segunda-feira, 16 de junho de 2008

Há 2000 anos... - Episódios da história do cristianismo no século I, de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier / Chico Xavier

Na intimidade de Emmanuel
Ao Leitor
Leitor, antes de penetrares o limiar desta história, é justo
apresentemos à tua curiosidade algumas observações de Emmanuel, o exsenador
Públio Lentulus, descendente da orgulhosa "gens Cornelia",
recebidas desse generoso Espírito, na intimidade do grupo de estudos
espiritualistas de Pedro Leopoldo, Estado de Minas Gerais.
Através destas observações ficarás conhecendo as primeiras
palavras do Autor, a respeito desta obra, e suas impressões mais
profundas, no curso do trabalho, que foi levado a efeito de 24 de outubro
de 1938 a 9 de fevereiro de 1939, segundo as possibilidades de tempo do
seu médium e sem perturbar outras atividades do próprio Emmanuel, junto
aos sofredores que freqüentemente o procuram, e junto ao esforço de
propaganda do Espiritismo cristão na Pátria do Cruzeiro.
Em 7 de setembro de 1938, afirmava ele em pequena mensagem
endereçada aos seus amigos encarnados:
- "Algum dia, se Deus mo permitir, falar-vos-ei do orgulhoso patrício
Públio Lentulus, a fim de algo aprenderdes nas dolorosas experiências de uma alma
indiferente e ingrata.
"Esperemos o tempo e a permissão de Jesus."
Emmanuel não esqueceu a promessa. Com efeito, em 21 de outubro
do mesmo ano, voltava a recordar, noutro comunicado familiar:
- "Se a bondade de Jesus nos permitir, iniciaremos o nosso esforço,
dentro de alguns dias, esperando eu a possibilidade de grafarmos as
nossas lembranças do tempo em que se verificou a passagem do Divino
Mestre sobre a face da Terra.
"Não sei se conseguiremos realizar tão bem, quanto desejamos,
semelhante intento. De ante-mão, todavia, quero assinalar minha confiança
na Misericórdia do Nosso Pai de Infinita Bondade."
De fato, em 24 de outubro referido, recebia o médium Xavier a
primeira página deste livro e, no dia seguinte, Emmanuel voltava a dizer:
- "Iniciamos, com o amparo de Jesus, mais um despretensioso
trabalho. Permita Deus que possamos levá-lo a bom termo.
"Agora verificareis a extensão de minhas fraquezas no passado,
sentindo-me, porém, confortado em aparecer com toda a sinceridade do
meu coração, ante o plenário de vossas consciências. Orai comigo,
pedindo a Jesus para que eu possa completar esse esforço, de modo que
o plenário se dilate, além do vosso meio, a fim de que a minha confissão
seja um roteiro para todos."
Durante todo o esforço de psicografia, o Autor deste livro não
perdeu ensejo de ensinar a humildade e a fé a quantos o acompanham. Em
30 de dezembro de 1938, comentava, em nova mensagem afetuosa:
- "Agradeço, meus filhos, o precioso concurso que me vindes
prestando. Tenho-me esforçado, quanto possível, para adaptar uma
história tão antiga ao sabor das expressões do mundo moderno, mas, em
relatando a verdade, somos levados a penetrar, antes de tudo, na essência
das coisas, dos fatos e dos ensinamentos.
"Para mim essas recordações têm sido muito suaves, mas também
muito amargas. Suaves pela rememoração das lembranças amigas, mas
profundamente dolorosas, considerando o meu coração empedernido, que
não soube aproveitar o minuto radioso que soara no relógio da minha vida
de Espírito, há dois mil anos.
"Permita Jesus que eu possa atingir os fins a que me propus,
apresentando, nesse trabalho, não uma lembrança interessante acerca de
minha pobre personalidade, mas, tão somente, urna experiência para os
que hoje trabalham na semeadura e na seara do Nosso Divino Mestre."
De outras vezes, Emmanuel ensinava aos seus companheiros
encarnados a necessidade de nossa ligação espiritual com Jesus, no
desempenho de todos os trabalhos. No dia 4 de janeiro de 1939, grafava
ele esta prece, ainda com respeito as memórias do passado remoto:
"Jesus, Cordeiro Misericordioso do Pai de todas as graças, são
passados dois mil anos e minha pobre alma ainda revive os seus dias
amargurados e tristes!...
"Que são dois milênios, Senhor, no relógio da Eternidade?
"Sinto que a tua misericórdia nos responde em suas ignotas
profundezas... Sim, o tempo é o grande tesouro do homem e vinte séculos,
como vinte existências diversas, podem ser vin
te dias de provas, de experiências e de lutas redentoras.
"Só a tua bondade é infinita! Somente tua misericórdia pode
abranger todos os séculos e todos os seres, porque em Ti vive a gloriosa
síntese de toda a evolução terrestre, fermento divino de todas as culturas,
alma sublime de todos os pensamentos.
"Diante de meus pobres olhos, desenha-se a velha Roma dos meus
pesares e das minhas quedas dolorosas... Sinto-me ainda envolto na
miséria de minhas fraquezas e contemplo os monumentos das vaidades
humanas... Expressões políticas, variando nas suas características de
