sábado, 28 de abril de 2007

LUIS FERNANDO VERISSIMO - O SANTINHO - 28/04/07


Literatura Brasileira - Contos


Luis Fernando Veríssimo reúne contos que falam da infância e do ambiente escolar, traçando um panorama carinhoso da escola brasileira. Com muito talento e bom humor, o escritor ao mesmo tempo faz rir e emociona, ao contar histórias de alunos e professores, pais e filhos, santinhos... e pestinhas também.


sexta-feira, 27 de abril de 2007

Às voltas com a casinha...

E com muito pouco tempo... Uma recomendação simbólica...


LANÇAMENTO DIGITAL SOURCE


Taisha Abelar - A Travessia das Feiticeiras

Esoterismo - Magia


O livro trata do misterioso mundo dos feiticeiros e a autora, que é uma das três mulheres intencionalmente treinadas por alguns feiticeiros do México, relata como foi a sua iniciação e experiência para trilhar este caminho. Segundo o responsável por seu treinamento, Dom Juan Matus, os feiticeiros dividem-se em duas facções complementares - sonhadores e rastejadores - , dependendo para essa definição do seu temperamento básico. Os sonhadores são aqueles que possuem a capacidade inata de entrar em estados de consciência expandida controlando seus sonhos. Os rastejadores, por outro lado, são os feiticeiros que possuem a capacidade inata de lidar com os fatos e adentrar em estados de consciência expandida manipulando e controlando o seu próprio comportamento. Abelar foi colocada neste grupo.




Anaïs Nin - Delta de Vênus

Literatura Estrangeira - Contos e Crônicas - Erotismo

Prostitutas que satisfazem os mais estranhos desejos de seus clientes. Mulheres que se aventuram com desconhecidos para descobrir sua própria sexualidade. Triângulos amorosos e orgias. Modelos e artistas que se envolvem num misto de culto ao sexo e à beleza. Aristocratas excêntricos e homens que enlouquecem as mulheres. Estes são alguns dos personagens que habitam os contos – eróticos – de Delta de Vênus, de Anaïs Nin. Escritas no início da década de 40 sob a encomenda de um cliente misterioso, estas histórias se passam num mundo europeu-aristocrático decadente, no qual as crenças de alguns personagens são corrompidas por novas experiências sexuais e emocionais.


Claúdia Fonseca - Família, Fofoca e Honra

Antropologia - Cîências Humanas & Sociais


Imagem não disponível


São seis capítulos que analisam as famílias e suas relações cotidianas; as fofocas; a situação de classe e os pormenores que criam diferença e estranhamento intraclasse; o poder e sua associação com a violência, a honra e o humor; tudo isso ao descortinar seus códigos, suas formas e seus simbolismos espraiados nas dinâmicas de gênero e de classe social. Segue prefácio, sobre a importância do olhar etnográfico; e epílogo, sobre a alteridade na sociedade de classes. Enganar-se-ia quem pensasse que as histórias dos sujeitos falam por si. Elas só ganham sentido pleno quando recuperadas habilmente na sua integridade sociopolítica e interpretadas a partir de um olhar aberto à sua complexidade.


MICHAEL JECKS - O SÓCIO DO MERCADOR


Michael Jecks - O Sócio do Mercador - Templários Vol. II

Literatura Estrangeira - Templários



Um romance de Michael Jecks, autor de "O Último Templário", contando-nos mais alguns Mistérios sobre os Templários. Um história que prende todos, entretendo até a última página.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

A importância da continuidade III

Nos próximos dias 2 e 3 de Maio regressarei a Montemor-o-Novo para dar o atelier Diz-me quem és, dir-te-ei o que lês. Algumas das turmas são as mesmas do ano passado, pelo que estou satisfeita por poder reencontrar alguns alunos e confirmar se ainda se lembram dos livros propostos na altura, e até se leram algum deles.
Mas a Célia deu-me entretanto uma boa notícia: três alunas recorreram à Biblioteca Municipal para requisitarem um dos livros do atelier Ver para Crer no ano passado, e continuam fiéis leitoras da biblioteca até hoje. Ganhámos por isso três adolescentes de doze anos. Não tenho a certeza se fazem parte de alguma das turmas que vou voltar a ver, mas se assim for, pode ser que voltem a seguir as sugestões que vou apresentar, agora sob a forma de um jogo de associações.
A seguir à experiência de Ponta Delgada, esta será mais um forte contributo para alicerçar a ideia da continuidade como fulcral para a motivação dos adolescentes para a leitura. Quem sabe se não conseguiremos formar um pequeno clube no próximo ano?

