quarta-feira, 14 de maio de 2008

O Caminho do Xamã - Um guia para manter a saúde e desenvolver o poder de curar, de Michael Harner

INTRODUÇÃO
Os Xamãs — conhecidos no mundo "civilizado" como "curandeiros"
ou "feiticeiros" — preservam um notável conjunto de antigas técnicas, que
usam para obter e manter o bem-estar e a cura para eles próprios e para os
membros das suas comunidades. Esses métodos xamânicos revelam-se de
notável semelhança em todo o mundo, mesmo para povos cujas culturas
são bastante diversas sob outros aspectos, povos que estão separados uns
dos outros por oceanos e continentes, há dezenas de milhares de anos.
Carecendo do nosso avançado nível de tecnologia médica, esses povos
chamados primitivos tiveram excelente razão para se sentirem motivados a
desenvolver capacidades não tecnológicas da mente humana, para a saúde e
a cura. A uniformidade básica dos métodos xamânicos sugere que, por
meio de tentativas e erros, os povos chegam às mesmas conclusões.
O xamanismo é uma grande aventura mental e emocional, onde tanto
o paciente como o curandeiro xamã ficam envolvidos. Através de sua
heróica viagem e de seus esforços, o xamã ajuda seus pacientes a
transcenderem a noção normal e comum que têm acerca da realidade,
inclusive a noção de si próprios como doentes. Faz sentir aos seus pacientes
que eles não estão emocional e espiritualmente sozinhos em suas lutas
contra a doença e a morte. Faz com que eles partilhem de seus poderes
especiais, convencendo-os, em profundo nível de consciência, [pg 013] de
que há outro ser humano desejoso de oferecer seu próprio Eu para ajudálos.
A abnegação do xamã provoca no paciente um compromisso emotivo
correspondente, um senso de obrigação de lutar ao lado do xamã para se
salvar. Zelo e cura caminham juntos.
Hoje estamos descobrindo que mesmo os quase milagres da moderna
medicina ocidental nem sempre são próprios para resolver completamente
todos os problemas dos doentes, ou dos que desejam evitar doenças. Cada
vez mais, os profissionais da saúde, e seus pacientes, estão procurando
métodos de cura suplementares, e muita gente sadia também se empenha
em experimentos pessoais para descobrir abordagens alternativas que sejam
viáveis na busca do bem-estar. Muitas vezes, nesses experimentos, surgem
dificuldades para o leigo, e mesmo para o profissional da saúde, no que
tange a distinguir o espúrio do efetivo. Os antigos métodos do xamanismo,
ao contrário, já foram testados pelo tempo. De fato, eles vêm sendo
testados há um tempo imensuravelmente maior, por exemplo, que a
psicanálise e inúmeras outras técnicas psicoterapêuticas. Um dos objetivos
deste livro é ajudar os ocidentais contemporâneos, pela primeira vez, a
tirarem proveito desse conhecimento, no que se refere à busca de
suplementação das abordagens da medicina tecnológica moderna.
Empregando os métodos descritos neste livro, vocês terão a
oportunidade de adquirir a experiência do poder xamânico e de ajudar a si
mesmos e aos outros. Nos meus centros de treinamento em poder
xamânico, da América do Norte ou da Europa, os estudantes por várias
vezes têm demonstrado que muitos ocidentais podem ser facilmente
iniciados nos pontos fundamentais da prática xamânica. A antiga arte é tão
poderosa, e trespassa de forma tão profunda a mente humana, que os
costumeiros sistemas culturais de crenças e suposições que a pessoa possa
ter sobre a realidade tornam-se irrelevantes.
