sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Nova livraria em Lisboa


Fica na Calçada do Combro e chama-se Letra Livre. Quem ma recomendou foi um amigo. Abriu no final de Abril. Ainda não a visitei mas pelo que vi na sua página na internet, lá reencontrarei leituras antigas, que ajudaram a formar a minha personalidade de leitora. Uma das boas notícias é a profusão de pequenas editoras, a outra são os fundos de catálogo.
A página da internet permite, para além de percorrer todo o catálogo, saber algo mais sobre o contexto social daquela zona, bem como a sua relação com o livro.
Vale uma visita.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Histórias na Casa Fernando Pessoa

O que ficou desta sessão de Livros em desassossego:

- que os romances históricos reflectem duas épocas: a do contexto temporal em que a narrativa se passa, e aquela em que o autor vive;
- que os romances hsitóricos podem nascer de um período, uma obra, uma personagem do passado, ou podem servir de cenário a um qualquer tema, ou a um qualquer programa;
- que os romances históricos têm liberdade ficcional para respeitarem ou não os dados históricos que lhes servem de suporte;
- que o subgénero do romance histórico obedece, como todos os géneros e subgéneros, a regras limitativas (embora progressivamente flexíveis): é romance histórico todo o romace cuja localização temporal se passa num período anterior a duas gerações (noção clássica de 1934); no romance histórico a lógica narrativa não tem de obedecer à lógica factual desde que no desenlace o contexto recupere a sua identificação com os dados históricos.

Ao contrário de outras sessões, esta foi pouco frequentada. Talvez porque as pessoas que normalmente frequentam a Casa Fernando Pessoa não apreciam romances históricos, ou o inverso. Ou talvez porque 'a curiosidade pela passagem do tempo' (como referiu Rui Tavares ao sintetizar a relação do leitor com o género) anule estas categorias diferenciadoras que geram muitas vezes produções de formatos pouco sérios.
Esperemos que tal fenómeno não mate, ou relegue para um lugar marginal, a médio prazo, os bons escritores que escrevem romances no passado. Partilho este temor com o editor Zeferino Coelho.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Um acto de promoção

Contos exemplares, título muito propositadamente escolhido, é um blog a reter para quem gosta de literatura e de promoção da leitura.
A literatura começa no título, retirado de Sophia de Mello Breyner, para nos dizer que é de exemplos que trata este espaço. Mas tais exemplos não são morais, argumentativos, explicativos. São exemplos ficcionais, provenientes da mui antiga arte de contar.
Por outras palavras, aqui encontramos pequenos excertos de livros. E, claro, alguns comentários acerca da motivação para ali estarem, ou do autor, ou de outra coisa qualquer.
A promoção da leitura pode fazer-se assim. Deixa-se no ar uma frase, um momento, um diálogo, uma descrição, a capa de um livro, uma pintura, uma cena de um filme. Livremente, podemos deixar-nos encantar pelos diálogos escritos por Agustina Bessa Luís para Party, de Manoel de Oliveira, ou pela anti-fábula de Gonçalo M. Tavares sobre a aranha que não se sabe se ama.

Livros em desassossego de volta

Amanhã recomeçam, na Casa Fernando Pessoa, as sessões de Livros em Desassossego. A fórmula mantém-se: um tema para ser debatido sob as perspectivas implicadas dos convidados; um editor que 'confessa' quais os três livros de outra editora que gostaria de ter publicado; um autor que apresenta a sua mais recente obra (em tom de pré-publicação em presença).
Desta vez, o tema proposto é o seguinte: Aprende-se história lendo romances históricos?
Zeferino Coelho (editorial Caminho); Rui Tavares (historiador); Pedro Almeida Vieira (escritor); António Mega Ferreira (escritor); e Miguel Real (escritor) contribuirão com argumentos e experiências.
Vale a pena assistir. E até participar, no final da conversa, quando o diálogo se estende a todos os presentes. A partir das 21h30. Para encontrar um bom lugar, convém chegar um bocadinho antes.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