quarta-feira, 25 de abril de 2007

HEINZ G. KONSALIK - A FOTO INDECOROSA - 25/04/07



Heinz G. Konsalik - A Foto Indecorosa

Literatura Alemã - Romance


A Foto Indecorosa, aborda um tema leve, extremamente divertido.

A história deste livro do escritor alemão é como sempre rica em personagens e, do mesmo modo que em muitos de seus livros anteriores, se desenrola numa pequena localidade russa, cuja vida é descrita pelo autor com detalhes geniais. Um incidente gera toda a trama, e ele aconteceu quando um fotógrafo local ao trabalhar certo dia na revelação de um filme verificou perplexo que pouco a pouco, porém cada vez mais claramente, o revelador fazia aparecer no papel um lindo corpo desnudo de mulher, com um defeito: a cabeça fora cortada da fotografia, não se podia identificar a mulher...

A Foto Indecorosa é um livro que nos apresenta um novo Konsalik, mas como sempre encaminhando sua história para um desfecho verdadeiramente surpreendente.


25 DE ABRIL, SEMPRE!


ilustração de Alex Gozblau, para o livro Romance do 25 de Abril, com texto de João Pedro Mésseder

25 de ABRIL, SEMPRE!

Para ler, dar a conhecer, recordar e sentir...


MONTEIRO LOBATO - HISTÓRIAS DE TIA ANASTÁCIA - 25/04/07



Monteiro Lobato - Histórias de Tia Anastácia - Ilustrado

Literatura Infanto-Juvenil


Sinopse:

Folclore são coisas que o povo sabe e transmite contando de um para o outro, de pais a filhos. São contos, histórias, anedotas, superstições, sabedoria popular, ditados...

Quem, então, melhor que Tia Nastácia para desfiar as histórias do nosso folclore?

PLANOLÂNDIA - RESENHA


Quando um personagem é simples, esquematico, dizemos que ele é plano, bidimensional... quando um personagem é bem desenvolvido, convincente, dizemos que ele é esférico, tridimensional... Em 1884, o educador, classicista e teologo reformador inglês Edwin A. Abbott deu uma visão de tal analogia em um livro curto, de leitura rápida, que misturava uma sátira sutil e contundente à sociedade vitoriana com um mundo imaginário que se tornaria um modelo de analogia para idéias matemáticas, incluindo a vindoura Teoria Especial da Relatividade, criada por Albert Einstein em 1905. Esse livro se chama "Planolândia - um romance de Muitas Dimensões", publicado pela Editora Conrad.

Quando foi publicado pela primeira vez, o autor usou o pseudonimo de "A. Square", que pode ser traduzido por "Um Quadrado". E um quadrado é justamente o narrador que nos leva ao mundo bidimensional de Planolândia... Esse mundo é povoado por figuras geométricas, bidimensionais. Sua sociedade é rígida, hierárquica: os triangulos isósceles (aqueles com apenas dois lados iguais) estão no nivel mais baixo da escala (soldados tipo "bucha de canhão"), sendo que conforme o número de lados sobe e se torna mais regular (triangulos equilateros, quadrados, pentagonos, hexagonos, etc.) até chegar nos circulos (classe clerical), considerados perfeitos e que controlam as vidas de todos em Planolândia. Pessoas irregulares - com lados e angulos desiguais - são ostracizadas, quando não eliminadas. As mulheres, que recebem a educação mais basica, são linhas retas e devem entoar um "canto de paz" para evitar que alguem acidentalmente seja morto por suas pontas. Essa é a primeira parte do livro, com sua ótima critica - sutil e afiada - contra a sociedade da época em que Abbott vivia - na verdade, tão sutil que se o leitor não prestar atenção, pode achar que o autor (Quadrado/Abbott) concorda com tal sociedade, quando na verdade a critica fortemente, em especial seu tratamento para as pessoas com deficiência e com relação ao acesso a educação permitido para as mulheres da época. E nesse meio tempo, ganhamos um idéia de como seria viver num mundo bidimensional...

