quinta-feira, 11 de junho de 2009

Destelhado, descoberto, deslumbrante.

Trimmmmm!!!

- Alô!

- Alô... Tino?

- Sim, quem é?

- Oi, Tino. Sou eu, nonononono. Estou ligando porque chegou um livro novo ilustrado pelo André Neves – só chegou um, viu?! – e estamos todos aqui curiosos para dar uma olhadinha, mas tem um selo, um lacre, que não dá pra tirar... só se comprar o livro... você vai querer?

- Hã... livro novo do André?

- É... a ilustração. O texto não é dele. Deixa eu ler aqui... o texto é da Ninfa Parreiras. O livro é da DCL, o título é UM TETO DE CÉU, tem umas estrelas na capa e o formato é tipo um envelope. Bem bacana. Mas tem um selo, um lacre, que não dá pra tirar... Você vai reservar?

- Vou, vou. Obrigado por ligar.

- Ah, Tino, quando você vier pegar o livro, passa aqui na seção que a gente quer ver o livro, tá? Você vem hoje?

- Hoje não dá. Mas passo aí amanhã à tarde.

- Combinado então. Tá reservado. Não esquece de passar por aqui. Tchau!

- Tchau!

Fiquei curioso, mas naquele dia não deu para ir à livraria. Fui no dia seguinte, conforme havia prometido. Na seção de reservas fui surpreendido com um livro num formato diferente, novidade para mim. Um selo com as inicias de Ninfa e André tornava a obra inviolável para os curiosos. Não dava para tomar um café com o livro antes. Era preciso comprar o livro para depois descobrí-lo. Se não, a gente danifica o livro para um outro cliente. Não tive dúvidas. Um livro da dupla era certeza de uma ótima aquisição. Os dois são artistas do mundo da boa literatura infantil.

Fui ao caixa, investi algumas realidades e – com cuidado – retirei o lacre da fantasia. Ao abrir a capa preta cheia de estrelas, fui presenteado com o mundo de cores de André e com a bela história de Ninfa sobre uma menina, Luana; sua vila, onde só havia uma estação: a seca; onde as casas não têm teto, pois nunca chove por lá – aliás, o teto era o céu; o sol e as estrelas -; um encontro com uma moça da terra das águas e uma troca de presentes. Tudo absurdamente lindo. Emocionante.

Mas, antes de me derreter de paixão pelo texto de Ninfa, entrei no jogo do livro objeto em formato de envelope preto que ao se abrir derrama cores e pede ao leitor que mude a posição do livro para entrar na história. Algumas páginas se desdobram oferecendo surpresas aos olhos do leitor. Algumas palavras crescem, outras dançam nas páginas. O projeto gráfico, assinado por André Neves e Thiago Nieri é FANTÁSTICO. Torna a leitura diferente sem interferir na linearidade do texto. Agiganta o livro. Gostei. Muito.

André – como sempre – faz da sua arte um instrumento para brincar com o leitor. Um olho recortado cabe numa janela; um pássaro entrega o livro para a personagem – o livro que estamos lendo; estrelas pingam do céu como gotas de chuva ou como frutos maduros; há um chafariz de areia colorida; objetos de casas do interior brasileiro; texturas, colagens e talento.

Ninfa - como sempre – faz da sua arte um instrumento para brincar com o leitor. Imprime no papel as frases mais bonitas, como um ourives lapidando o cristal. “O teto era o céu. Sem nuvens, sem chuva. A chuva não conhecia aquelas casas sem teto. A chuva sempre demorava, atrasava, nunca chegava. A chuva perdeu o calendário das estações... perdeu o relógio. A chuva foi chover por outras bandas”. Beleza pura. Rara por estes dias.

Um teto de céu é o resultado de um encontro entre amigos. E a gente sempre oferece o melhor para quem amamos. O melhor tempo, o melhor texto, o melhor traço, o melhor tudo. Assim é o novo livro de Ninfa e André. Fotografia para o meu álbum dos melhores momentos da literatura brasileira para a infância deste começo de século.

E a turma da livraria? Ah, passei uma boa hora tomando café enquanto eles enchiam os olhos de estrelas. Que bom que ainda hajam vendedores de livros interessados em livros. Liguem sempre. Hatuna Matata!!!

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