O Sam e o Som - Sam and Sound em Matosinhos no Dia Mundial da Música

O livro O Sam e o Som, de Ana Saldanha e Basil Deane e com ilustrações de Gémeo Luís, que nos acompanhou durante o trabalho que desenvolvemos em Maio em Ponta Delgada, vai ser alvo de uma leitura musicada no próximo dia 1 de Outubro, data em que se comemora o Dia Mundial da Música, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca - Matosinhos.
O violoncelista Basil Deane, co-autor e «personagem» do livro, compôs uma música expressamente para a ocasião.
A leitura musicada será feita por dezassete crianças/músicos da Escola de Música Óscar da Silva, acompanhadas pela actriz Sílvia Correia. A direcção musical e artística é de Fátima Correia, Jorge Carvalho e Manuela Campos, professores da Escola de Música.
Ana Saldanha e Gémeo Luís estarão presentes para autografar as suas obras.
Paralelamente, uma exposição com as dezoito ilustrações de Gémeo Luís para O Sam e o Som - Sam and Sound estará patente no átrio da Biblioteca, de 1 a 17 de Outubro.

Aqui fica o programa completo:

  • 1 de Outubro - 11 Horas
    Auditório da Biblioteca
    Conto com música: O Sam e o Som de Ana Saldanha, Basil Deane e Gémeo Luís
  • 1 de Outubro a 17 de Outubro, das 10 às 19 Horas
    Átrio da Biblioteca
    Exposição das ilustrações de Gémeo Luís para O Sam e o Som - Sam and Sound

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Leituras



Dez réis de gente... e de Livros. Notas sobre literatura infantil

Sara Reis da Silva

Editorial Caminho


Este é um livro que aborda de forma muito sumária as características de algumas obras e/ ou escritores da literatura infantil portuguesa contemporânea, como Matilde Rosa Araújo, António Alçada Baptista, Eugénio de Andrade, Manuela Bacelar, entre outros. Para além do carácter de divulgação, esta colectânea permite identificar alguns aspectos da escrita de cada um. Um imaginário mais fantasioso, uma relevância dada ao ritmo e à rima, a influência da lírica medieval nas histórias em verso, a tradição animista, o naturalismo, a fábula. Ao traçar algumas linhas de leitura para os diversos textos, a autora constrói os alicerces para o aprofundamento de um estudo literário comparado de autores e obras.
O conhecimento científico da literatura infantil é essencial para todos os que promovem o livro e medeiam a leitura dos mais novos. Não só para distinguirem temáticas ou estilos, como para identificarem afinidades dos pequenos ouvintes/ leitores.
Este livro pode ser um estímulo para a leitura, pelos adultos interessados, das obras aqui apresentadas. E estas leituras, ou releituras, poderão ter já novas intenções.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Palavras Andarilhas percorrem as ruas de Beja

Começa na próxima quinta-feira, dia 21 de Setembro, a VIII edição das Palavras Andarilhas que vai levar à Biblioteca Municipal José Saramago, em Beja, mais de 250 mediadores de leitura e narradores de todo o país e 50 especialistas nacionais e estrangeiros. Promovida pela Câmara Municipal de Beja, pela Associação para a Defesa do Património da Região de Beja e apoiada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas esta acção é uma excelente oportunidade para técnicos nacionais e estrangeiros reflectirem sobre as questões da leitura, sobre a sua animação e promoção. Para tal, estão previstas diversas conferências e mais de 15 oficinas onde se trabalhará a leitura em voz alta, a escrita criativa, a ilustração, a narração e a animação à leitura.
O programa está disponível aqui.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Bibliofilias - o bibliomóvel de Proença a Nova