Só que a vidinha calma do Quadrado está para ter uma reviravolta gritante quando uma visitante de Espaçolândia, o mundo de Três Dimensões, lhe faz uma visitinha e sofre as consequências de entender que o mundo tem três, e não duas dimensões... Aqui, vemos a Esfera utilizar para explicar a existência da Terceira Dimensão de analogias que mais tarde seriam utilizadas pelo fisicos para nos explicar a existência da Quarta Dimensão, que segundo a Teoria da Relatividade é o Tempo. Sendo o autor um teologo, poderia se esperar que as explicações da Esfera seriam como um relevação divina - e o Quadrado as trata dessa maneira - mas Abbott não se esquece da sociedade que está criticando, quando ironicamente mostra a raiva da Esfera quando o Quadrado começa a perguntar a ela sobre os mundos superiores da Quarta, Quinta, Sexta e por aí vai dimensões... só para levar uma tremenda descompostura, apesar de seus comentários serem uma extrapolação óbvia daquela descoberta...

Naquilo que talvez seja um paralelo com a recepção que a Teoria da Evolução de Charles Darwin teve, o Quadrado descobrirá o que acontece com aqueles que defendem idéias novas, tornando o livro surpreendentemente atual.

Uma das mais modernas teorias da Fisica, a Teoria das Supercordas, postula que nosso universo tem cercas de onze dimensões, sendo que sete delas são invisiveis para nós... enquanto a Ciência continua a sua busca para descobrir os segredos da Natureza, nós continuamos presos a nossos preconceitos, de tal forma que o Quadrado ainda pode infelizmente clamar "Ai de nós, a cegueira e o preconceito são traços comuns à humanidade em todas as dimensões!"

Se continuaremos assim, isso é uma questão que só depende de nós mesmos.

CATHY EAST DUBOWSKI - SR. E SRA. SMITH - 24/04/07



Cathy East Dubowsky - Sr. e Sra. Smith

Literatura Estrangeira - Romance


Jane e John Smith, interpretados no cinema por Brad Pitt e Angelina Jolie, contam detalhes explosivos de sua vida. Vítimas de amor à primeira vista, os dois vivem numa casa cinematográfica... mas a paixão já não é mais a mesma. Situação que dura até serem contratados para uma mesma missão secreta que poderá reacender a chama dessa paixão... ou terminar num frio e sangrento assassinato. Embarque nessa aventura e apaixone-se por Sr. e Sra. Smith, a história de um casal que consegue ser sexy e charmoso até dependurado por um fio entre dois arranha-céus.


CAIO FERNANDO ABREU - AS FRANGAS - ILUSTRADO - 24/04/07


Caio Fernando Abreu - As Frangas - Ilustrado

Literatura Infanto-Juvenil


LINK ALTERNATIVO

A partir de "A Vida Íntima de Laura", um livro de Clarice Lispector destinado a crianças, que Caio Fernando Abreu considerava a melhor história sobre galinhas que conhecia, foi criado o texto de "As Frangas". Conta a história de algumas simpáticas galináceas que moram sobre uma geladeira, em cima de um "tapetinho" escolhido a dedo: um volume de "A Vida Íntima de Laura". De modo bem espirituoso, o autor apresenta suas heroínas, narrando as manhas e manias da sueca Ulla, da nordestina Gabi, das três Marias (Maria Rosa, Maria Rita e Maria Ruth), da empinadíssima Otília, da bela Juçara e da norte-americana Blondie.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Conversas em Montemor

Também no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Livro, estivemos ontem ao final da tarde numa conversa organizada pela Célia, da Biblioteca Municipal de Montemor-o-Novo, Almeida Faria. No agradável espaço exterior da Biblioteca, conversámos num clima informal com várias professoras do 1º ciclo do Concelho. Partimos do livro da prof. Betina Astride, Ciberleitura, contributo das TIC para a Leitura no 1º ciclo do ensino básico, para abordarmos algumas estratégias, preconceitos, boas vontades e dificuldades. Ficámos a conhecer novas realidades e partilhámos preocupações. Agradecemos à Célia pelo empenho e motivação e recomendamos um novo blog, criado pela prof. Betina para apresentação dos trabalhos desenvolvidos pelos seus alunos do 1º e 2º ano do 1º ciclo: http://eb1ciborro.blogs.sapo.pt/. É mais um contributo para a inclusão de novas plataformas no ensino e motivação das crianças para a leitura e para a escrita.

