado meu, enquanto Kaden ficou com uma mão atrás das costas, quase me desafiando a parecer o membro mais majestoso do dia. O fotógrafo disparou foto após foto até que ficou satisfeito.
— E quem é o próximo?
Todos nós permanecemos onde estávamos, puxando Camille para perto. Então, depois de uma imagem de toda a família, os meninos da Elite também tiraram um retrato conosco.
Então veio uma foto minha com os Leger, e em seguida, com cada um dos membros do conselho, incluindo Lady Brice, que abandonou a pose tradicionalmente rígida e me abraçou com força em seu lugar.
— Estou tão orgulhosa! — ela continuava dizendo. — Tão, tão orgulhosa!
Então, é claro, tivemos que tirar uma foto com toda a família Woodwork. Josie veio tão rápido quanto pôde, colocando-se praticamente no centro e na frente de todos. Balancei a cabeça enquanto Madame Marlee me dava um grande abraço.
— Estou tão feliz por você, querida. Você cresceu tão rápido.
Eu ri.
— Obrigada, Madame Marlee. Estou feliz que todos possam estar aqui hoje.
O Sr. Woodwork sorriu.
— Como se alguém fosse perder isso. Parabéns.
Madame Marlee segurou minhas mãos.
— Estes últimos meses, vendo-a crescer, e assistindo você e Kile ficarem tão próximos, têm sido maravilhosos.
Eu sorri.
— Honestamente, é difícil imaginar não sermos amigos agora. Não posso acreditar que levamos tanto tempo para realmente nos conhecer.
— É engraçado como isso funciona — Madame Marlee respondeu. — Parece uma pena que você e Josie quase não chegaram a passar algum tempo juntas.
— O quê? — Josie perguntou, capaz de ouvir o seu nome até se ele visse em código Morse de outro continente.
— Pode ser bom para vocês fazerem algo juntas — Madame Marlee olhou para nós duas, brilhando de alegria.
— Sim! Nós devemos fazer isso com certeza! — Josie gritou.
— E eu adoraria — menti. — Mas agora que sou rainha, temo que meu tempo livre será muito limitado.
Mamãe sorriu conscientemente atrás de sua amiga. Eu podia ver que ela percebeu exatamente o que eu estava tentando fazer.
Madame Marlee franziu a testa.
— Sim... Oh, já sei! Por que você não deixa Josie acompanhá-la por alguns dias? Ela sempre teve um interesse profundo na vida de uma princesa. Agora ela pode estudar uma rainha!
— Isso. Seria. Maravilhoso! — Josie agarrou a minha mão, e para meu crédito, eu não a afastei.
Com todos esperando pela minha resposta e os olhos de minha mãe me alertando que, rainha ou não, era melhor eu não decepcionar sua amiga mais próxima, eu não tinha escolha.
— Certo. Josie pode me acompanhar por alguns dias. Isso será ótimo.
Josie dançou de volta para o seu lugar, e olhei para Kile, que fazia o seu melhor para não rir da minha mais nova situação. Sua diversão me fez sorrir, e eu me senti confiante de que, pelo menos, pareci feliz nas fotos.
Finalmente foi a hora dos retratos individuais com a Elite. Eu estava com meu vestido de coroação enquanto eles vinham um por um.
Fox foi o primeiro, e ele parecia bem arrumado em seu terno cinza-escuro.
— Ok, então o que eu faço? — perguntou. — Na foto de família, estiquei os braços ao meu lado; mas sinto que eu deveria, não sei, segurar sua mão ou algo assim.
O fotógrafo respondeu:
— Sim, isso seria bom!
E Fox pegou minha mão na sua. Ele deu um passo um pouco para mais perto, e nós sorrimos enquanto cliques atravessavam o ar em rápida sucessão.
Ean chegou ao meu lado, parecendo bastante satisfeito.
— Impressionante, Eadlyn. Absolutamente deslumbrante.
— Obrigada. Você não parece mal também.
— Verdade — disse ele, sorrindo. — Verdade. — Ele se posicionou atrás de mim. — Eu não tive a oportunidade de agradecer-lhe ainda. Tanto o seu perdão quanto a sua discrição.
— Você e eu sempre tivemos uma comunicação mínima. Eu sabia que você estava agradecido.
— Eu estava me preparando para uma vida de decepção — admitiu ele, seu tom o mais próximo do nervosismo que eu já vira. — Considerar que qualquer outra coisa é possível era irreal. Não tenho certeza de como seguir em frente.
— Apenas viva.
Ean sorriu para mim, beijou minha testa, e posicionou-se ao meu lado. Após Ean foi a vez de Kile, e ele atravessou todo o salão, me fazendo gritar quando me pegou e me girou.
— Ponha-me no chão!
— Por quê? Porque você é rainha? Vou precisar de uma razão melhor do que isso.
Ele finalmente parou, de frente para a câmera, e eu sabia que estávamos ambos sorrindo como idiotas. Estas fotos seriam espetaculares de um jeito completamente diferente.
— Eu quase me matei tropeçando no manto — ele observou. — A moda é mortal.
— Não diga isso para Hale — respondi.
— Dizer o que para mim? — Hale perguntou assim que eles trocaram de lugar.
— Essa moda que pode matar — Kile ajeitou o terno enquanto começava a andar.
— Ela poderia. Você está maravilhosa — disse ele, me abraçando.
— Muito obrigada por sua ajuda esta manhã. Tudo manteve-se no lugar certo.
— Claro que sim. A senhorita duvidaria das minhas habilidades? — ele brincou.