O Nuno Marçal, bibliotecário de Proença-a-Nova, tem corrido o concelho de lés a lés com a sua biblioteca itinerante. Das suas visitas às várias povoações e freguesias nos dá conta em O Papalagui. Pedimos ao seu mentor e dinamizador que partilhasse esta experiência: «Ao longo destes 2 meses em que ando com a Bibliomóvel tenho notado uma cada vez maior adesão por parte da população, nomeadamente a mais jovem que se encontra de férias.Os recursos mais utilizados são de longe os computadores, jornais e revistas, entre as quais as de bordados e receitas de culinária(temos serviço de fotocópias). Mas também existem sempre alguns leitores que redescobriram o prazer de ler, que tinham perdido devido à distância da biblioteca mais próxima. O público infanto-juvenil também tem sido um dos maiores habitués na requisição de livros, tanto assim é que tivemos de alargar a nosa oferta de BD e de livros infantis.»
Quem for acompanhando as fotos que Nuno Marçal vai tirando, pode aperceber-se disso mesmo: da aproximação ao livro, ao jornal, à revista, como um ritual bom de combate à solidão. Este momento junta novos e menos novos em torno daquele serviço de diálogo, carinho, entreajuda, chamado bibliomóvel.
Mas é muito mais que isso.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Bibliotecas escolares em Seminário

No próximo dia 25 de Setembro vai realizar-se na Fundação Calouste Gulbenkian o Seminário Internacional sobre Bibliotecas Escolares. A inscrição é gratuita e pode fazer-se até dia 18. O programa parece interessante. O Programa e a ficha de inscrição podem consultar-se aqui.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Bibliotecas de Praia II

O caso de Sines

Estivemos em Sines há duas semanas. Em conversa com a bibliotecária, soubemos que a Biblioteca Municipal de Sines também disponibilizou o serviço itinerante de requisição de livros nas três praias do Concelho. Uma semana em Porto Covo, depois uma em S. Torpes e finalmente uma na praia Vasco da Gama, em Sines. Durante todas as manhãs, uma funcionária da biblioteca trocava livros por uma peça de roupa ou um objecto do leitor, firmando assim um pacto de confiança em torno desse acto de prazer saudável que deve ser a leitura.
A Biblioteca de Praia permitia a requisição de livros durante uma semana, o tempo total da banca no local. Feito o balanço, a iniciativa teve mais sucesso junto do público da praia de Porto Covo, provavelmente por serem na sua maioria turistas, estarem mais disponíveis e não terem acesso à Biblioteca Central. A população autóctone reagiu igualmente bem, mas a proximidade de casa e da Biblioteca poderão ser argumentos para uma adesão em menor escala.
Para além da promoção da leitura, uma iniciativa como esta possibilita um conhecimento mais específico dos leitores, e neste caso, levantou uma nova questão: poderá fazer sentido ter um polo activo em Porto Covo?

O Farol de Sonhos ilumina o Livro Infantil


O Farol de Sonhos - 1.º Encontro sobre o Livro e o Imaginário Infantil vai decorrer entre os dias 11 e 15 de Outubro na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana - Cascais e envolve a realização de exposições, conferências, workshops, lançamento de edições e uma (merecida) homenagem a José Barata-Moura.
Aqui fica o programa que promete discussões esclarecedoras sobre as questões do livro infantil, nas suas diversas vertentes.

11 de Outubro
18h30 - Inauguração das exposições e lançamento das edições;

12 de Outubro
10h30 às 12h30 - Recepção, registo de conferencistas e oferta de edições;
14h - Sessão de abertura;
14h15 - Isabel Alçada e Teresa Calçada;
15h15 - João Paulo Cotrim;
16h - Pausa para café;
16h15 - Barbara Scharioth (Directora da Biblioteca Internacional para a Infância - Munique);
17h - Workshops por Katsumi Komagata (Ilustrador, designer e criador da editora One-Stroke - Tóquio) e Associação "Les Trois Ourses";