Ver para Crer com inovação...

Ontem estive em Alcabideche, um polo da Biblioteca Municipal de Cascais, a dar o atelier Ver para Crer a uma turma do 7º ano, no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Livro.
Na escolha dos livros a apresentar, resolvi introduzir uma alteração. Palavra que voa de João Pedro Mésseder (texto) e Gémeo Luís (ilustração), Caminho, é um álbum em que a ilustração e o verso dialogam, estendendo os limites do poema ao infinito de formas e movimentos do vento, dos sonhos, das palavras.
Quando resolvi integrar este livro num grupo de narrativas de mistérios e aventuras, relatos e problemas ficcionados do dia a dia dos adolescentes, fi-lo com a intenção de pôr em causa a ideia feita de que um album não se destina a crianças, só porque tem ilustração e pouco texto. Mas o efeito não foi o esperado, já que muitos dos que estavam na sala, preferiram este livro quando constataram que seria pequeno e com pouco texto. Apesar de, segundo alguns, a capa não ser muito apelativa. Estavam a tentar desvirtuar a ideia de uma escolha pela positiva. Ora, alterei a minha estratégia, adaptando-a a este preconceito, igualmente frequente em adolescentes com aparente preguiça mental, como era o caso. Quando apresentei as temáticas de cada um dos livros, reservei o Palavra que voa para o fim, já que a sua dimensão me permitia lê-lo. De repente, o que parecia fácil tornou-se complexo. Houve quem dissesse que o texto não fazia sentido, e então reli-o, passando as folhas para que os alunos pudessem acompanhar a leitura observando as ilustrações. Ganhei três leitoras que no final tinham realmente gostado do livro. E obrigado os restantes a votarem sem contornar uma regra básica: o seu sentido de gosto.

Edwin A. Abbott - Planolândia


Edwin A. Abbott - Planolândia

Literatura Inglesa - Sátira


Escrita em 1884, a história se passa em um universo bidimensional habitado por figuras geométricas. O narrador e protagonista é um quadrado, que apresenta ao leitor a organização social e política de seu país, onde o prestígio social relaciona-se ao número de lados e à regularidade destes. Assim, as camadas sociais variam de forma ascendente dos triângulos isósceles aos círculos, que constituem o topo da hierarquia. As mulheres - não por acaso - são apenas um segmento de reta que, quando visto por um planolandês, pode causar sérios acidentes, como perfurar um transeunte distraído. Mas todo esse universo é abalado com a visita inusitada de uma esfera, que chega a Planolândia para anunciar a "boa nova": a existência de um mundo tridimensional.


segunda-feira, 23 de abril de 2007

LANÇAMENTOS



Agatha Christie - Desenterrando o Passado



Este livro nasceu do casamento de Agatha Christie com seu segundo marido, o jovem e brilhante arqueólogo Max Mallowan. Ao seu lado, a escritora percorreu todo o Oriente Médio. Desenterrando o passado é resultado de suas observações dos fatos ocorridos em quatro expedições arqueológicas à Síria e ao Iraque — sempre usando e abusando do típico senso de humor inglês. Agatha Christie jamais se limitou a ser uma espectadora aguda e privilegiada dos fatos: colaborou com prazer em todas as tarefas do seu marido. Ao narrar os fatos reais, a Sra. Christie Mallowan utiliza as suas habilidades de romancista para tornar extremamente interessantes os acontecimentos cotidianos, os lugares exóticos e os personagens inusitados que cercavam o casal. Com a grande virtude de não se levar a sério todo o tempo, Agatha Christie mostra que sabe rir, com uma ironia generosa, de tudo e de todos. Principalmente de si.





Raymond Khoury - O Último Templário


Quatro homens mascarados montados a cavalo, vestidos como Cavaleiros /Templários, irrompem na noite de gala de inauguração de uma exposição do Vaticano no Museu Metropolitan e roubam um misterioso decodificador medieval, lançando o agente do FBI Reilly e a arqueóloga Tess Chaykin numa corrida mortal por três continentes em busca do local final de descanso do Templo do Falcão e a perturbadora verdade sobre a sua carga.