Há quem chegue a duvidar de que o xamanismo possa ser ensinado
através de um livro e, até certo ponto, essa dúvida se justifica. [pg 014]
Fundamentalmente, o conhecimento xamânico só pode ser adquirido
através da experiência individual. Contudo, será necessário que se aprenda
os métodos a fim de utilizá-los. E eles podem ser aprendidos de diversas
maneiras. Por exemplo, entre os Conibo do Alto Amazonas, "aprender com
as árvores" é considerado um aprendizado superior ao que se tem por
intermédio de um xamã. Entre os aborígenes da Sibéria, a experiência
morte/renascimento era, com freqüência, a principal fonte do conhecimento
xamânico. Em certas culturas pré-letradas, há pessoas que respondem
espontaneamente ao "chamado" do xamanismo, sem nenhum treinamento
formal, enquanto outras treinam sob orientação de um xamã prático, em
qualquer outro lugar, por um dia ou até por cinco anos ou mais.
Na cultura ocidental, a maioria das pessoas jamais chegará a conhecer
um xamã, muito menos será treinada por algum deles. Ainda assim, como a
nossa cultura é letrada, não é necessário que se esteja numa situação de
aprendizado para aprender. Uma orientação escrita pode fornecer a
informação metodológica essencial. Embora de início possa parecer
embaraçoso aprender técnicas xamânicas através de um livro, persista. Sua
experiência xamânica provará seu valor, Como em qualquer outro campo
de aprendizado, considera-se mais importante aprender diretamente com
um profissional. Os que desejarem ter essa experiência podem participar de
centros de treinamento (ver Apêndice A).
No xamanismo, a manutenção do poder pessoal é fundamental para o
bem-estar. Este livro apresentará alguns dos métodos xamânicos para
restabelecer e manter esse poder, e, através do seu uso, ajudar outros que
estejam fracos, doentes ou feridos. As técnicas são simples e eficazes. Seu
uso não exige "crença" nem mudança nas noções que se tem sobre a
realidade no estado comum de consciência. Na verdade, o sistema nem
sempre requer mudança na mente inconsciente, porque ele apenas desperta
o que já existia ali. Contudo, embora as técnicas básicas do xamanismo
sejam simples e relativamente fáceis de aprender, [pg 015] a prática efetiva
do xamanismo exige autodisciplina e dedicação.
Ao se envolver com prática xamânica, a pessoa move-se entre o que
chamo de um Estado Comum de Consciência (ECC) e um Estado
Xamânico de Consciência (EXC). Esses estados de consciência constituem
as chaves da compreensão de como, por exemplo, Carlos Castaneda pode
falar de uma "realidade comum" e de uma "realidade incomum". A
diferença entre esses estados de consciência pode ser exemplificada, talvez,
por meio de animais. Dragões, grifos e outros animais que consideraríamos
"míticos" quando estamos em ECC, são "reais" quando estamos em EXC.
A idéia de que há animais "míticos" é válida e útil interpretação na vida
ECC, mas supérflua e irrelevante em experiências EXC. Pode-se dizer que
"fantasia" é uma palavra aplicada por uma pessoa em ECC ao que está
sendo experimentado em EXC. Em contrapartida, uma pessoa em EXC
pode perceber as experiências em ECC como ilusórias, em termos de EXC.
Ambas estarão certas, conforme o estado de consciência de cada uma.
O xamã tem uma vantagem: é capaz de mover-se entre estados de
consciência à vontade. Pode entrar no ECC de alguém que não seja xamã e
concordar, honestamente, com ele, sobre a natureza da realidade vista a
partir daquela perspectiva. Então, o xamã pode voltar ao EXC e obter uma
informação direta do testemunho de outras pessoas, que relataram suas
experiências quando naquele estado.
A observação a partir dos próprios sentidos é a base para uma
interpretação empírica da realidade. E ainda não existe ninguém, mesmo
nas ciências da realidade comum, que tenha provado, incontestavelmente,
que existe apenas um estado de consciência válido para observações
diretas. O mito do EXC é a realidade comum, e o mito do ECC é a
realidade incomum. Fazer um julgamento imparcial da validade das
experiências em estados contrastantes de consciência é algo extremamente
difícil,
Para compreender a arraigada hostilidade emocional com que [pg 016]
foram recebidos os trabalhos de Castaneda em alguns lugares é preciso ter
em mente que esse tipo de preconceito aparece com freqüência. Trata-se do
etnocentrismo entre as culturas. Nesse caso, todavia, a questão fundamental
não é a pouca experiência cultural da pessoa, mas a falta de experiência
consciente. As pessoas mais preconceituosas a propósito de um conceito da
realidade não comum são as que jamais a experimentaram. Isso pode ser
chamado cognicentrismo, análogo, na percepção, ao etnocentrismo.