13 de Outubro
10h - Conferência por Leo Pizzol (Director da Mostra Internacional de Ilustração para a Infância de Sàrmede);
10h45 - Ju Godinho e Eduardo Filipe (Comissários da ILUSTRARTE – Bienal Internacional de Ilustração para a Infância - Barreiro);
11h30 - Pausa para café;
11h45 - Barbara Brathová (Directora da Bienal de Ilustração de Bratislava - Eslováquia);
12h30 - Pausa para almoço;
14h - Jorge Silva (Designer e director de arte);
14h45 - Associação "Les Trois Ourses";
15h30 - Pausa para café;
15h45 - Katsumi Komagata, com apresentação de Elisabeth Lortic (Bibliotecária, co-fundadora da associação "Les Trois Ourses". Especialista na obra de Katsumi Kamogata;


14 de Outubro
10h - Roberta Chinni (Directora da Feira do Livro Infantil de Bolonha);
10h45 - Sylvie Vassallo (Directora do Centro de Promoção do Livro Infantil - CPLJ);
11h30 - Pausa para café;
11h45 - Christian Bruel (Escritor, editor e especialista em livros infantis. Criador das Éditions Être - Paris);
12h30 - Almoço;
14h - Workshops por Katsumi Komagata e Associação "Les Trois Ourses";
15h - Pausa para café;
15h15 - Homenagem a José Barata-Moura, com apresentação de José Jorge Letria;
16h15 - Conclusões;
16h30 - Sessão de encerramento, com interpretação de arranjo para quarteto de cordas da obra de José Barata-Moura, por José Luís Ferreira;


15 de Outubro
11h30 - Workshop por Katsumi Komagata aberto ao público.

A inscrição, que inclui a participação em todas as conferências, dois workshops e a oferta das edições, pode ser realizada até ao dia 27 de Setembro e tem um número limite. Quem estiver interessado, pode contactar o bicho dos livros e solicitar o envio da ficha, via e-mail, em formato .pdf

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Bibliotecas de Praia

Quando o Verão e as férias chegam ao fim, fazemos um balanço de uma iniciativa que se tem afirmado nos últimos anos: as Bibliotecas de Praia.
Estas bibliotecas têm o mesmo objectivo: levar livros, revistas, jornais e informação noutros suportes (nomeadamente internet) aos veraneantes que se deliciam com uns banhos de sol e mar ou rio. A ideia principal é a de chegar às pessoas, e levar até elas um serviço de requisição ou leitura no local. Estas bibliotecas podem ser bancas, carrinhas, salas aproveitadas para o efeito, desde que o local se preste à proximidade com a população que frequenta a zona balnear.
Este ano, em Portugal, foram muitas as Bibliotecas Municipais a adoptarem esta estratégia de promoção da leitura, numa altura propícia ao lazer e descontracção.
Em Cabeceiras de Basto, por exemplo, uma carrinha percorreu as várias praias fluviais do Concelho; em Sesimbra, a biblioteca de praia fornece jogos de grupo que as crianças levam para a praia, bem como ateliers para o público infanto-juvenil.
No Algarve, foi na praia da Quarteira que o projecto continuou, com uma carrinha e uma esplanada, que permitia simultaneamente a requisição de dois livros de três em três dias, ou a consulta no local, quer de um livro, quer de um periódico.
O que se passa na Praia de Santa Cruz é um excelente indicador do sucesso de uma iniciativa pro-activa de promoção da leitura em continuidade: são os residentes que se manifestam pela sua continuidade no Inverno. Claro que o suporte da internet poderá ser o principal argumento, mas o aumento de adesão de público a actividades como a hora do conto devem ser tidos em conta.
As Bibliotecas de Praia foram uma realidade por todo o país: Caminha- Moledo, Viana do Castelo, Póvoa do Varzim, Matosinhos, Foz do Arelho - Caldas da Rainha, Nazaré, praia fluvial do Rosário - Moita, Melides e Carvalhal - Grândola; Porto Covo, S. Torpes e Vasco da Gama - Sines.