DIA DO LIVRO


História do livro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


O surgimento e a evolução da escrita e

do livro entre os povos


A história do livro está diretamente ligada à história da humanidade e sua evolução nos diversos meios sócio-culturais e geográficos. Hoje, chamamos de livro a reunião de folhas contendo informações impressas e presas por um lado e montadas com uma capa. Mas na antiguidade não era bem assim.

Entre os sumérios o livro era um tijolo de barro cozido, argila ou pedra, com textos gravados ou cunhados. Esse tipo de escrita é chamado também de cuneiforme e é o primeiro registro humano de escrita, datado de três mil anos a.C.

A primeira evolução deste registro encontra-se no Egito. Os rolos de papiro que chegavam a vinte metros de comprimento, escritos com hieróglifos; é a chamada escrita hieroglífica. A civilização egípcia era dotada de grande religiosidade e a escrita era privilégio de sacerdotes, reis e rainhas, membros da realeza e escribas. O termo hieróglifo advém da união de duas palavras gregas: hierós (sagrado) e glyphós (escrita).

Os indianos faziam livros de folhas de palmeiras. Os maias e os astecas em forma de sanfona, de um material existente entre a casca da árvore e sua madeira. Os chineses, por sua vez, utilizavam rolos de seda para fazer seus livros e os romanos escreviam em tábuas de madeira cobertas de cera.

Com o surgimento do pergaminho, feito geralmente da pele de carneiro, tornou-se possível a confecção de livros como os que nós conhecemos, diferenciando dos atuais no tamanho, pois eram enormes, e caros, pois necessitavam da pele de vários animais.

Mais tarde, embora conhecido há muito tempo na China, o papel chega à Europa e com o invento da prensa de Gutenberg, o livro impresso, feito de papéis costurados e posteriormente encapados, torna-se realidade. Com essa invenção foi possível fazer vários exemplares de um mesmo livro, a um preço acessível, popularizando e democratizando a leitura.

Desde a Antiguidade, o registro da escrita é acompanhado pela religiosidade, pelos privilégios daqueles que de alguma forma mantinham a sociedade sob controle. A história, a transmissão de conhecimento, a informação era assim transmitida, registrada pelas classes sociais que ocupavam cargos de poder. Na Idade Média esse privilégio era detido pela Igreja.

Por estar intimamente ligado a religião, ao poder, à trasmissão de conhecimentos a escrita e os livros sempre foram alvo de censura ou de algum forma de vigilância por parte de autoridades, instituições, seja pelo teor religioso-teológico, pelo teor científico, sexual, informativo.

Na época da Inquisição, em 1559, a Sagrada Congregação da Inquisição Romana publicou o Index Librorum Prohibitorum, ou Lista dos Livros Proibidos, que visava a divulgar para a sociedade uma relação de livros que não poderiam, por seu "conteúdo pernicioso ou subversivo", ser lidos ou publicados.

23 de Abril, Dia Mundial do Livro - 1.º aniversário do Bicho dos Livros

Comemora-se hoje o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor. Neste dia, e no mesmo ano de 1616, morreram Cervantes, Shakespeare e Inca Garcilaso de la Vega. Esta é também a data do nascimento ou da morte de outros proeminentes autores como Maurice Druon, K. Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vallejo. Esta data foi uma escolha natural da Conferência Geral da UNESCO para prestar tributo mundial aos livros e aos autores, encorajando todos, e em particular os jovens, a descobrir o prazer da leitura e a respeitar cada vez mais as contribuições insubstituíveis de todos os que contribuiram para o progresso social e cultural da humanidade.

A ideia desta celebração teve a sua origem na Catalunha onde, a 23 de Abril, uma rosa é habitualmente oferecida como presente a quem compra um livro.