Um passo para a solução desse problema poderia ser o aumento do
número de pessoas a se tornarem xamãs, que poderiam passar, por si
mesmas, e em seus próprios termos, pelas experiências em EXC. Esses
xamãs poderiam transmitir uma compreensão da realidade incomum, tal
como têm feito os xamãs desde tempos imemoriais em suas culturas, aos
que nela jamais tivessem entrado. Isso equivaleria ao papel do antropólogo
que, tomando a si a observação participante em outras culturas que não a
própria, está, conseqüentemente, habilitado para passar a compreensão
dessa cultura a pessoas que, de outra maneira, poderiam considerá-la
alheia, incompreensível e inferior.
Os antropólogos ensinam os outros a tentar evitar as armadilhas dó
etnocentrismo, aprendendo a compreender a cultura em termos de suas
próprias suposições sobre a realidade. Os xamãs ocidentais podem prestar
serviço idêntico em relação ao cognícentrismo. A lição do antropólogo é
chamada de relativismo cultural. O que os xamãs ocidentais podem tentar
criar, até certo ponto, é um relativismo cognitivo. Mais tarde, quando se
obtiver um conhecimento empírico da experiência, poderá haver respeito
por suas próprias suposições. Então, talvez tenha chegado o momento de
fazer uma análise imparcial da experiência em EXC, cientificamente, em
termos de ECC.
Pode-se argumentar que nós, seres humanos, passamos a maior parte
da nossa vida, quando acordados, em ECC, porque a seleção natural
entende que assim deva ser, considerando que essa é a realidade real, e os
outros estados de consciência, que não o [pg 017] do sono, são aberrações
que interferem na nossa sobrevivência. Em outras palavras, tal argumento
pode ser aceito, nós percebemos a realidade da forma como costumamos
percebê-la porque esse é sempre o melhor modo, em termos de
sobrevivência. Todavia, avanços recentes em neuroquímica mostram que o
cérebro humano leva consigo suas próprias drogas para alterar a
consciência, incluindo alucinógenos tais como o dimetiltriptamina.1 Em
termos de seleção natural, parece pouco provável que esses alteradores da
consciência viessem a estar presentes, a menos que a sua capacidade de
alterar o estado da consciência trouxesse alguma vantagem para a
sobrevivência. Ao que parece, a própria Natureza resolveu que um estado
alterado de consciência é, ás vezes, superior ao estado comum.
No Ocidente, estamos apenas começando a apreciar o importante
impacto que o estado da mente pode ter sobre aquilo que antes foi, com
excessiva freqüência, tomado como questões de propriedade puramente
"física". Quando, numa emergência, um xamã aborígene australiano ou um
lama tibetano empenha-se numa "viagem rápida" — um transe da técnica
em EXC para percorrer longas distâncias a grande velocidade — isso é,
claramente, uma técnica de sobrevivência que, por definição, não é possível
em ECC. 2
Da mesma maneira, estamos agora aprendendo que muitos dos nossos
atletas mais bem-sucedidos entram em estado alterado de consciência
quando estão tendo seus melhores desempenhos. Levando tudo isso em
conta, parece impróprio argumentar que apenas determinado estado de
consciência é superior em todas as circunstâncias. De há muito o xamã sabe
que essa suposição não somente é falsa, mas também é perigosa para a
saúde e o bem-estar. Usando milênios de conhecimentos acumulados, bem
1 Por exemplo, Mandell, 1978: 73.
2 Elkin 1945: 66-67; 72-73.
como suas experiências diretas, o xamã sabe quando a mudança de um
estado de consciência é aconselhável ou mesmo necessária.