— Nunca.
Fiquei para trás para que pudéssemos tirar algumas fotos mostrando os nossos rostos, embora eu não pudesse esperar para nos ver abraçados. Finalmente foi a vez de Henri, e seu sorriso era suficiente para transformar este longo dia num mais curto. Ele parou a alguns passos de distância de mim e respirou fundo.
— Você está muito bonita. Estou feliz por você.
Minha mão voou para a boca, tão comovida eu estava.
— Henri. Obrigada! Muito obrigada!
Ele deu de ombros.
— Estou tentando.
— Você está indo bem. Sério.
Ele assentiu e se aproximou de mim, gentilmente me afastando dele. Então, deu a volta para ajeitar o meu manto de modo que ele se agitasse ao meu redor, e veio para o outro lado, colocando as mãos na minha cintura, pairando orgulhoso sobre o meu ombro.
Estava claro que ele tinha pensado muito em como queria que esse retrato fosse, e eu o admirei. Quando o fotógrafo tirou a foto, Henri começou a se afastar, então parou.
— Umm, entä Erik? — ele peguntou, apontando para o amigo.
Kile entendeu e estava em pleno acordo.
— Sim, Erik passou por isso também. Ele também devevir.
Erik simplesmente balançou a cabeça.
— Não, eu estou bem aqui. Está tudo certo.
— Vá em frente, cara, é apenas uma foto — Kile empurrou-o um pouco, mas ele ainda não se movia.
Parte de mim estava preocupada que de alguma forma, todo mundo seria capaz de ouvir o meu coração batendo o seu nome se ele chegasse mais perto. Mas da mesma forma que eu tinha trabalhado duro para evitá-lo nos últimos dias, era desafiador não correr para ele agora.
Fui até ele. E quando ele percebeu que eu estava indo ao seu encontro, seu olhar se ergueu para mim.
Por um instante, tudo no cômodo ganhou vida em minha mente. Como a claridade dos raios de sol e ecoar dos passos, eu podia sentir na ponta dos meus dedos cada vez que alguém se movia.
O mundo despertou quando olhei para ele.
Parei na frente de Erik, esperando que eu não parecesse tão deslumbrado como estava me sentindo.
— Eu não estou ordenando. Estou pedindo.
Ele suspirou.
— Isso faz com que seja mil vezes pior. — Sorrindo, ele pôs a mão na minha, mas antes que eu pudesse puxá-lo para a área demarcada, ele olhou para si mesmo. Assim que a cerimônia terminara, ele tinha tirado o paletó e agora vestia apenas colete e gravata. — Agora estou mal vestido — lamentou.
Suspirei e desabotoei os botões que prendiam o manto sobre meu vestido. Num segundo, Hale veio para dobrá-lo cuidadosamente.
— Melhor?
— Não. — Ele engoliu em seco. — Mas se a senhorita realmente quer...
— Eu quero — inclinei a cabeça e divertidamente bati meus cílios.
Ele riu, percebendo claramente que foi derrotado.
— O que tenho que fazer?
— Ok — sorri, dando um passo para mais perto. — Coloque esta mão aqui — eu disse, colocando-a na minha cintura. — E esta aqui — falei puxando a outra para o meu ombro. Coloquei uma mão em seu peito e outra na curva atrás do seu braço, e ficamos ali em um abraço solto.
— Agora sorria para a câmera.
— Tudo bem — ele concordou.
Com a minha mão em seu peito, eu podia sentir seu coração batendo.
— Acalme-se — falei calmamente. — Finja que somos apenas você e eu.
— Eu não posso.
— Então, eu não sei, diga algo em finlandês.
Ele riu para si mesmo e sussurrou:
— Vain koska pyysit, hauska nainen.
Embora eu não tenha conseguido entender as palavras que ele continuava a murmurar, sabia que nunca seria capaz de esquecer seu tom. Sem olhar para ele, eu podia ouvir seu sorriso, o que só tornou o meu melhor. Eu tinha que me lembrar de respirar, pois eu estava tão ocupada ouvindo-o. Eu sabia no meu coração que estas eram palavras importantes. E não conseguia reconhecer nenhuma.
— Foram fotos ótimas — disse o fotógrafo, e quase instantaneamente Erik deixou cair as mãos.
— Viu? Foi tão horrível? — perguntei.
— Pensei que seria muito, muito mais difícil — confessou, e havia algo engraçado em sua voz, como se tivesse perdido um detalhe.
Eu podia ouvi-lo novamente, o tum-tum do meu coração estúpido. Engoli em seco, ignorando-o, e virando na direção dos passos que vinham ao salão.
— Marid — eu o chamei em saudação.
— Sinto muito me intrometer, mas eu não poderia deixar de me juntar. Existe alguma maneira de eu poder obter uma imagem oficial com a minha nova rainha? — perguntou Marid.
— É claro — estendi a mão, e ele se aproximou, feliz em tomá-la.
— O país está alvoroçado — ele me falou. — Não sei se a senhorita tem ouvido os relatos de hoje, mas a cobertura está bastante positiva.
— Eu não tive um segundo para parar e olhar — confessei enquanto segurava ambas as mãos afetuosamente e enfrentava a câmera.
— Não há necessidade. A senhorita tem pessoas que a um aceno seu poderão lhe contar tudo mais tarde. Apenas estou feliz por ser o primeiro a dizer-lhe que o seu primeiro dia está indo muito bem.
Ele apertou minha mão e eu suspirei, pensando que, talvez, tudo estivesse finalmente se encaixando.

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