Para O Bicho dos Livros, esta é uma data de festa, de balanço e de partilha. No nosso site, colocámos online uma publicação, em versão electrónica (.pdf), que faz o balanço do trabalho que realizámos em Março com alunos do 5.º ano da escola Roberto Ivens de Ponta Delgada. Escolhemos fazê-lo porque pensamos que esta é uma forma de dar a conhecer melhor o nosso trabalho, de apresentar sugestões de actividades, de partilhar o resultado desta acção. O suporte escolhido vem na sequência de uma reflexão que hoje se impõe, em relação às novas tecnologias e ao papel que podem desempenhar no livro e na promoção da leitura.
Mas, como dissemos atrás, este é o momento para um balanço. Neste primeiro ano, tentámos levar o Bicho a cada vez mais pessoas. Agradecemos as reacções, os comentários e sobretudo a teia de conhecimentos que se foi criando em torno do livro, desse apaixonante objecto. Para o próximo ano novos projectos e ideias surgirão. Contamos com os nossos leitores para nos dar opiniões, fazer sugestões, tornando este espaço cada vez mais aberto e participado.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Os perigos da leitura silenciosa II

«Por exemplo, durante o Século XVIII, ler era sinónimo de ficar envenenado, de ficar doente não só fisicamente, prejudicando os olhos, o cérebro e os nervos devido ao esforço de concentração, mas também espiritualmente, pois a cabeça ficava cheia de ideias falsas que impulsionavam ao desrespeito das regras existentes tanto morais, como religiosas e até políticas. A leitura estimulava demasiado a imaginação e as ideias que eram transmitidas tendiam a ser imitadas na realidade. Os livros eram temidos ainda mais do que as heresias ditas por viva voz. O silêncio do leitor não deixava transparecer as suas ideias e tal situação tornou-se uma preocupação de tal maneira forte que muitos livros, considerados inconvenientes, foram proibidos. Pessoas de bons costumes e de conceituadas tradições morais eram tentadas a comportarem-se de forma não habitual e não desejável. Também no âmbito político a leitura se tornava incómoda, pois através dela as pessoas tinham mais facilmente consciência das desigualdades sociais, conheciam outras realidades e questionavam o seu modo de vida e a sua situação.»

CiberLeitura - O Contributo das TIC para a Leitura no 1º Ciclo do Ensino Básico; Betina Astride Santos, ProfEdições, p.32

quinta-feira, 19 de abril de 2007

O Transponível Super Empty

Luciana Pessanha e José Carlos Lollo - O Transponível Super Empty

Num mundo rodeado de personagens da Marvel, DC e Image Comics, um novo herói ameaça o reinado dos grandes mitos com uma arma inusitada: a fofura. Nada de visão de raio x, força sobrehumana ou garras de adamantium. O Super-Empty ajuda os fracos e oprimidos com uma arma indispensável nos dias esquizofrênicos de hoje: os ouvidos.

Criado por José Carlos Losso e Luciana Pessanha, o super-herói tupiniquim – mesmo que tenha o nome em inglês – chama atenção pelo não convencional. Para fugir do óbvio, o Super-Empty não faz pose nem estufa o peito. Por um motivo muito simples: ele não tem peito. Em seu lugar há um vazio, preenchido apenas com um E. A idéia de um super-herói com um vazio no peito surgiu nas horas vagas de trabalho de José Carlos e Luciana, em 1998. Numa conversa informal, Luciana desenhou um homem com um buraco no peito e a partir disso a idéia foi desenvolvida.

Super-Empty não tem alter ego, mas vive situações muito próximas do cotidiano dos reles plebeus. Tem problema no futebol por querer ser goleiro: sempre é "furado" e leva gol. Nunca consegue ser atingido pela flecha do cupido, pois a seta o atravessa. O único lugar onde consegue ficar invisível é numa fábrica de queijo suíço, onde se confunde com os buracos.

Promovendo uma interessante crítica aos tempos de individualismo que vivemos hoje, o personagem oferece a quem o chama o que tem de mais valioso: atenção. E funciona como terapeuta para que lhe pede ajuda. Todo o método foi fruto do aprendizado levado pelos livros, dos quais se tornou um grande devorador.

Mais que uma história singela, o livro - em suas mais de cem páginas de cartoons – propõe uma reflexão importante nos dias de hoje. Afinal somos solitários porque queremos ou simplesmente porque falta alguém disposto a nos ouvir?