Em EXC, o xamã não só passa por experiências que são impossíveis
em ECC, mas também as realiza. Mesmo que fosse provado [pg 018] que
todas as experiências xamânicas em EXC estão apenas na mente do xamã,
isso não faria esse domínio menos real para ele. Na verdade, tal conclusão
significaria que as experiências e as realizações xamânicas não são
impossíveis, seja qual for o seu sentido.
Os exercícios apresentados neste livro representam minha própria
destilação e interpretação pessoal de alguns métodos xamânicos, velhos de
milênios, que aprendi diretamente com índios da América do Sul e do
Norte, sendo esse aprendizado suplementado com informações literárias e
etnográficas, incluindo a dos outros continentes. Adaptei esses métodos de
forma que os leitores ocidentais, sejam quais forem suas orientações
religiosas ou filosóficas, possam usar essas técnicas em sua vida cotidiana.
Os métodos são tanto para os que se sentem em boa saúde como para os
des-animados, ou de alguma forma doentes. Do ponto de vista do
xamanismo, o poder pessoal é básico para a saúde, em todas as condições
da vida de uma pessoa.
Para se beneficiarem de fato deste livro, as pessoas devem
desempenhar cuidadosamente os exercícios e experiências, na exata
seqüência apresentada, sem tentar fazer os exercícios subseqüentes
enquanto não tiverem tido êxito nos precedentes. Às vezes, é possível que
uma pessoa atinja todos esses estágios em poucos dias, porém é mais
comum que precisem de semanas ou meses. O importante não é a rapidez, e
sim a prática pessoal constante. Enquanto seguirem, de forma disciplinada,
a prática dos métodos que já tiverem aprendido, estarão a caminho de se
tornarem xamãs. E a que ponto serão xamãs? Esse estado só lhes poderá
ser conferido por aqueles aos quais tentarem prestar ajuda em assuntos de
poder e de cura. Em outras palavras, é o sucesso obtido no trabalho
xamânico que determina se as pessoas chegaram ou não a se tornar xamãs.
Elas terão oportunidade de descobrir que, sem usar nenhum tipo de
droga, podem alterar seu estado de consciência para formas xamânicas
clássicas, e entrar na realidade incomum do xamanismo. AH, em EXC,
podem tornar-se videntes e fazer, pessoalmente, [pg 019] a famosa viagem
xamânica, para adquirirem, em primeira mão, o conhecimento do universo
oculto. Também podem descobrir a possibilidade de se beneficiar dessas
viagens xamânicas, em termos de cura e de saúde, usando antigos métodos
que fazem o prognóstico de ambas, e que vão além da psicologia, da
medicina e da espiritualidade do Ocidente. Além disso, podem aprender
métodos sem viagens, através dos quais a pessoa mantém o poder pessoal e
o melhora.
Não é difícil que os ocidentais, ao se aproximarem pela primeira vez
dos exercícios xamânicos, sintam certa perturbação. Ainda assim, em cada
um dos casos que conheço, as ansiedades foram logo substituídas por
sensações de descoberta, por excitação positiva e por confiança em si
mesmo. Não é por acaso que a palavra êxtase refere-se, comumente, tanto
ao transe xamânico ou EXC como a um estado de exaltação e de deleite
arrebatador. A experiência xamânica é positiva, conforme foi verificado
através de milhares de anos, e como vi, muitas e muitas vezes, em meus
centros de treinamento, nos quais os participantes representavam amplo
leque de personalidades.
