sexta-feira, 28 de julho de 2006

Diário dos Açores IV

Ver para Crer
O grupo que frequentou o curso Ver para Crer era mais novo. Tinham acabado o 1º ano do 1º ciclo, rondavam por isso os sete anos de idade. O nosso principal desafio era, então, motivar para a leitura crianças que ainda não dominavam as competências da leitura e da escrita. A nossa proposta foi trabalhar três livros de entre cinco que lhes apresentámos.
Um dos recursos que utilizámos foi a leitura em voz alta. Normalmente depois de uma actividade de estímulo relativamente à narrativa em questão, líamos em voz alta o livro abordado.
O primeiro foi «O Bebedor de Tinta». O grupo não tinha gostado muito da capa o que nos surpreendeu bastante, já que com crianças dois ou três anos mais velhas, este livro faz imenso sucesso só pelo título e pela imagem da capa. Tentámos especular sobre o tema do texto, sobre quaisquer elementos estranhos que lhes suscitassem interesse. Mas a leitura foi demasiado longa para o nível de concentração e os meninos não se entusiasmaram pelo mistério do vampiro que se alimenta da tinta dos livros.
Chegámos então à conclusão que os livros seguintes deviam obedecer a outras regras: a do ritmo e da repetição. Recuperámos algumas técnicas que a prof. Violante Florêncio indicou na formação a que assisti e os livros que se seguiram funcionaram muito bem.
Com o livro «O Sultão e os ratos» o estímulo tinha sido muito bem sucedido e a história entrava no âmago da imaginação das crianças pelo equilíbrio entre o fascinante palácio do sultão e o conhecimento que todas têm acerca de animais como o cão, o gato, o rato, o leão ou o elefante. Por isso, de cada vez que a cena se repetia, com um animal novo, convidavamos o grupo a adivinhar qual seria. No momento final de cada quadro, repetíamos em coro a lengalenga que servia de refrão à história e permitia assim que o fio narrativo fosse recuperado pelo público ouvinte/ leitor.
O mesmo aconteceu com os «Avós». Aqui, o texto é construído intercaladamente com uma acção e um diálogo a propósito. À medida que a narrativa avança, a resposta do avô aumenta, porque a cada uma se acrescenta um novo argumento para que a avó vá à festa e não se envergonhe com a idade que tem, sem que se esqueça nenhum dos anteriores.
As crianças vão decorando o discurso do avô, grande parte do qual assenta em comparações poéticas, e intervêem em voz alta na leitura quando chega o momento da fala do avô, sempre na espectativa do elemento novo que se acrescenta à descrição.
A leitura em voz alta, treinada, entoada, com alguns gestos que lhe conferem expressividade, e uma escolha acertada dos livros em função do público, funciona muito bem, sempre. Mas o livro tem de ser o principal interveniente, aquele que o público deseja conhecer, pela história, pelas ilustrações.

quarta-feira, 26 de julho de 2006

Dia dos Avós - Uma sugestão

No dia de hoje, a emoção anda à solta.
Lembramos os nossos avós que, com mais ou menos idade, mais simpáticos ou mais teimosos, mais doces ou mais amargos, nos aturam, protegem e fazem crescer.
Da Kalandraka, aqui fica a sugestão: Avós (Chema Heras/Rosa Osuna)
"Tenho os olhos tristes como uma noite sem lua", queixou-se ela."Isso não é verdade!. Tu és linda como o sol!", respondeu ele.

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Parabéns Gulbenkian


A Fundação Calouste Gulbenkian festejou no passado dia 18 de Julho o seu cinquentenário. De entre diversas iniciativas, destaco uma exposição patente na sala de exposições temporárias do edifício da Fundação até 8 de Outubro, intitulada «De Paris a Tóquio. Arte do Livro na colecção Calouste Gulbenkian».
É o percurso de um bibliófilo em busca de uma paixão sem fim: o livro. Para quem tenha curiosidade em saber mais sobre a riqueza e a importância deste mui digno objecto, para quem deseje ver fólios e incunábulos raríssimos, para quem queira admirar a evolução do grafismo e encadernação ao longo dos séculos.
Uma preciosidade que nos faz sentir pequenos, perante a dimensão transversal e intemporal do livro. Para que não nos esqueçamos.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Diário dos Açores III