Blog da BE/CRE da EB 2/3 Conceição e Silva

Em dias demasiado longos, não temos tido tempo para leituras ou reflexões. No entanto, não podemos deixar de divulgar o blog da biblioteca da Escola Básica 2/3 Conceição e Silva, na Cova da Piedade, em Almada. Aqui vamos poder acompanhar os produtos escritos dos alunos que resultam das actividades na BE/CRE.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Como pesquisar no Google


Carlos Queiroz Telles - O Rock das Estrelas


Carlos Queiroz Telles - O Rock das Estrelas



Gênero: Infanto Juvenil

É possível enfrentar muitas batalhas e realizar grandes proezas quando se sabe que, no fim do caminho, o amor está esperando.

Mané começa a semana com a maior dor-de-cotovelo: a carioquinha Norma não lhe dá a menor bola. Ele tem até sábado para fazê-la mudar de idéia, para poderem ir juntos à festa do Tiago. Precisa tentar impressioná-la no jogo da quarta-feira... ou seria melhor esquecer , tudo e namorar a Lenita, tão simpática e boazinha?

Como Mané vai conseguir resolver isso, se sua querida irmã, Mariângela, a pata choca, vive azucrinando e se metendo em sua vida?


CAIO FERNANDO ABREU


Caio Fernando Abreu - Pequenas epifanias

Epifania é a expressão religiosa empregada para designar uma manifestação divina. Por extensão, é o perceber súbito e imediato de uma realidade essencial, uma espécie de iluminação. As crônicas escritas por Caio Fernando Abreu retêm essa qualidade, levam o leitor a enxergar, como num clarão, verdades bem escondidas. Este livro apresenta uma seleção dessas epifanias.



Caio Fernando Abreu - Inventário do ir-remediável


Os emblemáticos, revolucionários e referenciais anos 60 não podem deixar de influenciam a obra de quem os estava vivenciando a plenos pulmões, alma e coração. Quando se tem talento e sensibilidade literária para fazer este registro, estão dadas as condições para uma obra. Passados 25 anos, o autor fez uma rigorosa releitura e reescrita de vários contos. O título também foi ligeiramente alterado de 'Irremediável' para 'Ir-remediável', num jogo de palavras de superação e transcendências.


Apontamento sobre História da Leitura

Os perigos da leitura silenciosa...
«Como nova prática, a leitura silenciosa não foi aceite unanimemente. Principalmente junto da Igreja, ela era vista como algo que potenciava o sonhar acordado, o despertar do perigo e do pecado. Além disso, ler em privado permitia uma reflexão individual não passível de censura, o que impossibilitava uma interpretação guiada dando azo a interpretações livres, potencialmente problemáticas.»
Ciberleitura - O contributo das TIC para a Leitura no 1º Ciclo do Ensino Básico; Betina Astride Santos, Profedições; p. 29
Actualmente, o que mais se deseja é precisamente que os leitores, principalmente os mais jovens, reencontrem o prazer de sonhar com e pela leitura.

terça-feira, 17 de abril de 2007

O fim dos suplementos

Algumas palavras para a ausência do suplemento 6ª, do Diário de Notícias, na última sexta-feira. Depois da fusão entre Mil Folhas e Y, que resultou no apagamento do primeiro numa amálgama de informação que aparenta seguir a máxima de 'estar em cima do acontecimento cool', chega a vez do ex-director do Record e Correio da Manhã acabar com o 6ª? Gostaria de saber o que pensam estes senhores, responsáveis por critérios editoriais, da leitura, da sua promoção, quem sabe até do Plano Nacional?
O fosso entre a informação e reflexão sobre arte e o consumo de 'cultura fast-food' avança perigosamente, a ponto de se tornar verdade uma falácia que tem servido os pobres de espírito que escolhem as suas edições (sejam elas da imprensa escrita, rádio ou tv) com base naquilo que as pessoas querem saber... Esta indução trouxe-nos o dissabor da ignorância disfarçada: a tão falada iliteracia. Restam os blogs, onde cada vez mais está tudo o que interessa.
A última nota vai, obviamente, para o Expresso, pelo seu Actual, cujo naipe de colaboradores (pelo menos na área da literatura) tem sido constante desde há muito, o que me permitiu, a mim enquanto leitora assídua do suplemento, seguir os recenseadores por identificar neles uma coerência de 'gosto' com que me identifico. Um critério, quem sabe, arrojado, mas muito mais sério.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