O EXC, podemos dizer, é mais seguro que sonhar. Num sonho, não
nos é possível escapar voluntariamente de uma experiência indesejada, de
um pesadelo. Ao contrário, a pessoa entra voluntariamente em EXC e,
como esse é um estado desperto e consciente, pode, a qualquer momento,
sair dele, voltando ao ECC. Contrariamente ao que ocorre com uma droga
psicodélica, não há nenhum período de tempo quimicamente determinado
para alguém ficar em estado alterado de consciência, e não há possibilidade
de essa pessoa ficar presa numa "viagem ruim". Os únicos perigos efetivos
que sei estarem ligados à prática do xamanismo são de cunho social e
político. Por exemplo, é claro que era perigoso ser xamã na Europa durante
a época da Inquisição, e mesmo hoje, entre os Jivaro, ser acusado de "mau"
xamã, de feiticeiro, pode mostrar-se arriscado, se práticas diferentes das
aqui ensinadas forem usadas. [pg 020]
Esta é, essencialmente, uma apresentação fenomenológica. Não estou
tentando explicar concepções e práticas xamânicas cm termos de
psicanálise, ou de qualquer outro sistema ocidental contemporâneo de
teoria causai. A causalidade envolvida no xamanismo e na cura xamânica,
é, realmente, uma questão muito interessante, que merece detalhada
pesquisa; entretanto, uma pesquisa científica orientada para a causalidade
não é essencial para o ensino da prática xamânica, que aqui se trata do
objetivo maior. Em outras palavras, as indagações ocidentais sobre o
porquê do funcionamento do xamanismo não são necessárias para que se
façam experiências e se empreguem os métodos.
Tentem conter qualquer prejulgamento crítico quando começarem a
praticar métodos xamânicos. Gozem, simplesmente, as aventuras de uma
abordagem xamânica, absorvam e pratiquem o que leram e, então, vejam
para onde as suas investigações os levam. Durante dias, semanas, e talvez
anos depois de terem usado esses métodos, as pessoas terão muito tempo
para refletir sobre a sua significação a partir de um ponto de vista ocidental.
A forma mais eficaz de aprender o sistema xamânico é usar os mesmos
conceitos básicos que ele usa. Por exemplo, falo de "espíritos" porque é
dessa maneira que os xamãs falam, dentro do seu sistema. Para praticar o
xamanismo é desnecessário, e mesmo perturbador, estar preocupado com a
obtenção de uma compreensão científica daquilo que os "espíritos" podem
realmente representar e com o porquê da atividade do xamanismo.
Sem levar em conta as questões que surgiram a propósito de seu nível
de ficcionismo, os livros de Carlos Castaneda, prestaram valioso serviço ao
introduzirem muitos ocidentais na aventura e na emoção do xamanismo e
de alguns princípios legítimos nele envolvidos. Nas páginas que se seguem
não recapitularei o material acerca dos livros de Castañeda, nem dei a mim
mesmo a tarefa de mostrar equivalências entre seus conceitos e os aqui
apresentados. Para a maioria dos leitores dos seus livros, entretanto, muitos
dos paralelos devem ser bastante óbvios. [pg 021]
Uma das coisas que devo ressaltar é, todavia, que Castañeda não
enfatiza a cura em seus livros, embora essa represente uma das mais
importantes atividades do xamanismo. Talvez isso aconteça porque seu
livro Don Juan está basicamente ligado ao tipo de xamanismo guerreiro (ou
feiticeiro).
A principal meta aqui é fornecer um manual introdutório de
metodologia xamânica para a saúde e a cura. Eu poderia escrever muito
mais, e talvez faça isso no futuro, mas os elementos essenciais básicos aqui
estão, para quem quer que tenha a capacidade de começar a se tornar xamã
e esteja predisposto a fazê-lo. O conhecimento do xamanismo, como outro
conhecimento qualquer, pode ser usado para diferentes fins, dependendo da
maneira pela qual ele é empregado. O caminho que lhes ofereço é o do
curandeiro, não o do feiticeiro, e os métodos oferecidos têm por objetivo
atingir bem-estar e saúde, bem como ajudar aos outros.
Finalmente, devo declarar, se é que isso já não se fez óbvio, que eu
próprio pratico o xamanismo, não porque compreenda, em termos de ECC,
por que ele está em atividade, mas, apenas, porque ele está de fato em
atividade. Não aceitem, porém, só o que eu digo: o conhecimento xamânico
verdadeiramente importante é o que se experimenta, e não pode ser obtido
a partir de mim ou de outro xamã. O xamanismo, afinal, é, basicamente,
uma estratégia de aprendizado pessoal e de ação segundo esse aprendizado.
Eu lhes ofereço uma parte dessa estratégia, e os acolho com prazer nessa
antiga aventura xamânica. [pg 022]

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