Biblioteca em construção


O outro objectivo deste curso era o de promover o conhecimento do espaço. A BPARPD funciona nas instalações de um antigo convento de jesuítas, que foram recuperadas de forma a dar resposta às diversas necessidades administrativas e funcionais dos serviços da Biblioteca e do Arquivo. Por isso, este espaço é um privilégio para todos os que lá trabalham e para o público que o frequenta.
Fizemos uma breve visita guiada com o grupo, percorrendo os espaços mais importantes: o bar, a sala multimédia e a sala juvenil no rés-do-chão; a sala infantil, as salas de expressão plástica e dramática no 1º andar e a sala de leitura de adultos e a sala de reservados no 2º andar. A maioria não conhecia a sala juvenil e a sala de leitura dos adultos, pelo que esses foram os principais focos de interesse para eles. Quando subimos as escadas todos assumiram a responsabilidade de estarem num espaço que normalmente não é o seu e ficaram silenciosos e atentos, orgulhosos de estarem ali. A sala de reservados, pelas estantes e pelos livros antigos, despertou-lhes a imaginação para o mistério.
De regresso, pedimos-lhes que desenhassem um mapa da biblioteca, que utilizaram na realização do bibliopaper. Cada grupo recebia uma instrução com pistas acerca do espaço onde se encontrava o livro e de que livro seria. Esta actividade foi o corolário do curso, e todos gostaram bastante. A partir daqui, esperamos que a biblioteca seja um espaço mais familiar para cada um deles, e que o seu crescimento, nomeadamente na adolescência, não os afaste. Oferecer-lhes memórias por um lado e dar-lhes a conhecer os seus próximos espaços de eleição dá-lhes uma perspectiva autónoma de continuidade e futuro, que tentamos evitar que se quebre, como normalmente acontece no início da adolescência.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Diário dos Açores II


Biblioteca em construção

Depois da escolha dos livros, uma actividade que justifica o propósito da escolha. Em cada mesa havia cerca de doze livros, escolhidos pelos quatro elementos de cada grupo. Agora, os livros deveriam ser arrumados nas estantes da nossa sala, de forma a simularmos uma das funções do bibliotecário.
Só que em vez de nos determos nas regras de catalogação comummente utilizadas, escolhemos outros critérios com o objectivo de incentivarmos o reconhecimento das marcas paratextuais dos livros, nomeadamente a importância dos títulos, autores, colecções, e outros dados como o tamanho, o tipo de capa, o número de páginas, a informação da lombada, o grafismo. Cada grupo recebeu um critério secreto de arrumação dos seus livros, ao qual tentou obedecer. Em seguida, os restantes grupos tentariam adivinhar qual o critério utilizado a partir da observação dos livros nas estantes.
A ideia do jogo alimenta o que as crianças têm de melhor e pior: a competição. Por isso é importante usarmos o jogo num primeiro momento, como motivação para a actividade, que nem sempre é tão simples como parece. Depois, quando se realizam as tarefas a vitória e a derrota podem ser contornadas, mesmo que algumas crianças fiquem um pouco frustradas.
Este grupo era bastante competitivo e pouco solidário, por isso tentámos sempre valorizar o trabalho de grupo mais que o trabalho individual, para não reforçar o sucesso de uns e o insucesso de outros. Até porque, e não nos podemos esquecer disso, a promoção da leitura visa estabelecer relações afectivas com o objecto livro e com a experiência de ler, quer socialmente, quer individuamente. E cada um tem o seu ritmo, que não pode ser posto em causa.

Oficina de teatro para crianças na Casa d'Os Dias da Água

Estão abertas inscrições para uma oficina de teatro para crianças na Casa d'Os Dias da Água (Sensurround). Trabalhando a expressão dramática e musical, será apresentado um pequeno espectáculo teatral inspirado no conto tradicional indiano O Tigre, o Homem e o Chacal.
Sem dúvida uma excelente opção para trabalhar o texto e abrir novos horizontes de leitura em diálogo com diferentes linguagens.
A actividade decorre entre os dias 31 de Julho e 11 de Agosto, entre as 14 Horas e as 18 Horas e destina-se a crianças entre os 6 e os 12 anos.
Para mais informações, aqui fica o e-mail: osdiasdaagua@sensurround.pt.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura

Enquanto o site do Plano Nacional de Leitura não entra em funcionamento, já estão disponíveis várias informações sobre os princípios orientadores do projecto. Já são também conhecidos os livros recomendados para os diferentes anos de escolaridade de acordo com diferentes objectivos. A informação pode ser lida aqui.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Diário dos Açores I

Biblioteca em Construção

O objectivo do curso era o de familiarizar o grupo (cujas crianças rondavam os oito anos) com o espaço da Biblioteca, com as suas funcionalidades e com o acesso aos livros. Para isso, nada melhor do que lhes proporcionar uma escolha livre de três livros, entre as estantes e as caixas dispostas na sala infantil da biblioteca e na sala de expressão plástica, onde os dois cursos tiveram lugar.
Depois de ensaiarmos a forma de tirar e colocar livros na estante, as crianças deslocaram-se em dois grupos à sala infantil para procurarem e trazerem os livros de que gostassem. A tarefa tinha um objectivo para o dia seguinte, mas o mais interessante foi percepcionarmos o efeito do simples acto da escolha.
Em primeiro lugar, foi um acontecimento colectivo, que lhes permitia trocarem opiniões, enquanto folheavam, mostravam os livros uns aos outros, ficavam indecisos, optavam por um livro que o colega afinal não tinha escolhido, ou se antecipavam perante a indecisão do outro.
Depois, já na sala, os livros que estavam em cima das mesas eram sempre uma tentação, e acabada uma tarefa, a eles regressavam. Mesmo aqueles que numa conversa inicial não se tinham mostrado muito interessados pela leitura, acabavam por ler algumas páginas, ver as fotografias ou ilustrações, sozinhos ou em grupo, espontaneamente.
A leitura livre deu frutos. Houve quem nos dissesse, no final da terceira sessão, que já tinha lido três livros.

Diário dos Açores

Estamos de regresso das férias. A partir de hoje voltamos à partilha de experiências e informação. Por isso vamos, em diferido, relatar o que de mais importante aconteceu nos cursos Biblioteca em Construção e Ver para Crer, na BPARPD, entre 3 e 7 de Julho.
A animação infantil da Biblioteca promove, durante o presente mês, diversas iniciativas para crianças do 1º ciclo que integrem ATLs, nas escolas e colégios que frequentam. É uma forma de complementar as actividades lúdicas da época balnear, enquanto as famílias não têm férias.
Por isso, durante a 1ª semana, a Biblioteca estava cheia de crianças, não só para os nossos cursos, cuja duração era de uma hora diária (cada), como para a hora do conto dramatizada, para oficinas de expressão dramática, oficinas de expressão musical, jogos tradicionais, e filmes no auditório.
Toda a equipa de animação estava envolvida em algum dos projectos, e a azáfama era muita. No final de cada tarde, pelas 16h30, encontrávamo-nos na esplanada do bar da Biblioteca onde, num tom mais descontraído, comentávamos o que se tinha passado em cada sala, com cada grupo. Nós, que éramos de fora, sentimo-nos sempre em casa.

terça-feira, 11 de julho de 2006

Primeiras notícias de Ponta Delgada

Acabados de chegar, e depois de alguns dias sem acesso à Internet, deixamos algumas fotografias das sessões dos cursos que desenvolvemos na BPARPD. Para trás ficaram dias de trabalho estimulante, de belas paisagens, e as recordações da excelente recepção proporcionada pela equipa da Biblioteca que, mais uma vez, nos deixa saudades.

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Ver Para Crer e Biblioteca em Construção em Ponta Delgada

Estamos de novo em Ponta Delgada onde durante esta semana estaremos a realizar os cursos Ver Para Crer e Biblioteca em Construção. A viagem correu muito bem e a recepção não podia ser melhor, confirmando a certeza que já nos tinha ficado acerca do excelente funcionamento da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada. A partir das duas da tarde vamos começar a trabalhar com uma turma do 2.º ano (Ver Para Crer) e com uma turma do 4.º ano (Biblioteca em Construção) que estarão na biblioteca ao abrigo de um projecto de ocupação de tempos livres durante as férias.
Aguardam-nos aventuras e trocas de experiências em torno de uma mesa recheada de livros.
Nos próximos dias daremos mais notícias.