LANÇAMENTOS 16/04


Alberto Moravia - A Romana


Um livro de Alberto Moravia, escrito durante a Segunda Grande Guerra, que se centra na vida simples e aparentemente desinteressante de Adriana, uma jovem habitante de Roma. T raída pelo seu primeiro amor, a romana entrega-se à prostituição como quem se entrega a uma vocação. Numa trajetória de inúmeros amantes, três homens se destacam: um jovem revolucionário, um criminoso foragido e um alto funcionário do governo facista, a romana interliga o destino desses homens, quem têm um final dramático e inesperado. No romance de Moravia o sexo tem um valor sobretudo simbólico.

Mário Vargas Lhosa - Pantaléon e as Visitadoras


izar, dentro do mais absoluto segredo militar, um serviço de prostitutas para aplacar as necessidades dos soldados destacados na selva. Baseado num facto verídico, "Pantaleão e as Visitadoras" é um romance engenhoso, divertido e muitas vezes sarcástico que põe em evidência a outra face de um sistema a partir das suas próprias raízes e que deixa entrever o funcionamento ambivalente de uma instituição.

domingo, 15 de abril de 2007

ANÇAMENTO DIGITAL SOURCE - 1 LIVRO INÉDITO - 15/04/07


Michelle Paver

Irmão Lobo


Irmão Lobo é o primeiro livro das Crônicas das trevas antigas, que contam as aventuras de Torak na Floresta e seus arredores e seus feitos para subjugar os Devoradores de Almas.

NOTA DA AUTORA

Se você pudesse voltar ao mundo de Torak, acharia uma parte dele surpreendentemente familiar e outra parte completamente estranha. Você teria recuado seis mil anos no tempo, para uma época quando a floresta cobria todo o noroeste da Europa. A Idade do Gelo terminara alguns milhares de anos antes, portanto os mamutes e os tigres-dentes-de-sabre haviam desaparecido; e embora a maioria das árvores, plantas e animais viessem a ser os mesmos de agora, os cavalos da floresta eram mais robustos, e você provavelmente ficaria abismado ao ver um auroque pela primeira vez: um enorme boi selvagem com chifres apontando para a frente, com cerca de um metro e oitenta de altura na parte do ombro.

As pessoas do mundo de Torak pareceriam exatamente como eu e você, mas seu modo de vida o surpreenderia por ser tão diferente. Caçadores-catadores viviam em pequenos clãs e movimentava-se demais: às vezes, ficavam poucos dias em um acampamento, como Torak e Pa do Clã do Lobo, ou às vezes ficavam por toda uma lua ou uma estação, como os Clãs do Corvo e do Javali. Eles ainda não tinham ouvido falar em agricultura, e não tinham escrita, metais ou a roda. Não precisavam disso. Eram esplêndidos sobreviventes. Sabiam tudo sobre animais, árvores, plantas e pedras da floresta. Quando queriam uma coisa, sabiam onde encontrá-la ou como fazê-la.

Muito disso eu consegui aprender através da arqueologia: em outras palavras, dos vestígios das armas, comidas, roupas e abrigos que os clãs deixaram para trás na floresta. Mas isso é apenas uma parte. Como eles pensavam? O que acreditavam sobre vida e morte, e de onde vieram? Para isso, pesquisei as vidas de caçadores-catadores mais recentes, inclusive algumas tribos de nativos americanos, os Inuit (esquimós), os San meridional da África, e os Ainu do Japão.

Mesmo assim, restou a questão de como era realmente a sensação de se viver na floresta. Que gosto tem a resina de abeto? Ou o coração de rena, ou alce defumado? Qual a sensação de se dormir em um dos abrigos de frente aberta do Clã do Corvo?

Felizmente, é possível descobrir, pelo menos até certo ponto, porque partes da floresta ainda perduram. Eu estive lá. E, às vezes, bastam cerca de três segundos para se voltar seis mil anos no tempo. Se você ouvir um veado-vermelho berrar à meia-noite, ou encontrar pegadas frescas de lobo atravessando as suas; se, de repente, tiver de convencer um urso bastante nervoso de que você não é nem ameaça nem presa... É aí que você volta para o mundo de Torak.