liberdade e de força, detentores da autoridade e do poder, senhores da
fortuna e da inteligência, grandezas efêmeras que perduram apenas por
um dia fugaz!... Tronos e púrpuras, mantos preciosos das honrarias
terrestres, togas da falha justiça humana, parlamentos e decretos
supostos irrevogáveis!... Em silêncio, Senhor, viste a confusão que se
estabelecera entre os homens inquietos e, com o mesmo desvelado amor,
salvaste sempre as criaturas no instante doloroso das ruínas supremas...
Deste a mão misericordiosa e imaculada aos povos mais humildes e mais
frágeis, confundiste a ciência mentirosa de todos os tempos, humilhaste
os que se consideravam grandes e poderosos!...
"Sob o teu olhar compassivo, a morte abriu suas portas de sombra e
as falsas glórias do mundo foram derruídas no torvelinho das ambições,
reduzindo-se todas as vaidades a um acervo de cinzas!...
"Ante minhalma surgem as reminiscências das construções
elegantes das colinas célebres; vejo o Tibre que passa, recolhendo os
detritos da grande Babilônia imperial, os aquedutos, os mármores
preciosos, as termas que pareciam
indestrutíveis... Vejo ainda as ruas movimentadas, onde uma plebe
miserável espera as graças dos grandes senhores, as esmolas de trigo, os
fragmentos de pano para resguardarem do frio a nudez da carne.
"Regurgitam os circos... Há uma aristocracia do patriciado
observando as provas elegantes do Campo de Marte e, em tudo, das vias
mais humildes até os palácios mais suntuosos, fala-se de César, o
Augusto!...
"Dentro dessas recordações, eu passo, Senhor, entre farraparias e
esplendores, com o meu orgulho miserável! Dos véus espessos de minhas
sombras, também eu não te podia ver, no Alto, onde guardas o teu sólio de
graças inesgotáveis...
"Enquanto o grande Império se desfazia em suas lutas inquietantes,
trazias o teu coração no silêncio e, como os outros, eu não percebia que
vigiavas!
"Permitiste que a Babel romana se levantasse muito alto, mas,
quando viste que se ameaçava a própria estabilidade da vida no planeta,
disseste: - "Basta! São vindos os tempos de operar-se na seara da
Verdade!" E os grandes monumentos, com as estátuas dos deuses
antigos, rolaram de seus pedestais maravilhosos! Um sopro de morte
varreu as regiões infestadas pelo vírus da ambição e do egoísmo
desenfreado, despovoando-se, então, a grande metrópole do pecado.
Ruíram os circos formidandos, caíram os palácios, enegreceram-se os
mármores luxuosos...
"Bastou uma palavra tua, Senhor, para que os grandes senhores
voltassem às margens do Tibre, como escravos misérrimos!...
Perambulamos, assim, dentro da nossa noite, até o dia em que nova luz
brotara em nossa consciência. Foi preciso que os séculos passassem,
para aprendermos as primeiras letras de tua ciência infinita, de perdão e
de amor!
"E aqui estamos, Jesus, para louvar-te a grandeza! Dá que
possamos recordar-te em cada passo, ouvir-te a voz em cada som
distraído do caminho, para fugirmos da sombra dolorosa!... Estende-nos
tuas mãos e fala-nos ainda do teu Reino!... Temos sede imensa daquela
água eterna da vida, que figuraste no ensinamento à Samaritana...
"Exército de operários do teu Evangelho, nós nos movemos sob as
tuas determinações suaves e sacrossantas! Ampara-nos, Senhor, e não
nos retires dos ombros a cruz luminosa e redentora, mas ajuda-nos a
sentir, nos trabalhos de cada dia, a luz eterna e imensa do teu Reino de
paz, de concórdia e de sabedoria, em nossa estrada de luta, de
solidariedade e de esperança!..."
Em 8 de fevereiro último, véspera do término da recepção deste
livro, agradecia Emmanuel o concurso de seus companheiros encarnados,
em comunicado familiar, do qual destacamos algumas frases:
- "Meus amigos, Deus vos auxilie e recompense. Nosso modesto
trabalho está a terminar. Poucas páginas lhe restam e eu vos agradeço de
coração.
"Reencontrando os Espíritos amigos das épocas mortas, sinto o
coração satisfeito e confortado ao verificar a dedicação de todos ao firme
pensamento de evolução, para a frente e para o alto, pois não é sem razão
de ser que hoje laboramos na mesma oficina de esforço e boa vontade.
"Jesus há-de recompensar a cota de esforço amigo e sincero que
me prestastes e que a sua infinita misericórdia vos abençoe é a minha
oração de sempre."
Aqui ficam algumas das anotações íntimas de Emmanuel, fornecidas
na recepção deste livro. A humildade desse generoso Espírito vem
demonstrar que no plano invisível há, também, necessidade de esforço
próprio, de paciência e de fé para as realizações.
As notas familiares do Autor são um convite para que todos nós
saibamos orar, trabalhar e esperar em Jesus-Cristo, sem desfalecimentos
na luta que a bondade divina nos oferece para o nosso resgate, no
caminho da redenção.
Pedro Leopoldo, 2 de março de 1939.
A EDITORA

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